Exercícios de História Divididos por Tópicos – ENEM

Abaixo você encontra as provas do ENEM de História divididos por tópicos


 

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Resumo de História Geral

RESUMO DE HISTÓRIA GERAL

1. Objetivos da História
• Alargar nossa compreensão da natureza humana, oferecendo, através da reflexão histórica, instrumento capaz de aumentar a capacidade de compreender o presente e ampliar nossa visão do futuro.
• A História deve servir como instrumento de conscientização dos jovens.

2. A História e a visão do historiador
• O Historiador não é um homem neutro e isolado de sua época.
• A História que se escreve está profundamente ligada à História que se vive.
• O mundo de hoje contagia o trabalho do historiador, influenciando a reconstrução que ele elabora do passado.

3. As grandes tendências da historiografia
• Ênfase nos acontecimentos políticos: tendência para uma História dos vencedores, das cúpulas dirigentes.
• Ênfase nos aspectos sócio-econômicos: valorização do papel das classes populares e de suas lutas. Construção de uma História dos vencidos, das bases populares.
• Visão global das sociedades humanas: evitando o reducionismo economicista, busca elaborar uma História das estruturas ao nível político, social e econômico. Recorre à colaboração das demais ciências sociais.

4. Periodização histórica
• Na identificação dos períodos históricos, os elementos que o diferencia de outras épocas deve ser mais importantes que as semelhanças encontradas.
• Periodização mais conhecida para a História geral: Pré-história, Idade Antiga, Idade Média, Idade Moderna e Idade Contemporânea.

DA PRÉ-HISTÓRIA AO ADVENTO DA CIVILIZAÇÃO
1. A Pré-história e seus principais períodos
• A Pré-história não corresponde ao mesmo período de tempo cronológico nas diversas partes do mundo.
• Períodos: Paleolítico, Neolítico e Idade dos Metais (transição da Pré-história à História).

2. Período Paleolítico
• Homem coletor: predomínio da vida nômade. Surgem os primeiros clãs.
• Controle do fogo.

3. Período Neolítico
• Homem produtor: progressiva sedentarização, desenvolvimento da agricultura e da criação de animais.
• Ocorrem divisões do trabalho social e especialização de funções.
• Inovações técnicas: cerâmica, roda.

4. Idade dos Metais
• Transição da Pré-história (barbárie) à História das civilizações.
• Ampliação dos excedentes, produção mercantil, escravização de prisioneiros de guerra, aparecimento dos comerciantes.
• Divisão da Idade dos Metais: metalurgia do cobre, do bronze e do ferro.

5. O desenvolvimento da civilização
• Civilização: concretização histórica de um determinado nível de desenvolvimento sócio-cultural.
• Características: formação do Estado, desenvolvimento do comércio e divisão social do trabalho, com o contraste entre cidade e campo, diferenciação de classes sociais, aparecimento de dominantes e dominados.

6. Civilização e Estado
• Elementos do Estado: governo, população dividida em classes, território geográfico.
• Função básica: amortecer os conflitos entre explorados e exploradores, evitando luta direta entre classes antagônicas.

CIVILIZAÇÃO MESOPOTÂMICA
1. Características gerais da Mesopotâmia
• A Mesopotâmia (terra entre rios) foi uma das primeiras regiões onde se desenvolveu a passagem de uma sociedade sem classes para uma sociedade de classes.

2. Elementos básicos da economia e da sociedade
• Não existia propriedade privada da terra, que nominalmente pertencia ao rei. Desenvolveu-se uma primeira forma de sociedade de classes, na qual uma minoria que exercia o poder assumia o papel de classe exploradora.

3. Os povos da Mesopotâmia
• Sumérios (3500 a 2550 a.C.): cidades politicamente independentes (Uruk, Nippur, Lagash, Eridu); criação da escrita cuneiforme.
• Acádios (2550 a 2150 a.C.): dominaram os sumérios, unificaram as cidades e fundaram um império que teve pouca duração, devido a revoltas internas e a ataques externos (guti).
• Antigos babilônios (2000 a 1650 a.C.): seu mais importante rei foi Hamurabi, que expandiu o império do Golfo Pérsico até o norte da Assíria. Elaboração do Código de Hamurabi, um dos primeiro registrados pela História.
• Assírios (883 a 612 a.C.): povo de espírito guerreiro, comandados por reis como Sargão II, Senaquerib e Assurbanipal, realizaram grandes conquistas militares: Fenícia, Palestina e Egito. Utilizavam armas de metal (lança, escudo, espada) e carros de combate puxados a cavalo.
• Novos babilônios (612 a 539 a.C.): seu principal rei foi Nabucodonosor, que promoveu a reconstrução da Babilônia. Grandes obras: Jardins Suspensos e Torre de Babel. Nabucodonosor conquistou Jerusalém e submeteu os hebreus (cativeiro babilônico).

4. Vida cultural
• Escrita cuneiforme: nasceu em função das necessidades práticas de contabilidade dos templos.
• Religião: politeísta. Cada cidade tinha um deus protetor (Anu, Ishtar, Shamash, Narduk). Não eram construídos túmulos luxuosos.
• Artes: destaca-se a arquitetura, especialmente a construção de zigurates. Na literatura, registrada em escrita cuneiforme, salienta-se a Epopéia do Gilgamesh.
• Ciências: desenvolvimento da matemática e da astronomia (calendário lunar, previsão de eclipses).

CIVILIZAÇÃO EGÍPCIA
1. Características geográficas do Egito
• Três grandes características: é um oásis (influência do Rio Nilo), tem clima árido e seu território é comprido.
• O Nilo fornece água e terra arável. O trabalho humano soube tirar o máximo proveito das cheias do Nilo (construção de canais de irrigação, de diques e de barragens).

2. Estabilidade e isolamento do Egito
• Administração forte e centralizada.
• Isolamento geográfico (cercado por fronteiras com defesas naturais).
• Civilização estável e contínua

3. Estrutura política
• Poder absoluto do faraó. Império teocrático.
• Complexa organização burocrática.

4. Etapas da evolução política
• Período Pré-dinástico: povos divididos em nomos, antes da unificação. Antigo Império: unificação do Alto e do Baixo Egito. Organização da estrutura administrativa.
• Médio Império: prosperidade econômica e conquistas militares.
• Novo Império: expansão do território egípcio pela Ásia e aumento dos poderes dos sacerdotes. Depois do século XII a.C., iniciou-se o período de decadência, com breve recuperação entre 635 e 525 a.C. (renascença saíta).

5. Vida econômica
• Agricultura: uma das principais atividades econômicas. Culturas. Culturas: algodão, cevada, trigo, legumes, frutas.
• Comércio: desenvolveu-se a partir do segundo milênio. Intercâmbio com Creta, Palestina, Síria e Fenícia.
• Intervenção do Estado: administrava grandes pedreiras, minas e construção de canais, templos e pirâmides.

6. Vida social
• As diversas camadas sociais estavam organizadas em castas hereditárias.
• Principais categorias sociais: sacerdotes, nobreza, escribas, militares, felás (camponeses pobres), artesãos e escravos.

7. Vida cultural
• Religião: politeísmo. No culto oficial, destacava-se o deus Amon-Rá. No culto popular, os deuses Osíris, Ísis e Horus. Durante o Novo Império, o faraó Amenófis IV tentou introduzir o culto a Aton, mas a reforma teve curta duração.
• Artes: arquitetura (pirâmides, mastabas, hipogeus), pintura e escultura (representação da figura humana em posição hierática).
• Ciências: desenvolvimento da matemática, da química, da astronomia e da medicina.

CIVILIZAÇÃO HEBRAICA
1. O legado ético-religioso dos hebreus
• Os hebreus distinguem-se pela religião monoteísta.
• Foi da religião hebraica que o Cristianismo assimilou uma série de fundamentos doutrinários.

2. Etapas da evolução política dos hebreus
• Período dos patriarcas: Abraão, Isaac, Jacó e Moisés.
• Governo dos juízes: Gedeão, Sansão e Samuel.
• Instituição da monarquia: Saul foi o primeiro rei, seguindo-lhe Davi e, depois, Salomão, que promoveu forte centralização política e construiu suntuosos palácios (Templo de Jerusalém).
• Decadência e dispersão: depois da divisão do povo hebreu (reino de Israel e de Judá) tem início a partir de 722 a.C., um período de decadência. Em 587 a.C., Judá é conquistada por Nabucodonosor. Em 70 d.C, ocorre a Diáspora, quando a Palestina estava integrada ao Império Romano.

3. Vida econômica
• Duas grandes fases dos hebreus: vida nômade e vida sedentária.
• A evolução comercial dos hebreus está ligada às migrações coletivas feitas por esse povo.

4. Vida cultural
• Religião: é a grande contribuição cultural para a civilização ocidental cristã.
• Artes: destacam-se a arquitetura (Templo de Jerusalém) e a literatura religiosa (Cântico dos Cânticos, Salmos etc.).
• Ciências: sem contribuições inovadoras.

CIVILIZAÇÃO FENÍCIA
1. Características geográficas da Fenícia
• Localização: estreita faixa de terra entre o Mar Mediterrâneo e as montanhas do Líbano.
• Destino marítimo: o solo montanhoso e desfavorável à agricultura levou os fenícios a se lançar ao mar e a desenvolver o comércio.

2. Estrutura social e política
• Conjunto de cidades-estados independentes, governadas por reis.
• Principais cidades: Biblos, Sidon e Tiro (que fundou a colônia de Cartago).
• Posição social: a condição econômica determinava o papel do indivíduo na sociedade. Classe dominante: comerciantes marítimos, donos de oficinas de artesanato, negociantes de escravos, empresários, sacerdotes e funcionários do Estado. Classe dominada: trabalhadores livres e escravos.

3. Vida econômica
• Principal atividade: comércio marítimo, alimentado em grande parte pelo artesanato fenício (armas de bronze e de ferro, jóias, estátuas).

4. Vida cultural
• Criação do alfabeto: é a grande contribuição cultural legada pelos fenícios. Sua invenção estava ligada à necessidade de se encontrar um meio prático para as comunicações comerciais.
• Religião: politeísta, marcada pelo aspecto trágico e sangrento.
• Ciência e arte: não se preocupavam com a originalidade da arte nem com grandes inovações  científicas. Desenvolveram a engenharia náutica e astronomia.

CIVILIZAÇÃO PERSA
1. Situação geográfica
• Planalto do Irã, na Ásia central.

2. Evolução política dos persas
• Sob a liderança de Ciro, ocorreu a unificação entre medos e persas, no século VI a.C.
• Ciro, Cambises e Dario ampliaram o domínio dos persas, construindo o maior império da Antiguidade.

3. Estrutura administrativa dos persas
• Apogeu: durante o reinado de Dario I.
• Organização administrativa: divisão em satrápias, governadas pelos sátrapas e supervisionadas por inspetores reais. Aperfeiçoaram-se os sistemas de transportes e de comunicações.

4. Vida econômica
• Cada região conquistada continuou exercendo suas atividades costumeiras. A unidade política imposta pelo império facilitava o intercâmbio comercial. Faltava maior circulação de moedas, para dinamizar a economia.

5. Vida cultural
• Artes: destaca-se a arquitetura, que combinando elementos heterogêneos soube construir esplendorosos palácios (Susa e Persépolis).
• Ciências: poucas contribuições inovadoras.
• Religião: doutrina fundada por Zoroastro, que pregava (incessante luta entre o deus do bem (Ormuz) e o deus do mal (Arimã). Símbolo religioso. O fogo.

CIVILIZAÇÃO CRETENSE
1. Características gerais de Creta
• Situação geográfica: maior ilha do Mar Egeu.
• Estilo de vida dominante: bastante ligada às comunicações marítimas.
• Períodos de sua história: a) Pré-palacial; b) Palacial antigo; c) Palacial recente; d) Pós-palacial.

2. Vida econômica e social
• Atividades econômicas: agricultura (cultivo de vinhas, oliveiras e cereais), produção artesanal e comércio marítimo.
• Vida predominantemente urbana (Cnossos, Faístos, Mália e Tilisso).
• O comércio e o artesanato geravam oportunidades para que maior número de pessoas conquistassem autonomia econômica.
• A escravidão nunca chegou a ser essencial para a vida econômica.
• As mulheres gozavam de um nível de liberdade social incomum na Antiguidade.

3. Vida cultural
• Religião: tinha caráter matriarcal. Principal divindade: Deusa-Mãe.
• Esportes: dedicavam-se às atividades atléticas.
• Artes e Ciências: desenvolveram uma arte original na pintura, na arquitetura e na escultura. Nas ciências, exibiram grandes conhecimentos matemáticos e de engenharia civil.

CIVILIZAÇÃO GREGA
1. Características geográficas
• Território dividido em três grandes partes: Grécia Continental, Grécia peninsular e Grécia insular.
• Características fundamentais do território: presença marcante do mar e da montanha, dando ao território um aspecto fragmentado. A fragmentação física facilitou a fragmentação política da Grécia.

2. Principais períodos da história grega
• Micênico (século XV a século VIII a.C.)
• Arcaico (século VIII a século VI a.C)
• Clássico (século VI a século IV a.C.)
• Helenístico (século IV a século I a.C.)

3. Período Micênico ou homérico
• Marcado pela chegada e estabelecimento, no mundo grego, dos aqueus, jônios, eólios e dórios.
• As estruturas comunitárias dos genos foram-se dissolvendo, à medida que surgiam o direito de herança, a diferenciação de classes e a generalização do regime escravista.

4. Período Arcaico
• Desenvolvimento das cidades-estados: a polis grega substituiu a divisão das pessoas por laços de parentesco, pela divisão em classes sociais.
• Esparta: cidade do sul do Peloponeso, fundada pelos dórios. Desde sus origens foi uma cidade militarista e aristocrática.
– Principais classes: esparciatas, periecos e hilotas.
– Instituições políticas: Diarquia, Gerúsia, Apela e Conselho dos Éforos.
• Atenas: Situação geográfica: Planície da Ática, próxima ao Mar Egeu.
– Evolução política: Monarquia (século VIII a.C.). Oligarquia (século VII a.C.), Período das reformas sociais – Drácon, Sólon – (século VII a VI a.C.), Tirania (século VI a.C.) E Democracia (século V a.C.)
– Sociedade: destacavam-se três classes (eupátridas, metecos e escravos)

5. Colonização grega
• Conquista de diversas regiões da costa do Mediterrâneo e do Mar Negro.

6. Aspectos da vida econômica na Grécia
• Agricultura: cultivo da oliveira e da videira.
• Indústria manufatureira: o trabalho urbano dos artesãos crescia com o trabalho dos escravos nos ergasterions.
• Comércio: Atenas assumiu a liderança comercial com a formação de um império marítimo, após as Guerras Médicas.

7. Período Clássico
• Guerras Médicas: cidades gregas contra Império Persa (século V a.C).
• Desenvolvimento do Império Ateniense, a partir da Liga de Delos.
• Guerra do Peloponeso: longo conflito entre cidades gregas, que tinham como líderes antagônicos as cidades de Esparta e de Atenas (431 a 404 a.C.). Ao final, Atenas foi derrotada, juntamente com seu projeto de unificação imperialista.
• Hegemonia de Esparta (404 a 371 a.C.) e de Tebas (371 a 362 a.C.).

8. Período Helenístico
• Decadência da civilização grega sob o domínio macedônico. Filipe conquista a Grécia.
• Expansão do Império Macedônico, com Alexandre Magno.

HERANÇA CULTURAL GREGA
1. Cultura grega
• Valiosa herança de realizações que representa uma das estruturas fundamentais sobre a qual se ergueu culturalmente a civilização ocidental.

2. Filosofia e ciências
• Filosofia: vigorosa crença na razão humana. Grandes filósofos, como Sócrates, Platão e Aristóteles.
• Ciência: primeiras sistematizações dos diversos ramos científicos.

3. Artes
• Literatura: conceberam a lírica, a epopéia, a novela, o romance, o ensaio e a biografia.
• Teatro: conceberam a tragédia e a comédia.
• Arquitetura: estilos dórico, jônico e coríntio.
• Escultura: exaltação do corpo humano.

4. Religião e mitologia
• Religião: politeísta e antropomórfica: Deuses: Zeus, Hera, Ares, Apolo, Dionísio, Afrodite etc.
• Mitologia: narrativas extraordinárias e simbólicas envolvendo deuses, heróis e mortais.

5. Cultura helenística
• Interação cultural de elementos gregos e orientais. Caráter cosmopolita.
• Centros de difusão: Alexandria (Biblioteca), Pérgamo e Antioquia.
• Filosofia; Zenão (estoicismo) e Epicuro (hedonismo).
• Ciências: Euclides (Geometria), Arquimedes (Matemática e Física), Erastótenes (Geografia) e Hiparco (Trigonometria e Astronomia).
• Artes: caráter mais drama´tico e emotivo. Obras famosas: Laocoonte, Vitória de Samotrácia, Farol de Alexandria e Colosso de Rodes.

CIVILIZAÇÃO ROMANA
1. Características geográficas da Itália
• Localização: a península itálica ocupa posição central no Mar Mediterrâneo.
• Povos: foi ocupada por italiotas, etruscos e gregos.

2. Origens de Roma e períodos da história romana
• Lenda: os irmãos gêmeos Rômulo e Remo, que tinham sido amamentados por uma loba, fundaram Roma (753 a.C.).
• Pesquisas sobre a origem: está ligada aos povos sabinos e latinos. Por volta do século VII a.C., com os etruscos consolidou-se a fundação.
• Períodos da história: Monarquia (753 a.C. a 509 a.C.), República (509 a.C. a 31 a.C.) e Império (27 a.C. a 476 d.C.).

3. Período da Monarquia
• Os genos eram a célula fundamental da sociedade. O povo estava organizado em genos, cúrias e tribos.
• Instituições políticas: Senado, Assembléia Curial e rei.
• Classes sociais: patrícios, plebeus e escravos.
• Reforma Serviana: destruiu a organização da comunidade gentílica baseada na união pelos laços de sangue e de solidariedade. Toda população foi dividida segundo o território e o grau de riqueza.

4. Período da República
• Instituições políticas: Senado, Assembléia dos Cidadãos e Magistraturas.
• Lutas de classes: a) luta dos escravos: rebeliões, mas não revoluções; b) luta dos plebeus: conquistaram uma série de direitos que, ao final, não chegaram a beneficiar toda a plebe, mas apenas seus líderes.
• Conquistas militares: à expansão militar seguiu-se uma série de etapas: conquista de toda a península itálica, Guerras Púnicas, submissão de Cartago e dominação das regiões mediterrânicas. As conquistas alteraram o modo de vida romano, que evoluiu, nas classes dominantes, em direção ao luxuoso e ao requintado. Desenvolveu-se a classe dos cavaleiros (comerciantes ou financistas ricos). Empobrecimento da massa plebéia, devido aos esforços das guerras.
• Crise da República e reforma dos Graco: Tibério e, depois, Caio Graco elaboraram leis ente 133 a.C. e 122 a.C., para atenuar o sofrimento das massas (Lei agrária, Lei judiciária e Lei frumental).
• Transição da República para o Império: na transição da República para o Império ocorreram lutas pelo poder, compreendendo várias etapas: Caio Mário (107 a.C.), Cornélio Sila (82 a.C.), Primeiro Triunvirato (60 a.C.), Ditadura de César (46 a.C.), Segundo Triunvirato (43 a.C.) e Ascensão de Otávio.

5. Período Imperial
• Obra de Augusto: sem assumir oficialmente o título de rei, Augusto governou com poderes absolutos e promoveu uma série de reformas sociais e administrativas. Instituiu e consolidou as instituições romanas.
• Alto Império (27 a.C. a 235 d.C.)> período de crescimento e de esplendor de Roma;
• Baixo Império (235 a 476): fase de turbulência, que marcou a decadência de Roma.

6. A decadência romana
• Tensões e rebeliões internas somaram-se a pressões dos povos bárbaros na desagregação do Império Romano. Em 395 dividiu-se a parte ocidental (com sede em Roma) da parte oriental (com sede em Constantinopla). Em 476, o último imperador do Império Romano do Ocidente, Rômulo Augusto, foi deposto por Odoacro, rei dos hérulos.

CULTURA ROMANA
1. Características da cultura romana
• Elementos básicos: capacidade de organização e senso prático, tendo como objetivo a administração de um império gigantesco.
• Assimilação de herança científica e artística de outros povos (gregos, egípcios etc.).
• Política cultural de Augusto: projetar Roma como centro cultural do mundo civilizado. Desenvolvimento do mecenato.

2. A religião romana
• Religião utilizada como um dos fundamentos da autoridade do Estado.
• Assimilação de deuses rebatizados com nomes latinos.
• Era politeísta, prática e utilitarista.

3. O Cristianismo e sua influência em Roma
• A doutrina de Cristo foi difundida pelos apóstolos, tendo alcançado repercussão, principalmente, entre as camadas oprimidas.
• A princípio, o Cristianismo foi violentamente combatido pelos imperadores romanos. Somenteem312, sob o imperador Constantino, o culto cristão foi oficialmente liberado.

4. O Direito Romano
• É a grande contribuição cultural legada pelos romanos à civilização ocidental.
• Duas grandes partes: direito público (relações jurídicas em que o Estado atua como parte) e direito privado (relações jurídicas entre particulares).

5. Artes
• Arquitetura: caráter funcional (teatros, basílicas, aquedutos, circos).
• Escultura: destaca-se a produção de retrós (cabeça e busto).
• Literatura: beleza e elegância de estilo nas obras de grandes escritores e poetas, como Virgílio, Horário, Ovídio e Cícero.

6. Ciência e filosofia
• Sem grandes contribuições inovadoras.

A IDADE MÉDIA: INVASÕES BÁRBARAS E FEUDALISMO
1. Período Medieval europeu
• Dividido em duas grandes etapas: Alta Idade Média (século V a século X) e Baixa Idade Média (século XI a século XV)

2. Invasões bárbaras
• Características dos povos germânicos:
– sociedade: da sociedade sem Estado, organizada em clãs, evoluiu-se para a sociedade de classes;
– economia: desenvolvimento da agricultura e do pastoreio, em função das necessidades coletivas.

Bosques, pastos e água eram explorados de forma comunitária;
– religião: adoravam forças da natureza e acreditavam que os guerreiros iriam para o paraíso;
– direito: normas costumeiras, utilização do ordálio;
– artes: destaque para a ornamentação de objetos, como armas, braceletes, anéis etc.

• Fases na penetração dos bárbaros: migrações (até século V) e invasões (a partir do século V). A chegada dos hunos foi o fator de ordem externa que mais colaborou para desencadear as invasões.

3. A feudalização européia
• Combinou elementos romanos (colonato e fragmentação do poder político) e germânicos (economia agropastoril, comitatus e beneficium).
• Estamentos da sociedade feudal: nobreza, clero e servos.
• Obrigações servis: corvéias, retribuições e prestações.
• Poder político: união social através dos laços de vassalagem: suserano (senhor que concedia os feudos) e vassalo (pessoa que recebia o feudo).
• Economia: o feudo era uma das principais unidades produtoras (agricultura e criação de animais), tendo caráter auto-suficiente. O comércio sofreu atrofiamento.

O REINO DOS FRANCOS
1. Os francos
• Governado por duas dinastias: a dos merovíngios (século V a século VIII) e a dos carolíngios (século VIII a século IX).

2. Os reis merovíngios
• O primeiro rei foi Clóvis (482 a 511), que unificou os francos e converteu-se ao Cristianismo.
• A transição dos merovíngios para os carolíngios deu-se através da ascensão do Mordomo do Paço Carlos Martel, que em 732 deteve o avanço árabe na Europa (Batalha de Poltiers).

3. Os reis carolíngios
• O mais importante rei carolíngio foi Carlos Magno, que em 800 foi coroado Imperador do Sacro Romano.
• Carlos Magno expandiu os domínios francos, estruturou a administração (capitulares, missi-dominici, condes, marqueses) e estimulou o desenvolvimento cultural (renascença carolíngia).

4. Decadência do Império Carolíngio
• Principais causas: fragmentação do poder político (autonomia da nobreza agrária) e invasões dos séculos IX e X (margiares, vikings e sarracenos).
• Formação das sociedades feudais do Ocidente.

CIVILIZAÇÃO BIZANTINA
1. Origem do Império Bizantino
• Corresponde ao Império Romano do Oriente.
• Sede: Constantinopla, situada às margens do estreito de Bósforo, na passagem do Mar Egeu para o Mar Negro. Cidade extremamente bem localizada em termos comerciais.

2. A era de Justiniano
• Justiniano (527-565) foi um dos mais importantes imperadores bizantinos. Expandiu militarmente o império, governou de forma absolutista (cesaropapismo) e deixou grande obra legislativa (Código de Justiniano).

3. Decadência política
• Após a morte de Justiniano, o império percorreu longa trajetória de decadência, somente interrompida no século X (reinado de Basílio II).
• Durante cerca de mil anos o império sobreviveu a inúmeras ameaças, até que, em 1453, Constantinopla foi dominada pelos turcos otomanos.

4. Vida econômica
• Grande desenvolvimento do comércio, favorecido pela localização de Constantinopla.
• Setor agrícola tinha produção concentrada em latifúndios da Igreja.
• Controle do Estado das atividades econômicas (comércio, artesanato etc.).

5. Vida cultural
• Religião: grande debate de questões religiosas (monofisismo, iconoclastia). Criação da Igreja Ortodoxa (Cisma do Oriente, em 1054).
• Artes: desenvolvimento da escultura, da arquitetura (Igreja de Santa Sofia) e dos mosaicos.

CIVILIZAÇÃO ISLÂMICA
1. A Arábia pré-islâmica
• Principais grupos árabes: beduínos (seminômades) e árabes urbanos (sedentários).
• Não havia unidade política entre os árabes, mas uma certa unidade cultural (idioma, crenças religiosas)

2. Maomé e sua religião
• Maomé (570-632) fundou uma religião (chamada muçulmana, maometana ou islâmica), cuja doutrina básica está fixada no Alcorão.
• Princípios religiosos essenciais: crer em Alá, o único Deus, e em Maomé, o seu profeta; realizar cinco orações diárias: ser generoso com os pobres; obedecer ao jejum durante o ramadã e visitar Meca pelo menos uma vez na vida.

3. A expansão muçulmana
• Estado muçulmano: a religião tornou possível a união dos árabes, antes agrupados apenas pelos laços de parentesco.
• Expansão do Islão: governado por califas (poder religioso, político e militar), o Estado expandiu-se por meio das Guerras Santas (djihad). Três grandes etapas da expansão: de 632 a 661, de 661 a 750 e de 750 a 1258.

4. Vida econômica
• Comércio e indústria manufatureira: alcançaram grande desenvolvimento entre os muçulmanos. Instrumentos jurídicos para facilitar o comércio: cheques, letras de cambio e formação de sociedades comerciais. Indústria manufatureira: jóias, vidros, sedas, armas etc.
• Agricultura: cultivaram diferentes lavouras, aproveitando as características de cada região do imenso império.

5. Vida cultural
• Desenvolvimento do setor científico (Matemática, Física, Química, Medicina).
• Esplendor artístico na literatura (fábulas e contos) e na arquitetura (grandiosas mesquitas, decoradas com arabescos).

A AÇÃO DA IGREJA E A CULTURA MEDIEVAL
RESUMO DAS CRUZADAS
A seguir, tem-se um rápido resumo das oito Cruzadas empreendidas pela cristandade ocidental.

• Primeira Cruzada (1096-1099) (Cruzada dos Nobres): Chefiada por nobres como Godofredo de Bouillon, Roberto da Normandia, Balduino de Flandres e Raimundo de Toulouse, essa Cruzada conquistou a cidade de Jerusalém, onde se fundou um Reino Cristão. Para manter-se nos territórios ocupados, os cruzados fundaram várias ordens: Templários, Hospitalários, Cavaleiros Teutônicos.

• Segunda Cruzada (1147-1149): Chefiada pelo imperador Conrado III, da Alemanha, e por Luis VII, da França. Tentaram ocupar Jerusalém, que estava sendo ameaçada pelos muçulmanos, mas seus esforços foram em vão. O sultão do Egito, Saladino, reconquistou Jerusalém em 1187.

• Terceira Cruzada (1189-1192) (Cruzada dos Reis): Chefiada por Frederico Barba Roxa, da Alemanha, e por outros reis como Ricardo Coração de Leão, da Inglaterra, e Filipe II, da França. Os líderes dessa Cruzada conseguiram estabelecer um acordo com o sultão Saladino, que se comprometeu a permitir as peregrinações dos cristãos a Jerusalém.

• Quarta Cruzada (1202-1204) (Cruzada Venezianal): O Papa Inocêncio III fez um grande apelo aos príncipes europeus, para que organizassem uma Cruzada contra o Egito. Mas a cidade de Veneza, que deveria ceder os navios, tinha interesses comerciais voltados para a destruição de Constantinopla. Assim, foi para lá que se dirigiu essa Cruzada, que pilhou e saqueou Constantinopla em 1204, desorganizando o Império Grego lá sediado (fundaram o Império Latino do oriente, que teve curta duração).

• Quinta Cruzada (1217-1221): Foi orientada contra o Egito, mas não conseguiu obter sucesso. Os cruzados foram forçados a regressar, em meio às inundações do Nilo.

• Sexta Cruzada (1228-1229): Foi chefiada por Frederico II, da Alemanha, e conseguiu obter do sultão do Egito, El Kamil, a entrega das cidades de Jerusalém, Belém e Nazaré.

• Sétima Cruzada (1248-1250): Chefiada por Luis IX (São Luis), da França, voltou-se contra o Egito, mas o fracasso foi total. O rei foi preso com todo o seu exército e somente libertado mediante o pagamento de um elevado resgate.

• Oitava Cruzada (1270): Novamente organizada por Luís IX, a expedição desembarcou no norte da África. Vitimada por uma epidemia de peste, a expedição se desfez, após a morte de seu líder, Luís IX.

1. Igreja Católica na Europa Medieval
• Influência: a igreja exerceu poderosa influência em diversos setores da vida medieval.
• Estrutura: clero secular (padres, bispos, arcebispos) e clero regular (beneditinos, franciscanos, dominicanos etc.). Ponto máximo de hierarquia eclesiástica: Papa, Sumo Pontífice.
• Conflitos com o poder monárquico: exemplo marcante foi a Questão das Investiduras (século XI).

2. Inquisição
• Objetivo: descobrir e julgar os praticantes de heresias (doutrinas contrárias ao dogma católico).
• Ação dos Tribunais de Inquisição: atuou em diversos países cristãos, como França, Alemanha, Portugal e, especialmente, Espanha.

3. As Cruzadas
• Causas: mentalidade guerreira da nobreza feudal, interesses econômicos no Oriente, motivação religiosa em conquistar lugares sagrados do Cristianismo.
• As expedições: de 1096 a 1270 foram organizadas oito Cruzadas.
• Conseqüências: empobrecimento dos senhores feudais, fortalecimento da realeza, desenvolvimento do comércio com o Oriente e intercâmbio cultural.

4. Vida Cultural
• Educação: criação das universidades (Paris, Bolonha, Oxford, Montpellier e Salamanca).
• Literatura e filosofia: poesias épica e lírica inspiradas nos valores do cavalheiro. Na filosofia (escolástica), destaca-se a figura de Tomás de Aquino, que empenhou-se em harmonizar a fé com a razão.
• Música: Gregório Magno introduziu o canto gregoriano. Guido d’Arezzo batizou as notas musicais. Na música popular, desenvolveu-se a canção trovadoresca.
• Arquitetura, escultura e pintura: na arquitetura, dominavam dois grandes estilos: o gótico e o românico. A escultura era profundamente ligada à arquitetura. A pintura concentrou-se na representação humanizada de santos e de divindades católicas. Grandes pintores: Giotto e Cimabue.
• Ciências: traduziram-se diversas obras árabes e gregas, que influenciaram o progresso da Matemática, Física, Biologia, Astronomia e Medicina. Um dos grandes nomes da ciência medieval foi Roger Bacon, autor de Opus Majus.

O FIM DA IDADE MÉDIA
1. Visão Geral da Baixa Idade Média
• Duas grandes fases: expansão (séculos XI a século XII) e contração (séculos XIV e XV).

2. Os séculos de expansão
• Expansão agrícola: mudanças nas relações servis e ampliação das culturas.
• Renascimento comercial: estabelecimento de rotas internacionais para o comércio a longa distância.
• Renascimento urbano: ascensão da burguesia e emancipação de cidades.

3. Os séculos de contração
• Crise econômica: falta de alimentos, perdas agrícolas e Peste Negra.
• Crise política: guerras senhoriais e Guerra dos Cem Anos (1337 a 1453), entre França e Inglaterra.
• Crise religiosa: conflitos internos dentro da Igreja, Grande Cisma do Ocidente (Igreja governada por dois Papas, um sediado em Roma e o outro em Avinhão).

A IDADE MODERNA E O DESENVOLVIMENTO DO CAPITALISMO
1. Marcos da transição característicos da Época Moderna
• Economia: declínio do feudalismo e ascensão do capitalismo (grandes navegações e descoberta de novos continentes).
• Sociedade: crescimento da burguesia.
• Política: formação do Estado Moderno.
• Religião: surgimento da Reforma Protestante (quebra da unidade cristã).
• Cultura: movimento renascentista.

2. A expansão marítima e comercial européia
• Fatores econômicos: comércio de especiarias, busca de novos mercados, falta de metais preciosos.
• Fatores sociais e políticos: setores da burguesia favoreceram a centralização do poder em torno da realeza.
• Fatores culturais: espírito de aventuras e avanço tecnológico (mapas geográficos, bússola, astrolábio, caravelas etc.).

3. Países envolvidos na expansão
• Pioneirismo ibérico: primeiro Portugal, depois Espanha. Descoberta de novo caminho para as Índias (1448) e descoberta da América (1492).
• Franceses, ingleses e holandeses concentraram suas navegações no Atlântico Norte.

4. A expansão européia e suas conseqüências
• Para os conquistadores europeus: florescimento do capitalismo.
• Para os conquistadores americanos: destruição dos povos pré-colombianos.

O RENASCIMENTO
1. Nova visão de mundo na Época Moderna
• Humanismo (em oposição ao teocentrismo).
• Individualismo (em oposição à coletividade universal cristã).
• Racionalismo (em oposição à fé religiosa).

2. Renascimento
• Movimento tipicamente urbano europeu dos séculos XV e XVI, marcado pela inspiração na cultura da Antiguidade clássica.
• Fatores que influenciaram o Renascimento: movimento humanista, desenvolvimento da imprensa, ação dos mecenas.
• Alcance intelectual: artes, ciências, filosofia.

3. Renascimento pela Europa
• Início: Península Itálica (século XV). Grandes nomes: Leonardo da Vinci, Miguel Ângelo, Ticiano.
• Expansão: França (Rabelais, Montaigne); Alemanha (Durer, Holbein); Países Baixos (Erasmo, Van Eyck); Inglaterra (Shakespeare, Thomas Morus); Espanha (Cervantes); Portugal (Camões).

A REFORMA PROTESTANTE E A REAÇÃO CATÓLICA
1. O conceito de Reforma
• Movimento do século XVI de contestação à Igreja Católica que provocou a quebra efetiva da unidade do pensamento cristão ocidental.

2. As principais causas da Reforma
• Religiosas: críticas ao comportamento do clero e ao clima de corrupção dentro da Igreja. Novas interpretações de aspectos da Bíblia.
• Sócio-econômicas: ética religiosa mais adequada ao espírito do capitalismo comercial.
• Políticas: formação das monarquias nacionais, auto-afirmação dos sentimentos nacionais.

3. Principais movimentos reformistas
• Luteranismo (Alemanha)
• Calvinismo (Suíça)
• Anglicanismo (Inglaterra)

4. A Contra-Reforma católica
• Movimento de reação da Igreja, face ao avanço do protestantismo.
• Principais medidas da Contra-Reforma: Ordem dos Jesuítas, Concílio de Trento e restabelecimento da Inquisição.

O ESTADO MODERNO: O ABSOLUTISMO E O MERCANTILISMO
1. Características gerais buscadas pelo Estado Moderno
• Idioma comum para o povo.
• Definição de um território.
• Soberania governamental.
• Exército permanente.

2. O absolutismo monárquico
• Concentração de poderes em torno do rei.
• Teóricos do absolutismo: Maquiavel, Jean Bodin, Thomas Hobbes, Jacques Bossuet.

3. O absolutismo na França e na Inglaterra
• França: Guerra dos cem Anos (1337-1453) fortaleceu o sentimento nacional. Fortaleceram-se as instituições reais. Henrique IV (Edito de Nantes) impulsionou o processo de centralização do poder político. Luis XIV: símbolo do rei absolutista: O Estado sou eu.
• Inglaterra: Henrique VII (1485-1509), fundador da Dinastia dos Tudor. Ampliou os poderes da monarquia e diminuiu os do Parlamento. Henrique VIII (criador da Igreja Anglicana). A religião foi manipulada no interesse da monarquia. Elizabeth I fortaleceu o absolutismo.

4. A política econômica do Estado Moderno: o mercantilismo
• Características do mercantilismo: metalismo, balança de comércio favorável, protecionismo e intervenção estatal.
• Sistema colonial: solução para os problemas internacionais gerados pelo mercantilismo. Objetivo do colonialismo: criação de um mercado e de uma área de produção colonial inteiramente controlados pela metrópole.

O ILUMINISMO E OS DÉSPOTAS ESCLARECIDOS
1. As forças sociais no Estado absolutista
• Tenso equilíbrio entre forças da nobreza e da burguesia.
• Estado absolutista: alimentava-se do conflito social e tirava partido dele em benefício do poder supremo da monarquia.
• O desenvolvimento do capitalismo corroeu o equilíbrio das forças sociais do Estado absolutista. Ascensão econômica da burguesia.

2. Os valores básicos do Iluminismo
• Bases: desenvolvimento do comércio e do individualismo burguês.
• Valores defendidos pelo Iluminismo: igualdade, tolerância religiosa ou filosófica, liberdade e propriedade.
• O Iluminismo combatia o absolutismo monárquico; o mercantilismo e o poderio da Igreja.
• Surgiu uma nova concepção de Deus (construtor de uma máquina universal) e da sociedade (somente o acordo de vontade da maioria legitima o poder do Estado).

3. Principais representantes do movimento iluminista
• Precursores: Descartes (França), Newton (Inglaterra) e Locke (Inglaterra)
• Pensadores iluministas: Montesquieu, Voltaire, Diderot, d’Alembert, Rousseau (França) e Kant (Alemanha).

4. Repercussões do Iluminismo na teoria econômica
• Fisiocratas: François Quesnay
• Liberalismo econômico: Adam Smith

5. O despotismo esclarecido
• Representou a tentativa de conciliação de interesses entre a sociedade tradicional do Antigo Regime e a sociedade burguesa impulsionada pelo capitalismo.
• Desenvolveu-se em países europeus atrasados em relação ao avanço do capitalismo: Prússia, Áustria, Rússia, Portugal e Espanha.
• Marcado por projetos de modernização que não afetassem o poder monárquico.

A REVOLUÇÃO INGLESA
1. Significado geral da Revolução Inglesa
• Os conflitos do século XVII foram o meio pelo qual a Inglaterra rompeu com o que restava do feudalismo, promovendo o avanço capitalista.
• A Revolução Inglesa marcou, também, a substituição do absolutismo pelo Estado liberal-capitalista.

2. A situação sócio-econômica da Inglaterra
• Situação variável conforme a região do país.

3. As relações da monarquia inglesa com a sociedade
• Tudor: absolutismo de fato, sem oposição da burguesia.
• Stuart: absolutismo de direito, que provocou choque com o Parlamento, dominado pela burguesia.

4. A guerra civil e a República de Cromwell
• Do lado da monarquia: burguesia financeira, mestres das corporações e alto clero anglicano.
• Do lado do Parlamento: burguesia mercantil, gentry, mestres manufatureiros e camponeses pobres. Cromwell acabou liderando as tropas do Parlamento contra a monarquia.
• Governo de Comwell (1649 a 1658): unificação, numa só República, de Inglaterra, Irlanda e Escócia; assinatura do Ato de Navegação (transporte de mercadorias por navios da Inglaterra); vitória inglesa na guerra contra a Holanda.

5. A restauração monárquica
• Depois da morte de Cromwell, a agitação política tomou conta do país. O Parlamento promoveu a restauração da monarquia dos Stuarts. Reinados de Carlos II (1660-1685) e de Jaime II (1685-1688).

6. A Revolução Gloriosa (1688-1689)
• Guilherme de Orange assumiu o trono, com podres limitados pelo Parlamento.
• Fim do regime absolutista.
• Impulso ao capitalismo industrial.

A INDEPENDÊNCIA DOS ESTADOS UNIDOS
1. Processo de independência dos Estados Unidos
• Ao final da Guerra dos Sete Anos (1756-1763), a Inglaterra pretendeu impor rigidez aos laços coloniais sobre suas treze colônias da América.
• Editou leis que desagradaram a burguesia colonial americana: Lei do Açúcar, do Selo, dos Alojamentos e do Chá, culminando com as chamadas |Leis Intoleráveis.
• Reagindo contra as leis coloniais, a burguesia organizou o processo de independência. A declaração formal de independência deu-se em 4 de julho de 1776.

2. A guerra pela independência (1775 a 1781)
• Vitória das tropas americanas comandadas por George Washington, eleito primeiro Presidente dos Estados Unidos.

3. A independência americana e o papel dos Estados Unidos 
• Lançou mensagem de cunho iluminista.
• A partir de sua independência, os Estados Unidos começaram a assumir, dentro do continente americano, uma política imperialista, impondo seus interesses econômicos às demais nações.

REVOLUÇÃO FRANCESA
1. A Revolução Francesa e suas principais causas
• Sociedade: divisão social em estamentos: Primeiro Estado (clero), Segundo Estado (nobreza) e Terceiro Estado (a grande maioria da nação). O Terceiro Estado revoltou-se contra os privilégios concedidos à nobreza e ao clero.
• Economia: grave crise financeira, agrícola e industrial.
• Política: a burguesia tomou consciência de seus interesses de classe. Os argumentos burgueses foram as idéias iluministas.

2. As principais fases da Revolução Francesa
• Primeira Fase: a Revolta Aristocrática – Nobreza e clero revoltaram-se, em 1787, convencendo o rei ia convocar os Estados Gerais. O objetivo era obrigar o Terceiro Estado a assumir os tributos que os aristocratas não queriam pagar.

• Segunda Fase: a Assembléia Nacional Constituinte – O Terceiro Estado revoltou-se contra o sistema de votação e proclamou-se em Assembléia Nacional Constituinte. O rei não conseguiu dominar a revolta burguesa, que se espalhou pelas ruas. Em 14 de julho, o povo invadiu o tomou a Bastilha; em agosto de 1789, foi proclamada a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Confiscaram-se terras da Igreja (1790). Diversos nobres emigraram para outros países.

• Terceira Fase: a Monarquia Constitucional – Em 1791, a França teve nova Constituição (estabelecia a separação dos  três poderes e abolia a divisão social em estamentos). O rei conspirou contra a Revolução, contando com o apoio dos nobres emigrados e das monarquias da Áustria e da Prússia. Em julho de 1791, o rei tentou fugir, mas foi  reconhecido e preso. O exército austro-prussiano invadiu a França, mas foi detido pelas tropas francesas, na Batalha de Valmy, em 20 de setembro de 1792. Pouco depois, foi proclamada a República Francesa.

• Quarta Fase: a República e a Convenção Nacional – A Convenção Nacional era dominada pelas seguintes forças políticas: girondinos, jacobinos e grupo da planície. O rei Luis XVI foi julgado e condenado à morte. A execução do rei provocou revoltas, levando os jacobinos a criar órgãos para defender a Revolução. Iniciou-se a fase do Terror, instalando-se a ditadura dos jacobinos, liderados por Robespierre. Aliviadas as tensões decorrentes da ameaça de invasões estrangeiras, os girondinos e o grupo da planície uniram-se contra os jacobinos e os derrubaram do poder. Robespierre foi guilhotinado.

• Quinta Fase: o Governo do Diretório – A Convenção Nacional era controlada pelo grupo da planície, representando a alta burguesia. Elaborou-se nova Constituição, que instituiu o Diretório (cinco membros governariam a França). O anseio burguês de ordem e de estabilidade das instituições preparou o caminho para a ascensão, ao poder, de Napoleão Bonaparte (Golpe de 18 Brumário).

A ERA NAPOLEÔNICA E O CONGRESSO DE VIENA
1. A ascensão de Napoleão Bonaparte
• Napoleão dominou a vida francesa durante aproximadamente 15 anos (1799 a 1815).
• Fases da Era napoleônica: Consulado (a alta burguesia consolidou seu poder) e Império (conquista de diversos países).

2. O Consulado
• Realizações napoleônicas: centralização administrativa; criação do Banco da França; elaboração de novos códigos jurídicos, entre os quais o Código Civil Napoleônico; reorganização do ensino francês, voltado para a formação da cidadania; elaboração de acordos entre a Igreja e o Estado.

3. O Império e a política expansionista
• Expansão do território francês. Por volta de 1812, o Império Napoleônico estendia-se por quase toda a Europa Ocidental. Não conseguindo vencer a Inglaterra militarmente, Napoleão pretendeu arruína-la no plano econômico, com a decretação do Bloqueio Continental. Com a fracassada invasão da Rússia, teve início a decadência do Império.

4. O Congresso de Viena e a Santa Aliança
• O Congresso de Viena (1814-1815) tinha como objetivo restabelecer o equilíbrio político do continente europeu. Foi marcado pelo conservadorismo. Metternich destacou-se como um dos principais organizadores do Congresso.
• A Santa Aliança foi proposta pelo czar Alexandre I. Funcionaria como uma organização internacional entre governos que se comprometiam a combater os movimentos liberais revolucionários. Aliança entre duas forças tradicionais: o Trono e o Altar.

INDEPENDÊNCIA DOS PAÍSES AMERICANOS
1. A causa estrutural da crise do sistema colonial ibérico
• O sistema colonial ibérico entrou em grave crise, provocada pelo desenvolvimento do capitalismo industrial, que não permitia as barreiras do monopólio comercial e a continuidade do regime de trabalho escravo.

2. A independência das colônias espanholas da América
• Revoltas nacionalistas: os diversos países da América alcançaram sua independência por meio de diversas revoltas no período de 1810 a 1828. Simon Bolívar e San Martin foram os principais líderes dessas revoltas, principalmente na América do Sul.
• Apoio da Inglaterra e dos Estados Unidos: desenvolvendo a industrialização, a Inglaterra apoiou a independência latino-americana, tendo interesse em expandir seu mercado consumidor de produtos industrializados. Com a Doutrina Monroe (A América para os americanos), os Estados Unidos já revelavam suas pretensões de manter o continente americano sob sua influência.

3. A independência do Brasil
• Proclamada a 7 de setembro de 1822, a independência brasileira não alterou a ordem econômica vigente no país. O Brasil saiu dos laços coloniais portugueses para cair na esfera de dominação inglesa.

A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL E AS DOUTRINAS SÓCIO-ECONÔMICAS
1. A economia industrial
• Revolução industrial: conjunto de transformações que alteraram a vida da Europa ocidental durante a segunda metade do século XVIII e quase todo o século XX.
• Evolução do processo produtivo: artesanato, manufaturas e utilização de máquinas.

2. As fases da Revolução Industrial
• Primeira Fase (1760-1860): restrita à Inglaterra. Utilização do carvão e do ferro, fabricação de tecidos e aperfeiçoamento das máquinas a vapor.
• Segunda Fase (1860-1900): difusão pela Europa, Estados Unidos e Japão. Inovações técnicas: aço, energia elétrica e produtos químicos.

3. Pioneirismo industrial inglês
• Fatores do pioneirismo: intenso comércio marítimo, sistema de créditos financeiros (Banco da Inglaterra), acúmulo de capitais, controle capitalista do campo (cercamentos) e grandes reservas naturais de carvão.

4. A Revolução Industrial e suas principais conseqüências sociais
• Exploração cruel da força de trabalho do proletariado.
• Salários de fome e péssimas condições das fábricas provocaram a reação de movimentos operários.
• Outras conseqüências: urbanização crescente, substituição do trabalho artesanal pelo trabalho do proletário  assalariado; divisão crescente do trabalho, extraordinário desenvolvimento dos meios de transporte e de comunicação.

5. Teorias econômicas e sociais
• Doutrinas defensoras da sociedade industrial capitalista: liberalismo econômico (Adam Smith, David Ricardo e Thomas Malthus).
• Doutrinas que propunham a superação das injustiças sociais da sociedade industrial: socialismo utópico, socialismo científico (Marx e Engels) e pensamento social cristão (Papa Leão XIII).

AS REVOLUÇÕES EUROPÉIAS DO SÉCULO XIX
1. A restauração dos Bourbons e a Revolução de 1830
• Governo de Luís XVIII (1815 a 1824): Terror Branco contra os grupos bonapartistas e liberais.
• Governo de Carlos X: assumiu o trono francês apoiado pela Igreja e por setores ultra-conservadores. Sua política antiliberal provocou a revolta da burguesia.
• Revolução de 1830: Luis Felipe D’ Orleans, apoiado pela alta burguesia financeira, foi conduzido ao trono francês.

2. O governo de Luís Felipe (1830 a 1848)
• Luís Felipe tornou-se conhecido como o Rei Burguês.
• Promoveu a expansão colonial francesa em direção à África e à Ásia, visando os interesses da alta burguesia.

3. A Revolução de 1848 e a ascensão de Luis Napoleão
• A Revolução de 1848 pregava o fim do reinado dos banqueiros.
• Os socialistas exigiam mudanças profundas na estrutura social. A burguesia apavorou-se.
• Luis Bonaparte tornou-se o primeiro presidente da nova República, com o apoio da burguesia, da Igreja e do exército.
• Antes de terminar o mandato de presidente, Luís Bonaparte deu um golpe de Estado e proclamou-se imperador, com o título de Napoleão III.

4. A onda revolucionária e as teses liberais
• A aliança instável entre setores da burguesia e o proletariado provocou uma onda revolucionária em diversos países europeus (Itália, Áustria, Irlanda, Alemanha, Suíça, Hungria etc.).
• Os grupos liberais: democracia, não-intervenção do Estado na economia, separação entre Estado e Igreja e tolerância religiosa. O nacionalismo defendia o respeito pela natural formação dos povos e seu direito à independência nacional.

5. A unificação da Itália
• Foi no reino Sardo-Piemontês que surgiu efetivamente o movimento em prol da unificação da Itália, liderado pelo conde de Cavour. Depois de uma série de guerras, a unificação da Itália estava praticamente concluída no ano de 1860. Vitor Emanuel II foi proclamado rei da Itália, em março de 1861. Quando Roma foi anexada à Itália, em 1870, o Papa permaneceu no Palácio do Vaticano, opondose à perda de seus territórios. A chamada questão romana somente foi resolvida pelo Tratado de Latrão, em 1929, com a criação do pequeno Estado do Vaticano.

6. A unificação da Alemanha
• Depois da segunda metade do século XIX, a Prússia passou a liderar, através da figura de Bismarck, o processo de unificação dos Estados alemães. Depois de uma série de lutas, Guilherme I foi proclamado imperador da Alemanha, em janeiro de 1871. Acelerando a industrialização, a Alemanha tornou-se uma das maiores potências econômicas da época.

7. A Comuna de Paris
• Em 1871, o proletariado assumiu o controle de Paris. Pretendia criar um Estado dos trabalhadores, inspirado nos ideais socialistas. O sonho da Comuna durou pouco. Em maio de 1871, o movimento proletário-socialista foi violentamente reprimido.

O IMPERIALISMO DO SÉCULO XIX
1. O contexto da expansão imperialista do século XIX
• O novo colonialismo (imperialismo) foi impulsionado pelo capitalismo industrial e financeiro, dentro do clima de competição entre as grandes potências européias.
• Interesses do imperialismo: econômicos (solução para o excedente de produtos gerados pelo capitalismo monopolista), políticos (conquista de territórios estratégicos na Ásia e na África) e ideológicos (expansão da cultura européia).

2. Os grandes impérios coloniais
• Diversas nações européias envolveram-se na corrida colonial. As principais foram França e Inglaterra.
• A dominação imperialista européia provocou a partilha da África e a dominação sobre vasta área da Ásia.

PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL
1. Rivalidades e tensões internacionais
• Causas: a concorrência econômica entre as potências industrializadas, a disputa colonial, os movimentos nacionalistas (revanchismo francês, pan-eslavismo, pan-germanismo).

2. A política de alianças e o estopim da guerra
• Alianças principais: Tríplice Aliança (Alemanha, Império Austro-Húngaro e Itália) e Tríplice Entente (Inglaterra, França e Rússia).
• Estopim da guerra: assassinato do arquiduque da Áustria, Francisco Ferdinando (28/6/1914).

3. A guerra mundial e suas principais fases
• Primeira Fase (1914-1915): movimentação de tropas e equilíbrio das forças.
• Segunda Fase (1915-1917): guerra de trincheiras.
• Terceira Fase (1917-1918): entrada dos Estados Unidos, ao lado da França e da Inglaterra. Derrota da Alemanha.

4. A destruição européia e a ascensão dos Estados Unidos
• Enquanto a Europa estava em guerra, os Estados Unidos desenvolviam sua economia. Exportavam para a Europa e ampliavam sua participação nos mercados industriais do mundo.

5. O Tratado de Versalhes e a criação da Liga das Nações
• Tratado de Versalhes (1919): impôs duras condições à Alemanha derrotada, beneficiando as nações vencedoras. As condições humilhantes impostas à Alemanha provocaram a reação das forças políticas do país no pós-guerra.
• Liga das Nações: teria como missão preservar a paz mundial. A Liga revelou-se um organismo impotente para cumprir sua missão, pois não contava com a participação de importantes países como Estados Unidos, URSS e Alemanha.

A REVOLUÇÃO RUSSA
1. A ruptura com a ordem capitalista
• Com a Revolução Russa de 1917, surgiu pela primeira vez uma proposta concreta de implantação do socialismo, rompendo com a ordem econômica capitalista.

2. A decadência da monarquia czarista
• Durante todo o século XIX, a Rússia foi governada por monarquias absolutistas, comandadas pelos czares. Últimos três czares: Alexandre II, Alexandre III e Nicolau II.
• No reinado de Nicolau II (1894-1917), foram criados os partidos de orientação marxista: mencheviques (minoria) e bolcheviques (maioria). Lênin era o grande líder dos bolcheviques.

3. A Revolta de 1905
• Operários, marinheiros e camponeses organizaram revoltas contra o regime czarista. O czar desestruturou a revolta com o uso da violência. Os bolchevistas tiraram importantes lições da revolta fracassada.

4. A Revolução Russa de 1917
• Duas grandes fases:
Revolução Branca (de março a novembro de 1917): governo de Kerenski. A Rússia ainda participava da Primeira Guerra Mundial.
Revolução Vermelha (a partir de novembro de 1917): os bolchevistas assumiram o poder. Lênin tomou importantes medidas: pedido de paz imediata, confiscação de propriedades privadas e estatização da economia.

5. A Guerra Civil (1918-1920)
• As forças ligadas ao absolutismo, apoiadas por potências estrangeiras, tentaram derrubar o governo bolchevista. Este, graças ao Exército Vermelho, comandado por Trotski, venceu a Guerra Civil. Em 1918, foi criado o Partido Comunista Russo.

6. A NEP e a consolidação do poder
• NEP: conjunto de medidas que promovia certo retorno a formas econômicas capitalistas, que Lênin foi obrigado a adotar, em 1921. Mas o Estado russo continuou controlando os setores vitais da economia.
• O Partido Comunista tornou-se, em 1921, partido único. Stalin foi nomeado secretário-geral.
• Em 1922, foi fundada a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.

7. A disputa pelo poder: Stalin versus Trotski
• Após a morte de Lênin, em janeiro de 1924, surgiu a disputa pelo Poder soviético, que acabou sendo vencido por Stalin. Trotski foi derrotado e, em 1929, expulso da URSS, sendo assassinado no México, em 1940, a mando de Stalin.

A CRISE DO CAPITALISMO E OS REGIMES TOTALITÁRIOS
1. A crise de superprodução (1929)
• Os Estados Unidos alcançaram grande expansão depois da Primeira Guerra Mundial. Exportavam produtos industrializados para a Europa e para outras partes do mundo. A euforia capitalista criou o american way of life.
• Com o fim da guerra (1918), os países europeus voltaram a organizar sua estrutura produtiva e reduziram suas importações dos Estados Unidos. No entanto, a produção norte-americana continuava a crescer. Surgiu, então, uma crise de superprodução. O grande marco da crise foi a queda das ações na Bolsa de Nova Iorque (1929). O mundo inteiro sofreu reflexos da crise.

2. Os Estados Unidos e a política do New Deal
• Para recuperar-se da crise de 1929, o governo norte-americano de Franklin Roosevelt implantou o New Deal – conjunto de medidas que buscava conciliar o respeito pela iniciativa privada com a intervenção do Estado na economia.

3. As conseqüências políticas da crise capitalista
• Houve o recuo das idéias liberais em diversos países do mundo. Fortaleceram-se as atribuições do poder Executivo.
• Surgiu todo um clima para o avanço de regimes totalitários.

4. O fascismo na Itália
• A que sócio-econômica na Itália e o medo da expansão do socialismo abriram espaço para a ascensão de Mussolini e para a estruturação do Partido Fascista.
• O governo de Mussolini teve duas grandes fases:
– Consolidação do fascismo (1922 a 1925);
– Ditadura fascista (1925 a 1939).

5. O nazismo alemão
• A crise sócio-econômica alemã, os protestos dos trabalhadores contra o governo, o medo do socialismo e a humilhação nacional alemã com as obrigações impostas pelo Tratado de Versalhes destacam-se entre as principais causas que propiciaram a ascensão do nazismo, liderado por Adolf Hitler.
• Hitler chegou ao poder em 1933, ocupando o cargo de chanceler do Estado alemão. AS organizações nazistas foram vigorosamente estruturadas, e eliminaram-se brutalmente as oposições políticas. Em 1933, o Partido Nazista foi declarado o partido único da Alemanha. Com a morte de Hindenburg, em agosto de 1934, Hitler assumiu também a presidência do país.

6. Difusão das doutrinas totalitárias
• As doutrinas totalitárias, de inspiração nazi-fascista, repercutiram em diversas partes do mundo: na Espanha, liderada pelo general Francisco Franco, e em Portugal, dirigido por Antônio Salzar. No Brasil, a ideologia nazi-fascista foi assimilada pelo Integralismo, liderado por Plínio Salgado.

A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL
1. Os passos para a Segunda Guerra Mundial
• Os países vencedores da Primeira Guerra (1914-1918) impuseram medidas sufocantes aos vencidos principalmente à Alemanha, expressas no Tratado de Versalhes.
• A Liga das Nações era um organismo impotente para preservar a paz. Não contava com a participação de grandes nações, como URSS e EUA.
• Japão, Itália e Alemanha estavam decididos a modificar a situação mundial, através de uma política internacional agressiva.
• Expansionismo japonês: invasão da Manchúria (1931); guerra contra a China (1935).
• Expansionismo italiano: invasão da Etiópia (1935). Ocupação da Albânia (1939).
• Expansionismo alemão: ocupação de Renânia (1936); anexação da Áustria (1938); ocupação da

Tchecoslováquia (1938); invasão da Polônia (1939).
• Pouco depois da invasão alemã na Polônia, Inglaterra e França declararam guerra à Alemanha. Era o início da Segunda Guerra Mundial.

2. Principais fases da Segunda Guerra Mundial
• Primeira etapa – a guerra na Europa (1939 a 1941): rápida ofensiva nazista (Blitzkrieg). Os alemães conquistaram Polônia, Dinamarca, Noruega, Holanda, Bélgica e França. No norte da África, as tropas alemãs e italianas obtiveram significativas vitórias sobre os ingleses, ameaçando a dominação britânica no Egito.
• Segunda etapa – a guerra no mundo (1942 a 1945): entrada da União Soviética a dos Estados Unidos no conflito. As potências aliadas reuniram forças para derrotar as potências do Eixo. A Alemanha foi obrigada a recuar na frente russa e na frente ocidental, até sua rendição final em maio de 1945. Dois meses depois, deu-se a rendição japonesa, depois da explosão das bombas atômicas em Hiroshima e em Nagasaki.

3. As conseqüências da Segunda Guerra Mundial
• Armas e vítimas: enorme avanço das técnicas militares, provocando cerca de 55 milhões de mortos e 35 milhões de feridos.
• Divisão das Alemanhas: República Democrática Alemã (influência da URSS) e República Federal Alemã (influência dos EUA).
• Fundação da ONU – Organização das Nações Unidas: criada em junho de 1945, tendo como objetivo básico manter a paz e a segurança internacional.
• Ascensão dos EUA e da URSS: esses países tornaram-se líderes, respectivamente, do bloco dos países capitalistas e do bloco dos países socialistas. Iniciou-se a guerra fria.
• Formação de alianças resultantes do conflito Leste-Oeste: OTAN e Pacto de Varsóvia.
• Corrida armamentista: assombroso desenvolvimento das armas nucleares, que, se fossem acionadas hoje, provocariam a completa destruição do planeta.

O BLOCO CAPITALISTA
1. Introdução
• Encontramos, no bloco capitalista, um privilegiado núcleo de países ricos e desenvolvidos: EUA, nações da Europa Ocidental e Japão.

2. A atuação dos Estados Unidos no pós-guerra
• Os Estados Unidos assumiram o papel de “guia do mundo ocidental”, de defensores do capitalismo contra as “agressões” comunistas.
• Presidentes dos Estados Unidos:

Harry Truman (formulou o Fair Deal e a Doutrina Truman):

Eisenhower (período áureo do marcarthismo, elaboração da Doutrina Eisenhower);

John Kennedy (criação da Aliança para o Progresso, crise dos mísseis, lançamento do programa Nova Fronteira);

Lyndon Johnson (formulou o Great Society, ampliou o envolvimento dos Estados Unidos no Vietnã, escândalo de Watergate);

Jimmy Carter (defesa internacional dos direitos humanos, grande crise econômica interna);.

Ronald Reagan (recuperação econômica dos Estados Unidos, política internacional agressiva, investimentos gigantescos em grandes projetos militares).

3. O imperialismo dos Estados Unidos
• Imperialismo: variadas formas de dominação exercidas por uma grande potência, tendo como principal objetivo assegurar reservas de mercado e exportação de capitais.
• A política imperialista está diretamente associada aos interesses das gigantescas empresas multinacionais e às poderosas instituições financeiras dos países centrais.
• Elementos fundamentais do imperialismo: exploração econômica e controle político.
• A dominação cultural é importante elemento entre os mecanismos de ação do imperialismo.

4. A Europa Ocidental
• Os países da Europa Ocidental pertencem ao bloco capitalista. Tendência para a construção de Estados para “o bem-estar social”.
• Integração européia: EURATOM (utilização pacífica da energia atômica) e MCE (Mercado Comum Europeu).

5. O Japão
• O país foi reconstruído no pós-guerra sob a influência direta dos Estados Unidos. O objetivo norteamericano era fazer do Japão um lugar seguro para operações capitalistas na Ásia.
• Em 1952, o Japão recuperou sua soberania: o país estava inteiramente transformado pelo projeto de desenvolvimento capitalista. O Japão transformou-se, nos últimos trinta anos, numa das mais importantes nações industrializadas do mundo (milagre japonês).

O BLOCO SOCIALISTA
1. Introdução
• Entre os países do bloco socialista, destacam-se a URSS, a China Popular e Cuba.

2. A União Soviética
• Período stalinista: reconstrução da URSS após o término da Segunda Guerra Mundial, expansão do aparelho burocrático do Estado, repressão política e culto à personalidade de Stalin, que se tornou o supremo ditador da URSS.
• Período de Nikita Kruschev: política desestalinizante, pregação da coexistência pacífica, conflito com a China.
• Período de Brejnev: continuidade na política de ênfase ao desenvolvimento das indústrias de base, tentativas de distensão das relações internacionais, reforços nos arsenais bélicos. Brejnev foi sucedido por Andrópov, que governou por dois anos, e por Tchernenko, que governou por breve período.
• Período de Gorbatchev: os objetivos são renovar o sistema produtivo, renovar os quadros dirigentes e estimular uma política de distensão das relações internacionais. Com a perestroika e a glasnost, busca-se uma renovação do socialismo em termos econômicos e políticos.

3. A Europa Centro-Oriental
• Depois da Segunda Guerra Mundial, os países da Europa Centro-oriental passaram a integrar o bloco dos nações socialistas.
• Para solidificar a aliança entre URSS e os países da Europa Centro-Oriental, foram firmados pactos de cooperação e amizade: COMERCON e Pacto de Varsóvia.
• As resistências contra a ordem socialista foram sufocadas pela URSS. Exemplo: Hungria (1956) e Tchecoslováquia (1968).
• Com a perestroika, os ventos da democracia tomaram conta da Europa Centro-oriental. Os regimes comunistas foram derrubados. Há uma tendência de incorporação da economia de mercado.

4. A República Popular da China
• Em 1949, depois de longa guerra civil, as forças comunistas lideradas por Mão Tse-tung implantaram a República Popular da China. Chiang Kai-shek foi derrotado e refugiou-se na Ilha de Formosa (fundação da China Nacionalista).
• A partir de 1958, a China Comunista entrou em choque com a URSS. E, aos poucos, aproxima-se dos Estados Unidos.
• Mao Tse-tung morreu em 1976. Os novos dirigentes chineses, liderados por Deng Xiao-ping, empenham-se na modernização do país.

5. Cuba
• Em 1959, o movimento guerrilheiro liderado por Fidel Castro assumiu o poder, derrubando a ditadura de Fulgêncio Batista.
• O movimento revolucionário cubano encaminhou-se para o socialismo, apesar da forte oposição dos Estados Unidos. A aproximação do governo cubano com a URSS gerou sérios atritos internacionais (crise dos mísseis, em 1962).
• Cuba foi o primeiro país socialista do continente americano. No campo social, o regime cubano pode exibir grandes êxitos, mas ainda enfrenta grandes problemas econômicos.

O TERCEIRO MUNDO
1. A situação do Terceiro Mundo
• Terceiro Mundo: cerca de 120 países subdesenvolvidos ou em vias de desenvolvimento espalhados pela África, pela Ásia e pela América Latina. Mora no Terceiro Mundo mais da metade da população mundial, que detém apenas 6% da renda do mundo.

2. O processo de descolonização da África e da Ásia
• Depois da Segunda Guerra, acelerou-se o processo de emancipação política (descolonização) dos diversos países da África e da Ásia. Conforme o caso, a descolonização deu-se pela via pacífica (acordos com as metrópoles) ou através da violência (guerra entre a colônia e a metrópole).

3. Oriente Médio
• Grande foco de tensão internacional entre árabes e israelenses. Um dos principais motivos da permanência das hostilidades na região é a não-solução do problema palestino.

4. América Latina
• O continente latino-americano constitui uma tradicional área de influência dos Estados Unidos.
• Quadro político atual da América Latina: as ditaduras latinas chegaram ao fim. O continente vive um período de democratização. Cuba permanece como um caso isolado: país socialista de partido único.

5. A dívida externa do Terceiro Mundo
• Um dos maiores problemas que afetam os países do Terceiro Mundo, especialmente os da América Latina, é o acentuado endividamento externo.
• Organismos internacionais, como o FMI – Fundo Monetário Internacional, procuram impor aos países devedores rígidas políticas de ajustamento econômico. Essa política de ajustamento tem uma dura face social: repercute gravemente sobre salários, inflação e desemprego, gerando a recessão econômica.

Resumo História do Brasil

Resumo de História do Brasil

 

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Portugal
– Após libertar-se do domínio árabe dentro da Guerra de Reconquista os lusos organizaram-se para a expansão marítima, através da Revolução de Avis que tirou a Dinastia de Borgonha. A posição estratégica de Portugal, sua precoce centralização política e a experiência obtida com os árabes (conhecimento da bússola, pólvora, papel, matemática) e o desenvolvimento náutico acoplado a Escola de Sagres, foram fundamentais para o seu pioneirismo nos mares.
– Primeiras conquista: Ceuta, feitorias na África, contorno do Cabo da Boa Esperança, Oceano Índico, Périplo Oriental de navegações, rota das especiarias.
Tratados que legitimaram as conquista
– Tratado de Toledo (1480) – dividia o mundo pela Linha do Equador. A cima terras espanholas, a baixo, terras  portuguesas.
– Bula Intercoetera (1493) – dividia o mundo por uma linha vertical, usando como demarcador a Ilha de Cabo Verde (100 léguas). Terras a oeste da Espanha e a oeste de Portugal.
– Tratado de Tordesilhas (1494) – mudava a Linha para 270 léguas da Ilha de Cabo Verde, mantendo o preceito da divisão.
– Tratado de Madri – assinado em 1750 e ratificado pelo Tratado de Badajós em 1801, ampliava o território brasileiro em três vezes seu tamanho original.

Todo sistema das Grandes Navegações foi baseado nos princípios políticos do Absolutismo e econômicos do  Mercantilismo. As características mais importantes do Mercantilismo são: Intervenção do Estado na economia, Balança Comercial Favorável, Protecionismo, Metalismo, Pacto Colonial, Monopólio (estanco).

1ª. Fase da Colonização (1500-30)
– Expedições para o Brasil devido à concorrência e a queda do preço das Especiarias.
– Expedições Exploradoras e Guarda Costa

Razão: retirar o pau Brasil com o trabalho indígena (escambo – troca) e resguardar o território que estava sendo ameaçado pelos franceses.
– Efetivação da Colonização a partir de 1530
– Expedição de Martim Afonso de Sousa – fundou São Vicente a primeira Vila regular no Brasil.
– Pela não eficiência no processo e pela desvalorização da estrutura estatal (fundamentado numa Balança Comercial Desfavorável).
– Divisão do Brasil em Capitanias Hereditárias, regulamentadas pela carta de Doação e Foral (carta de Direitos e deveres do donatário).
– O excesso de descentralização, o distanciamento entre as Capitanias e destas com Portugal, o desinteresse dos donatários, além do fortalecimento dos chamados Homens Bons (Câmaras Municipais) fizeram a Coroa anexar ao sistema o modelo de Governo Geral.

Governo Geral:
– Dividido em governador, ouvidor e provedor mor.
– Introdução das grandes áreas de plantação de açúcar (muitas financiadas pela própria Holanda – beneficiária direta da distribuição e refinamento do produto).
– Vinda dos Padres Jesuítas, dentro da tentativa da Igreja de expandir seu número de fiéis após a avalanche de burgueses e outras pessoas que migraram para o calvinismo. A ação jesuíta gerou o etnocídio das populações indígenas.
– Efetivação do uso da mão de obra escrava negra. Durante o Período Colonial e Imperial o Brasil chegou a receber cerca de 6 milhões de negros, vindos através do lucrativo Tráfico Negreiro. O negro nunca se submeteu silenciosamente à escravidão, resistindo através de abortos, suicídios, queima de plantações e principalmente através da formação dos Quilombos. Estes eram áreas que tentavam preservar os costumes negros, mas que aceitavam qualquer pessoa que estivesse contra o sistema vigente de governo. A mesma Igreja que condenou a escravidão indígena, legitimou a negra por participar dos lucros do processo colonizador.

– O Engenho de açúcar
– Divisão: Casa grande, Senzala, Casa de moenda, Casa de purgar, Capela.
– Montado sobre a estrutura do Plantation: Monocultura, latifundiária, voltada para exportação usando-se de mão de obra escrava.
– Sociedade: tradicional, rural, machista, patriarcal.
– Outros produtos plantados no Brasil:
– Tabaco – utilizado basicamente como produto de troca (escambo).
– Gado – A pecuária foi significativamente importante na interiorização do Nordeste (Lei das 10 Léguas), posteriormente na interligação do Sul do Brasil com as áreas de mineração.
– Drogas do Sertão: Produtos como guaraná, ervas medicinais, cacau, pimenta foram extraídos com altos lucros principalmente na região Norte. Algodão: serviu para vestir os escravos, mas também no final do século XVIII com a Guerra da Secessão nos Eua, foi produto forte na pauta de exportações.

Invasões no Brasil
– Franceses:
– França Antártica (1555 – 1567) – RJ, razões religiosas, perseguição aos huguenotes, expulsos por Men de Sá e Estácio de Sá.
– França Equinocial (1612 – 1615) MA, razão política e econômica, expulsos por Jerônimo de Albuquerque.
– Franceses no RJ 1710 e 1711. Invasão econômica e a segunda por vingança.
– Ingleses; apenas atos de pirataria isolados.

– Holandeses:

* A Holanda foi um protetorado da Espanha que buscou sua liberdade com o apoio dos outros Países Baixos. Os batavos enriqueceram refinando e distribuindo o açúcar, em especial o brasileiro.
– Quando a Dinastia de Avis chega ao fim, principalmente após a morte de Dom Sebastião, Felipe II, rei da Espanha, anexa os dois reinos e cria a União Ibérica (1580-1640), decretando, para destruir os holandeses, o embargo sobre o açúcar brasileiro.

– Fundação da Cia. das Índias Or. , para dominar a rota das especiarias e do tráfico negreiro.
– Fundação da Cia. das índias OC, criada para invadir o Brasil.

– 1ª. Invasão na Bahia (1624-25), por ser a Capital. Foram expulsos rapidamente devido aos conflitos religiosos Católicos X Protestantes e Judeus.

– 2ª. Invasão: Pernambuco (1630 -54)
-Resistência através do Arraial do Bom Jesus que só cai cinco anos depois de lutas intensas, devido aos planos terem sido entregues pelo suposto “traidor” Calabar.

Após a queda do Arraial em 1635, os batavos invadem o Nordeste criando a Nova Holanda. Trazem Maurício de Nassau para administrá-la. O Conde faz um governo excelente trazendo artista, drenando pântanos, realizando empréstimos aos Srs. de Engenho.

-1640 acaba a União Ibérica. O Rei de Portugal (Dinastia de Bragança) é colocado no trono com o apoio holandês, que selam a Trégua dos 10 anos, onde os batavos ficaram no Brasil. As divergências entre Nassau e Cia. Das Índias Oc. Aumenta e ele é demitido, começa a reação brasileira contra a dominação holandesa (Insurreição Pernambucana -1645 -54). A saída dos holandeses acarreta a concorrência com o açúcar das Antilhas e o deslocamento do eixo econômico para o Sudeste brasileiro e o pagamento de uma indenização de 4 milhões de cruzados e mais 4oo toneladas de açúcar para não serem novamente recuperação total do NE. O fim da União Ibérica obrigou Portugal a reforçar seus laços de dominação sobre suas colônias, criando o Conselho Ultramarino (1642) e diminuindo o poder dos Homens Bons novamente.

– Expansão do Território
– Entradas: movimentos incentivados pelo governo para penetração no território. Não surtiram o efeito desejado.
– Bandeiras: movimentos realizados por particulares que ampliaram consideravelmente o território e descobriram o tão sonhado ouro. O bandeirantismo se ramifica em várias correntes de ação:
– Sertanismo de Contrato: bandeirantes contratos, quase sempre por Srs. de Engenho, para aniquilar quilombos ou focos de rebelião negra.
– Preação ou Caça ao índio: busca do elemento indígena para ser a mão de obra básica no processo expansionista dos bandeirantes, devido à falta de recursos econômicos para obter o negro. Esta busca causou um profundo atrito entre bandeirantes e jesuítas, pois o índio preferencialmente caçado era o que já estava catequizado e habitava nas Missões.
– Monções: expedições bandeirantes que se usavam do leito dos rios para transportar produtos do interior até as vilas litorâneas.
Movimentos em busca da Independência
-A Crise do sistema colonial se acentuou a partir das críticas as idéias Absolutistas e Mercantilistas, com o advento das idéias Iluministas e Liberalistas.

– Movimentos Nativistas:
– Não visavam se separar de Portugal, mas apenas contestavam a rigidez imposta pelo pacto Colonial. Tiveram um caráter regionalista e conseqüentemente individualista.
– Aclamação de Amador Bueno (SP – 1641) tentativa de autonomia da região devido à tentativa de reestruturação dos limites territoriais por parte de Portugal.
– Revolta de Beckman (MA – 1684) envolveu a elite da região descontente com a criação da Cia. De Comércio do Grã Pará ou Maranhão e os jesuítas que tiveram seus índios atacados para transformar-se em mão de obra.
– Guerra dos Emboabas (MG – 1708) conflito entre os forasteiros (emboabas0 que migraram para a região atraídos pela febre do ouro e os bandeirantes. Com a vitória dos emboabas os paulistas partiram a busca do ouro em Goiás e Mato Grosso.
– Guerra dos Mascates (PE -1710) ocorreu devido a decadência dos Srs. de Engenho que habitam a capital Olinda e os comerciantes portugueses que chegavam povoando a região de Recife. No final a capital é deslocado para o centro dinâmico da região, Recife.
– Guerra Guaranítica (RS – 1750) conflito que envolveu a morte de 30 mil índios tupi-guaranis durante a troca da Colônia do Santíssimo Sacramento pelos Sete Povos das Missões.
– Movimentos Separatistas ou Emancipacionistas:
– visavam a separação com Portugal, tinham o sonho republicano e uma forte influência das idéias iluministas.
– Inconfidência Mineira (1789) – movimento de caráter econômico. Baseado na Independência dos Estados Unidos, pelo fato dos dois movimentos terem sido comandados por uma elite intelectual.
– Inconfidência Baiana (1798) – mais conhecida como Revolta dos Alfaiates – movimento de caráter social. Baseado na Revolução Francesa pelo envolvimento de classes sociais médias e na Independência do Haiti pelo teor abolicionista.
– Insurreição Pernambucana (1817) – movimento que envolveu todas as camadas sociais e teve caráter separatista que envolveu grande parte do Nordeste.

Fuga da Família Real
-Motivo: pressões de Napoleão que decretou o Bloqueio Continental para prejudicar os ingleses. Pela ligação econômica forte entre Portugal e os britânicos a Família Real transmigrou para o Brasil.
Fatos Chaves:
-1808: Abertura dos Portos as Nações Amigas;
-1810: Tratados de Comércio e Navegação e Aliança e Amizade.

* Criação do Banco do Brasil, Jardim Botânico, Biblioteca Municipal, Anexação da Província Cisplatina e Guiana Francesa, Escola Militar, Imprensa Régia, entre outros fatos.
– 1815: Elevação do Brasil a condição de Reino Unido juntamente com Portugal e Algarves.. Fato ligado a queda de Napoleão e a organização do Congresso de Viena.
-1816: Vinda da Missão Francesa.
-1820: Revolução Liberal do Porto. Volta de Dom João VI e desestruturação econômica do Brasil. Organização das cortes portuguesas (Parlamento)

I Reinado
Grupos políticos: Português (sonho da recolonização), Brasileiros Moderados (independência continuísta), Brasileiros Exaltados (Independência com rupturas).
-1822: Dia do Fico, Cumpra-se, D. Pedro é agraciado pela Maçonaria, Dia do Grito.
-1823 – Guerras de Independência com várias Províncias para o Reconhecimento interno da Independência. Reconhecimento externo feito pelos americanos e posteriormente por Portugal (Brasil paga uma indenização de 2 milhões de libras esterlinas). Assembléia Constituinte que acaba entrando em atrito com D. Pedro devido a forma de condução do país.
-1824- D. Pedro dissolve a Assembléia Constituinte e Outorga (impõem) a primeira Constituição do Brasil.
– Constituição de 1824: 4 poderes (Poder Moderador a chave de todos os outros poderes), voto censitário, União Estado – Igreja, Senado Vitalício.
– Confederação do Equador (PE) resposta ao centralismo e autoritarismo governamental. Termina com a morte de Frei Caneca. Teve caráter separatista e espalhou-se pelo Nordeste, atingindo fortemente o Ceará.
– Crise do I Reinado: Confederação do Equador, dissolução da Assembléia Constituinte, perda da Província Cisplatina, aumento da dívida externa, morte do jornalista Libero Badaró, Noite das Garrafadas, Ministério dos Brasileiros e posterior criação do Ministério dos Marqueses.
– Abdicação do governo em nome de seu filho.

Período Regencial
– Sem a figura do Imperador que tinha apenas 5 anos o governo foi diretamente comandado pela elite rural, dando a falsa impressão de uma época liberal, descentralizada e que assemelhava-se a uma experiência republicana.
– Regência Trina Provisória: tirou os portugueses do exército brasileiro (luso fobia) e anistiou os presos políticos.
– Regência Trina Permanente: Criou o cargo de Ministro da Justiça, dado ao padre Diogo Feijó.
Criou-se a Guarda Nacional uma espécie de milícia para militar que defendia os interesses das elites locais, com ela criou-se a patente civil do “coronel”. Também foi promulgado o Código do Processo Criminal e foi mudada a Constituição de 1824 com o Ato Adicional de 1834. Nele o fato mais relevante foi a criação das Assembléias Legislativas Provinciais.

Regência Una do Padre Feijó
-lei que mais uma vez tocava no fim da escravidão
– início das mais pesadas Rebeliões Regenciais:
– Cabanagem (PA – 1835 – 40) Movimento popular. Lutou pela formação de uma república separatista até a maioridade de D. Pedro II. Conseguiram por pouco tempo chegar ao poder.
– Revolução Farroupilha (RS – 1835-45) Movimento elitista. Mais longa revolta social do Brasil, motivada pelo preço do charque e as contendas políticas entre o Rio Grande e o Rio de Janeiro.
Estendeu-se para SC e PR, tinha um caráter separatista.
– Revolta dos Malês (BA – 1835-37) comandada pelos escravos islamizados, foi denunciada e sufocada rapidamente, apesar dos focos de guerrilha no interior do estado.
– Queda de Feijó, entrada do Regente Conservador Pedro de Araújo e Lima.
– Lei Interpretativa do Ato Adicional – tentativa de centralizar o regime.
– Sabinada (BA – 1837) Movimento comandado pela classe média. Visava a separação da Bahia do Brasil até a  Maioridade de D. Pedro II.
– Balaiada (MA – 1838 – 41). Movimento popular, sem proposta lógica, seguiu vários rumos e foi destruído de forma violenta.
* O perigo da desestruturação do país levou ao Golpe da Maioridade.

II REINADO
-Visão Política
– Período de consolidação total da estrutura geopolítica do Brasil.
– Conflitos entre Liberais e Conservadores. Revoluções Liberais.
– Parlamentarismo às avessas: jogada de marketing político de D. Pedro II. Criado em 1837 diminuía os perigos de revoltas sociais, acalmava o animo dos dois Partidos políticos e diminuía o desgaste da figura do Imperador.
– 1848 – Revolução Praieira. Único grande movimento de contestação ao período de governo. Teve um viés socialista (utópico) e foi motivada pelo centralismo político, e pelos abusos da concentração latifundiária em PE (família Cavalcanti) e o poder do comércio na mão de muitos portugueses.
-Visão Econômica
-Café: introduzido por dois caminhos:
1º. Pelo Norte e Nordeste vindo da Guiana Francesa, serviu apenas como produto de subsistência nas lavouras tradicionais.
2º. Pelo RJ no início do Século XIX, estendeu-se posteriormente pela região do Vale do Paraíba até chagar no Oeste Paulista (terra roxa). Esta marcha foi mudando a visão do plantation com a introdução da mão de obra Imigrante.
– Imigração: Inicialmente incentivada por particulares como o Senador Vergueiro no Sistema de Parceria e posteriormente pelo governo na colonização, europeização e branqueamento do Sul do Brasil. A maioria dos imigrantes veio da Itália e da Alemanha devido ao processo tardio de Unificação destes territórios. Não receberam uma condição decente de vida, muitos foram transformados em escravos brancos.
– Tarifa Alves Branco: aumentava as alíquotas alfandegárias para 30 até 60% o que aumentaria a quantidade de dinheiro circulante no país. Como muitos países deixaram de trazer seus produtos o Brasil vivenciou um Surto Industrial, onde o destaque maior foi a figura do Visconde de Mauá. Esta tarifa foi anula pela Tarifa Silva Ferraz que voltou a dar tarifas alfandegárias preferenciais para a Inglaterra.

– Leis Abolicionistas:
– Lei Eusébio de Queiroz (1850) decreta a proibição do tráfico negreiro. É uma resposta ao Bill Aberdeen imposto pelos ingleses. Faz com que o tráfico intercontinental enfraqueça e prospere o tráfico inter provincial.
– Lei do Ventre Livre ou Visconde do Rio Branco (1871) decreta a liberdade para todos os escravos nascidos a partir da data da sua assinatura.
– 1883-84 o Ceará e o Amazonas libertam seus escravos.
– Lei dos Sexagenários ou Saraiva Cotegipe (1885) liberta os escravos com mais de 60 anos, mas os obriga a permanecer mais 5 prestando serviços aos seus senhores.
– Lei Áurea (13/05/1888) demarca o fim da escravidão. Causou muita polêmica por não indenizar os senhores que haviam liberto escravos durante o decorrer do processo abolicionista.

– Conflitos político militares
– Guerra na Bacia da Prata
– ocorreu após a perda por parte do Brasil da região da Cisplatina. Isto gerou um confronto entre brasileiros e argentinos, quanto ao futuro de tal região que se tornaria o Uruguai.

– Guerra do Paraguai (1865-70)
– Conflito baseado na força que a região do Paraguai tinha na região e que lançou os planos expansionistas do governante Solano Lopez para as áreas que interessavam os países que formariam a Tríplice Aliança (Brasil, Argentina e Uruguai). Resultou numa chacina que até hoje suscita discussões quanto ao grau de participação da Inglaterra em tal episódio.

– O Fim do Império
– A volta dos militares fez que tal classe, apoiada pelas idéias positivistas e evolucionistas, absorvesse o a cena política e conjuntamente aos cafeicultores de origem mais burguesa mudaram o sistema de governo no país, muito mais numa atitude golpista do que democrática.
– Questão Religiosa, ligada a Bula Syllabus que proibia que católicos pudessem ser também maçons. Pelo fato do Imperador ser os dois, ele não colocou a Bula em vigor causando um mal estar com a Igreja.

REPÚBLICA
– Proclamada com o apoio dos militares e dos cafeicultores.
Dividi-se em dois grandes momentos:
– República das Espadas (1889 -94)
– Governo Provisório de Deodoro da Fonseca.
– Grande Naturalização
– Emissão de papel moeda
– Separação do Estado com a Igreja (nasce o Estado laico)
– Crise do Encilhamento. Emissão sem controle de dinheiro gerou uma especulação e uma crise econômica.
– Votação da 1ª. Constituição Republicana (1891)
-Pontos chaves: voto universal masculino para homens maiores de 21 anos, alfabetizados; federação, voto não é obrigatório, é em aberto e não existe obrigação de se votar no Presidente e no Vice da mesma chapa.
– Deodoro é eleito, mas sem o apoio do Congresso. Não resiste 9 meses no poder, toma atitudes arbitrárias como o fechamento do Congresso e a decretação do Estado de Sítio. 1ª. Revolta da Armada. . Novas eleições deveriam ser marcadas, mas Floriano Peixoto assume de forma anticonstitucional.
– 2ª. Revolta da Armada
– Revolução Federalista (Revolta da Degola) no RS (movimento de tendência separatista) se alastrou até o PR
– Queda da credibilidade dos militares gera a ascensão do café.
– Política do Café com Leite, ou dos Coronéis, ou Oligárquica
_Ligação com a Política dos Governadores (jogo de troca de favores entre os estados e o governo central); Coronelismo, Voto de Cabresto e a Comissão Verificadora de Poderes.

– Prudente de Moraes 1894 – 98)
– Guerra de Canudos: conflito messiânico no interior da Bahia, liderado por Antonio Conselheiro, que
fez o governo realizar 4 expedições para massacrar o movimento. Houve um preceito de idéias
sociais e monárquicas.

-Campos Sales (1898 – 1902)
– Renegociação da dívida externa – funding loan
– Auge da Política dos governadores
– Compra de parte de nossa dívida por parte dos americanos

-Rodrigues Alves (1902 – 06)
– Urbanização e Saneamento do Rio de Janeiro
– Compra do Acre
Convênio de Taubaté – política de valorização do café, jogo da socialização de perdas.

– Afonso Pena (1906 – 09)
– Auge do processo de imigração urbana no Brasil
– presidente morre e seu vice assume
– Nilo Peçanha (1909 – 10)
– Criação do SPI (Serviço de Proteção ao Índio)
– Ciclo da Borracha
– Hermes da Fonseca (1910 – 14)
– Campanha Civilista de Rui Barbosa, faz a máquina do Café com leite romper.
– lançou a idéia da Política das Salvações
– obteve o apoio do Rio Grande do Sul
– Revolta da Chibata: conflito que envolveu os maus tratos aplicados aos marinheiros de baixo escalão. Liderada por João Candido.
– Guerra do Contestado, conflito que envolveu camponeses e tropas do governo numa área disputada pelo estado do PR e de SC.
– Sedição de Juazeiro – Padre Cícero

– Venceslau Brás (1914 – 18)
– Período da I Guerra Mundial
– Processo de substituição de Importações, gerando um Surto Industrial no país.
– Organização do movimento de operários nas fábricas com a ajuda dos imigrantes. Fundos mutualistas e caixas beneficentes.
– Anarcosindicalismo / Greves Operários de 1917
– Brasil entra na Guerra neste mesmo ano.
– Morre o presidente que tinha acabado de ser eleito (Rodrigues Alves / Gripe Espanhola)

– Epitácio Pessoa (1919 – 22)
– Começa a desmoronar a ligação SP e Mg, consequentemente o Café com leite enfraquece.
– Fundado o Partido Comunista do Brasil
– Realizada a Semana de Arte Moderna
– É eleito Artur Bernardes
– Reação militar contra o novo presidente – Tenentismo
– O Tenentismo foi um movimento do baixo escalão militar, de caráter elitista (por não se misturar com outros grupos sociais), ideologia difusa e que tinha a intenção de moralizar o Brasil.

– Artur Bernardes (1922 -26)
– Governou sobre a situação de Estado de Sítio
– Revolução paulista de 1924
– Revolução Federalista no RS
– Coluna Prestes: maior marcha da história da humanidade, liderada pelo Cavaleiro da Esperança Luís Carlos Prestes.
– Reformou a Constituição
Washington Luís (1926 – 30)
– Seu lema foi “governar é abrir estradas”
– Crise da Bolsa de Valores de NY – quebra da ligação entre os cafeicultores paulistas e mineiros.
– Revolução de 30: Aliança Liberal (MG + PB + RS) X SP
-Vitória nas urnas de SP – Julio Prestes
– Morte de João Pessoa
– Reabilitação do Movimento Tenentista

Era Vargas
– Desmanche da estrutura do Café com Leite
– Colocação de Interventores nos estados no lugar dos ex governadores. Quase sempre os interventores eram tenentes. O caso mais expressivo foi o de Juarez Távora conhecido como Vice Rei do Norte.
– Pelo extremo poder que os tenentes passam devagar a ter Vargas os afasta ganhando muitos inimigos
– Revolução Constitucionalista de 32 (SP): movimento reacionário do estado paulista contra a sua perda de poder a partir da ascensão de Vargas. Resultou na derrota de SP e na manipulação que Getúlio fez com o estado na compra do estoque de café excedente.
– Criação do Código Eleitoral de 32, nascem os princípios das leis trabalhistas.
– Constituição de 34 (baseada na Constituição alemã da República de Weimar).

Principais pontos:
Leis trabalhistas, voto secreto, voto feminino, não previa reeleição.
– Surgimento de dois grupos fortes com idéias européias:
-AIB (Ação Integralista Brasileira) liderada por Plínio Salgado, tinha fundamentação militar e nacionalista e usava o slogan: Deus, pátria, família.
– ALN (Aliança Nacional Libertadora) formação de esquerda que trazia um mosaico de ideologias.
– Vargas coliga-se com as idéias a AIB e joga a ANL na ilegalidade
– Intentona Comunista de 35, liderada por Luís Carlos Prestes.
– Prisão de Prestes, deportação de Olga Benário.
– Utilização dos meios de comunicação para institucionalizar o caos do perigo comunista.
– Plano Cohen
– Golpe evitando as eleições de 1938, conhecido como Plano Cohen.

– Estado Novo – ditadura
– Constituição de 37 – Outorgada
-Pontos centrais: hipertrofia do executivo, extinção dos Partidos Políticos, fechamento do Congresso, conhecida como Carta Polaca por se basear na Constituição da Polônia, tirava a autonomia dos estados que passavam a ser governados novamente por interventores, pena de morte, censura prévia.
– Criação de mecanismos de controle social:
– DASP (Departamento de Administração de Serviços Públicos)
– DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda)
– Controle Sindical / Peleguismo

-Fim da Era Vargas
– Brasil volta da II Guerra Mundial e se cria a contradição política: éramos governados por um ditador fomos lutar contra a ditadura nazi-fascista.
– Vargas abre o Regime do Estado Novo para a democratização do país
– Anistia aos presos políticos. Ex: Luís Carlos Prestes.
– Eleições
– Formação dos novos Partidos Políticos:
PTB e PSD ligados a Vargas
Vargas: Pai dos Pobres, mãe dos Ricos
PTB – ligado aos trabalhadores
PSD – ligado a elite
Oposição: UDN – capitaneada por Carlos Lacerda
POPULISMO

– DUTRA
– Alinhamento do Brasil com os EUA – fruto da II – Guerra Mundial
– Início da Guerra Fria
– Política de Abertura as multinacionais / Liberalismo econômico
– Não intervenção do Estado na economia
– Congelamento de salários
– Rompimento com o Bloco Socialista – fechamento do PCB
– Doutrina de Segurança Nacional
– Constituição de 46 – Social democracia
– Início da Aliança para o Progresso
– Criação da Escola Superior de Guerra (ESG)

– VARGAS
– Eleito pela primeira vez em sua história – volta nos braços do povo!
– O erro da mistificação de ser um governo de esquerda / Projeto Nacionalista
– Nomeação de João Goulart para Ministro do Trabalho – aumento do salário mínimo em 100% – proposta recusada pelo Congresso)
– Criação da Petrobras, Eletrobrás, Lei de Remessa de Lucros, Plano Lafer.
– Oposição da UDN – Carlos Lacerda.
– Atentado da Rua Toneleros / Contra Lacerda
– Morte do Major Florentino Vaz
– Culpado pelo crime: Gregório Fortunato (chefe da guarda pessoal de Vargas)
– Suícidio de Vargas / Golpe Militar adiado em 10 anos
– Carta Testamento

– A TRANSIÇÃO
– Assume o Vice / Café Filho
– Lei n. 113 da SUMOC (Sup. Da Moeda e Crédito) – embrião do Banco Central.
– Começa a corrida para a Sucessão Presidencial.
– PSD – Juscelino kubitscheck
– PTB – João Goulart
– Juntos as chapas Presidente + Vice
– JK é eleito mas deve esperar o início do ano.
– Café Filho sofre um enfarte
– Assume Carlos Luz (presidente da Câmara de Deputados) tentativa de golpe para evitar a posse de JK
– General Teixeira Lott evita o golpe, realizando o – Contra Golpe Preventivo.
– Assume Nereu Ramos (Presidente da Câmara do Senado)
– JK assume

– ERA JK
– Plano de Metas
– Valorização da Indústria de Bens de consumo duráveis, construção, energia, estradas.
– 5% das Metas destinadas a saúde, educação e alimentação.
– Construção de Brasília
– Entrada absurda do Capital estrangeiro
– Triplicação da dívida externa

– JÂNIO QUADROS
– Ligação com a UDN
– Política externa independente
– Condecorações de Yuri Gagarin e Che Guevara.
– Renúncia arquitetada – ideologia golpista
– Processo aceito / ação militar para evitar a posse do vice João Goulart
– Campanha da Legalidade (Leonel Brizola)

– Governo João Goulart
– Instituição do regime Parlamentarista (1961 – 63)
– Jogo manipulativo militar
– Força da figura do Primeiro Ministro
– Plebiscito
– Volta do Presidencialismo
– Reformas de Base
– Plano Trienal
– Marcha da Família com Deus pela Liberdade
– Reforma Constitucional, econômica, agrária e educacional.
– Golpe Militar

– Ditadura Civil Militar (1964- 85)
– O Brasil mantém a ideologia desenvolvimentista só que agora ligada a um sistema tecnoburocrata.

– Castelo Branco (1964 -67)
Ainda vivia-se um pequeno ar de democracia mas já começavam as caças a mandatos políticos e as garantias constitucionais. O governo utiliza-se dos AI (Atos Institucionais) e de outros poderosos mecanismos para desarticular as tendências contrárias ao regime.
Com o AI-2 foram desarticulados os Partidos já existentes e criados a ARENA (Aliança Renovadora Nacional) que representava as forças reacionárias e o MDB ( Movimento Democrático Brasileiro)
– 1967: assinatura da nova Constituição que ampliava os poderes do presidente, estabelecendo a imagem de ditadura.
-Lei de Imprensa: início do processo de censura dos meios de comunicação no país.

-Costa e Silva (1967-69)
– Como a maioria da população esperava volta dos princípios democráticos a ascensão de mais um governo militar deu coragem para manifestações contra o regime.
– Morte do estudante Edson Luís: num erro trágico para o momento os militares m atam um jovem de 17 anos que não tinha relação com o movimento de esquerda. Este episódio acaba desenrolando a Marcha dos Cem Mil.
– Greves operárias em Osasco e Contagem.
– Discurso de Márcio Moreira Alves: em pleno Congresso tomado pela direita, o então deputado pelo MDB pede ações contra os militares e não é cassado.
– Decretação do AI-5: o mais brutal ato contra a ditadura, que dava plenos poderes ao presidente, suspendia o hábeas corpus e os direitos políticos, cassava mandatos e decretava intervenção nos estados e municípios.

– Médici (1969 – 74)
– Costa e Silva é afastado após um derrame.
– Momento de maior repressão no Brasil gerou também as maiores ações por parte dos grupos de esquerda, incluindo seqüestros, assaltos a banco, guerrilhas urbanas e rurais. Destaque para o seqüestro do Embaixador Charles Elbrick dos EUA, para o grupo de Carlos Lamarca (VARPalmares), ALN de Carlos Marighela e a histórica Guerrilha do Araguaia.
– Repressão violenta, hipertrofia total do executivo e ação severa de órgãos como o DOI-CODI, DOPS, SNI, Operação Condor e Bandeirantes, entre outros.
– Foi o auge da manipulação no país com a utilização dos meios de comunicação com forças para referendar o regime. Ex: Vitória do Brasil no Tricampeonato Mundial e o primeiro título da Fórmula 1.
– Milagre Econômico: o desgaste do sistema econômico levou o Ministro da Fazenda Delfim Netto a apresentar um Plano de congelamento de preços e salários que funcionou por um tempo curto.

– Geisel (1974-79)
– Período de Abertura lenta, gradual e segura.
– Crise do Petróleo em 1973.
– A reação do MDB ganhando muitos cargos políticos levou o governo a decretar o Pacote de Abril (criação da figura do Senador Biônico) e a Lei Falcão.
– Greves no ABC comandadas por Lula.
– Acordo nuclear com a Alemanha Oc.
– Desmanche do AI-5
– Figueiredo (1979 – 85)
– Redemocratização
– Pluripartidarismo
– Planos de incentivo a empresa nacionais, mas também internacionais (privatizações)
– Eleições diretas e secretas para governador
-Emenda Dante de Oliveira (previa eleições diretas para Presidente – foi votada contra)
– Eleições feitas pelo Colégio Eleitoral
– NOVA REPÚBLICA
– José Sarney (1985 – 1990)
– Morte de Tancredo Neves
– Assume o vice Sarney
– Plano Cruzado – queda sensível na inflação
– Legalização do Partido Comunista
– Constituição de 88 (Constituição dos Notáveis)
– Collor de Mello (1990 – 92)
– Confisco de bens
– Privatização em massa
– Desmanche da estrutura cultural do país
– Escândalos
-Collor renuncia
– Impeachment
– Assume o vice
– Itamar Franco (1992 – 94)
– Estabilização financeira
– Lançamento do Plano Real
– Continuidade da linha neoliberal privatizante
– Fernando Henrique Cardoso (1994 – 2002)
– Estabilidade financeira
– Privatização e quebra do monopólio de empresas estatais.
– Fim do Monopólio do Petróleo
– Novo Código Civil
– Projeto da Reeleição
– Reeleito presidente
– Luís Inácio Lula da Silva (2003 – )
– Escândalos políticos
– Forte ação dos grupos ligados ao narcotráfico
– Tentativas de Reformas (Constitucional, Tributária, Previdenciária) que esbarraram na má vontade do Congresso.
– Campanhas eleitorais

Semana de Arte Moderna de 22

 

 

Semana de Arte Moderna de 1922, realizada em São Paulo, no Teatro Municipal, de 11 a 18 de fevereiro, teve como principal propósito renovar, transformar o contexto artístico e cultural urbano, tanto na literatura, quanto nas artes plásticas, na arquitetura e na música. Mudar, subverter uma produção artística, criar uma arte essencialmente brasileira, embora em sintonia com as novas tendências européias, essa era basicamente a intenção dos modernistas.

Durante uma semana a cidade entrou em plena ebulição cultural, sob a inspiração de novas linguagens, de experiências artísticas, de uma liberdade criadora sem igual, com o conseqüente rompimento com o passado. Novos conceitos foram difundidos e despontaram talentos como os de Mário e Oswald de Andrade na literatura, Víctor Brecheret na escultura eAnita Malfatti na pintura.

O movimento modernista eclodiu em um contexto repleto de agitações políticas, sociais, econômicas e culturais. Em meioa este redemoinho histórico surgiram as vanguardas artísticas e linguagens liberadas de regras e de disciplinas. A Semana, como toda inovação, não foi bem acolhida pelos tradicionais paulistas, e a crítica não poupou esforços para destruir suas idéias, em plena vigência da República Velha, encabeçada por oligarcas do café e da política conservadora que então dominava o cenário brasileiro. A elite, habituada aos modelos estéticos europeus mais arcaicos, sentiu-se violentada em sua sensibilidade e afrontada em suas preferências artísticas.

A nova geração intelectual brasileira sentiu a necessidade de transformar os antigos conceitos do século XIX. Embora o principal centro de insatisfação estética seja, nesta época, a literatura, particularmente a poesia, movimentos como o Futurismo, o Cubismo e oExpressionismo começavam a influenciar os artistas brasileiros. Anita Malfatti trazia da Europa, em sua bagagem, experiências vanguardistas que marcaram intensamente o trabalho desta jovem, que em 1917 realizou a que ficou conhecida como a primeira exposição do Modernismo brasileiro. Este evento foi alvo de escândalo e de críticas ferozes de Monteiro Lobato, provocando assim o nascimento da Semana de Arte Moderna.

O catálogo da Semana apresenta nomes como os de Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Yan de Almeida Prado, John Graz, Oswaldo Goeldi, entre outros, na Pintura e no Desenho; Victor Brecheret, Hildegardo Leão Velloso e Wilhelm Haarberg, na Escultura; Antonio Garcia Moya e Georg Przyrembel, na Arquitetura. Entre os escritores encontravam-se Mário e Oswald de Andrade, Menotti Del Picchia, Sérgio Milliet, Plínio Salgado, e outros mais. A música estava representada por autores consagrados, como Villa-Lobos, Guiomar Novais, Ernani Braga e Frutuoso Viana.

Em 1913, sementes do Modernismo já estavam sendo cultivadas. O pintor Lasar Segall, vindo recentemente da Alemanha, realizara exposições em São Paulo e em Campinas, recepcionadas com uma certa indiferença. Segall retornou então à Alemanha e só voltou ao Brasil dez anos depois, em um momento bem mais propício. A mostra de Anita Malfatti, que desencadeou a Semana, apesar da violenta crítica recebida, reunir ao seu redor artistas dispostos a empreender uma luta pela renovação artística brasileira. A exposição de artes plásticas da Semana de Arte Moderna foi organizada por Di Cavalcanti e Rubens Borba de Morais e contou também com a colaboração de Ronald de Carvalho, do Rio de Janeiro. Após a realização da Semana, alguns dos artistas mais importantes retornaram para a Europa, enfraquecendo o movimento, mas produtores artísticos como Tarsila do Amaral, grande pintora modernista, faziam o caminho inverso, enriquecendo as artes plásticas brasileiras.

A Semana não foi tão importante no seu contexto temporal, mas o tempo a presenteou com um valor histórico e cultural talvez inimaginável naquela época. Não havia entre seus participantes uma coletânea de idéias comum a todos, por isso ela se dividiu em diversas tendências diferentes, todas pleiteando a mesma herança, entre elas o Movimento Pau-Brasil, o Movimento Verde-Amarelo e Grupo da Anta, e oMovimento Antropofágico. Os principais meios de divulgação destes novos ideais eram a Revista Klaxon e a Revista de Antropofagia.

O principal legado da Semana de Arte Moderna foi libertar a arte brasileira da reprodução nada criativa de padrões europeus, e dar início à construção de uma cultura essencialmente nacional.

Semana de Arte Moderna

A Semana, de uma certa maneira, nada mais foi do que uma ebulição de novas ideias totalmente libertadas, nacionalista em busca de uma identidade própria e de uma maneira mais livre de expressão. Não se tinha, porém, um programa definido: sentia-se muito mais um desejo de experimentar diferentes caminhos do que de definir um único ideal moderno.

  • 13 de fevereiro (Segunda-feira) – Casa cheia, abertura oficial do evento. Espalhadas pelo saguão do Teatro Municipal de São Paulo, várias pinturas e esculturas provocam reações de espanto e repúdio por parte do público. O espetáculo tem início com a confusa conferência de Graça Aranha, intitulada “A emoção estética da Arte Moderna”. Tudo transcorreu em certa calma neste dia.
  • 15 de fevereiro (Quarta-feira) -Guiomar Novaes era para ser a grande atração da noite. Contra a vontade dos demais artistas modernistas, aproveitou um intervalo do espetáculo para tocar alguns clássicos consagrados, iniciativa aplaudida pelo público. Mas a “atração” dessa noite foi a palestra de Menotti del Picchia sobre a arte estética. Menotti apresenta os novos escritores dos novos tempos e surgem vaias e barulhos diversos (miados, latidos, grunhidos, relinchos…) que se alternam e confundem com aplausos. Quando Ronald de Carvalholê o poema intitulado Os Sapos deManuel Bandeira, (poema criticando abertamente o parnasianismo e seus adeptos) Ou seja, a crítica é formulada diretamente a forma tradicional dos parnasianos fazerem poemas com regras, Bandeira dizia que essa maneira não era a verdadeira literatura. o público faz coro atrapalhando a leitura do texto. A noite acaba em algazarra. Ronald teve de declamar o poema pois Bandeira estava impedido de fazê-lo por causa de uma crise de tuberculose.
  • 17 de fevereiro (Sexta-feira) – O dia mais tranquilo da semana, apresentações musicais de Villa-Lobos, com participação de vários músicos. O público em número reduzido, portava-se com mais respeito, até que Villa-Lobos entra de casaca, mas com um pé calçado com um sapato, e outro com chinelo; o público interpreta a atitude como futurista e desrespeitosa e vaia o artista impiedosamente. Mais tarde, o maestro explicaria que não se tratava de modismo e, sim, de um calo inflamado…

Reações conservadoras

Na época, boa parte da mídia reagiu de forma conservadora ao Movimento da Semana de Arte de 1922 referindo-se aos vanguardistas como “subversores da arte”, “espíritos cretinos e débeis” ou “futuristas endiabrados”. Mas, uma exceção foi o jornal Correio Paulistanoque apoiou os lançamentos e críticas do movimento[3] .

Desdobramentos

Vale ressaltar, que a Semana em si não teve grande importância em sua época, foi com o tempo que ganhou valor histórico ao projetar-se ideologicamente ao longo do século. Devido à falta de um ideário comum a todos os seus participantes, ela desdobrou-se em diversos movimentos diferentes, todos eles declarando levar adiante a sua herança.

Ainda assim, nota-se até as últimas décadas do século XX a influência da Semana de 22, principalmente noTropicalismo e na geração da Lira Paulistana nos anos 70 (Arrigo Barnabé, Itamar Assumpção, entre outros). O próprio nome Lira Paulistana é tirado de uma obra de Mário de Andrade.

Mesmo a Bossa Nova deve muito à turma modernista, pela sua lição peculiar de “antropofagia”, traduzindo a influência da música popular norte-americana à linguagem brasileira dosamba e do baião.

Entre os movimentos que surgiram nadécada de 1920, destacam-se:

  • Movimento Pau-Brasil
  • Movimento Verde-Amarelo e Grupo da Anta
  • Movimento Antropofágico

A principal forma de divulgação destas novas ideias se dava através dasrevistas. Entre as que se destacam, encontram-se:

  • Revista Klaxon
  • Revista de Antropofagia

Literatura Brasileira

Abaixo um resumo de cada estilo da Literatura Brasileira

ESTILO LITERÁRIO / DESTAQUES CARACTERÍSTICAS GERAIS
ERA COLONIAL QUINHENTISMO

Início: A Carta de CaminhaContexto histórico:

  • Os portugueses chegam ao Brasil
  • A chegada dos primeiros jesuítas ao Brasil
Literatura documental, histórica, de caráter informativo.
A Carta de Caminha é o primeiro documento literário brasileiro. Carta descritiva com espírito ufanista e nativista. Foi parodiada de forma satírica por Oswald de Andrade, poeta modernista.
O Quinhentismo serviu de inspiração literária para alguns poetas e escritores do Romantismo e do Modernismo.
No Romantismo: Gonçalves Dias, José de Alencar.
No Modernismo: Oswald de Andrade.Destacaram-se:
– Pero Vaz de Caminha – A Carta de Caminha
– Pe. José de Anchieta – escreveu textos religiosos, um teatro religioso. Tinha devoção ao culto mariano. Recebeu influência da tradição medieval. Obs.:Não recebeu influência da poesia lírica de Camões (soneto).
– Pe. Manuel da Nóbrega
BARROCO

Início: Prosopopeia – poema épico de Bento TeixeiraContexto histórico:

  • As invasões holandesas no Brasil
  • Os bandeirantes
Frequência das antíteses e paradoxos, fugacidade do tempo e incerteza da vida.
Características: rebuscamento, virtuosismo, ornamentação exagerada, jogo sutil de palavras e ideias, ousadia de metáforas e associações.
Cultismo ou Gongorismo: abuso de metáforas, hipérboles e antíteses. Obsessão pela linguagem culta, jogo de palavras.
Conceptismo (Quevedo): jogo de ideias, pesquisa e essência íntima.Destacaram-se:
– Gregório de Matos – apelidado de “A Boca do Inferno”. Oscilou entre o sagrado e o profano. Poeta lírico, satírico, reflexivo, filosófico, sacro, encomiástico, obsceno. Não foi poeta épico.
– Bento Teixeira
– Pe. Antonio Vieira – Expoente máximo da Literatura Brasileira e da Literatura Portuguesa, pois durante sua estada em Portugal aderiu a temas nacionais portugueses e durante a sua permanência no Brasil, aderiu a temas nacionais brasileiros. Era prosador e não poeta, e conceptista, pois atacou o cultismo. Escreveu sermões, entre eles o Sermão da Sexagésima.
ARCADISMO

Início: Publicação deObras Poéticas, de Cláudio Manuel da Costa, obra inicial do Arcadismo brasileiro.Contexto histórico:

  • A Inconfidência Mineira
  • A Revolução Farroupilha
  • A vinda da Família Real para o Brasil
Pastoralismo, bucolismo. Ideal de vida simples, junto à natureza (locus amoenus).
Fugere urbem (“evitar a cidade”, “fugir da civilização”). busca do equilíbrio e da naturalidade, no contato com a natureza.
Carpe diem (“aproveite o dia”). Consciência da fugacidade do tempo.
Simplicidade, clareza e equilíbrio. Emprego moderado de figuras de linguagem.
Natureza racional (é vista como um cenário, como uma fotografia, como um pano de fundo.
Pseudônimos.
Fingimento / ArtificialismoDestacaram-se:
– Tomás Antonio Gonzaga – poeta maior do Arcadismo brasileiro com suas liras Marília de Dirceu. Pseudônimo como poeta lírico: Dirceu; pseudônimo como poeta satírico: Critilo (Cartas Chilenas). Autores épicos do Arcadismo brasileiro:
– Cláudio Manuel da Costa – Poeta lírico e épico. Seu pseudônimo é Glaudeste Satúrnio. Seus sonetos são de imitação Camoniana. Obra: Vila Rica.
– Basílio da Gama – Obra: O Uraguai.
– Santa Rita Durão – Obra: Caramuru. Obs.: O índio antes de José de Alencar aparece nos poemas épicos O Uraguai e Caramuru. Portanto, o Arcadismo preparou o Romantismo.
ERA NACIONAL ROMANTISMO

Início: publicação deSuspiros Poéticos, deGonçalves de MagalhãesContexto histórico:

  • A Imprensa no Brasil
  • A crise do 2º Reinado
  • A abolição da escravidão
Predomínio da emoção, do sentimento (subjetivismo); evasão ou escapismo (fuga à realidade). Nacionalismo, religiosidade, ilogismo, idealização da mulher, amor platônico. Liberdade de criação e despreocupação com a forma; predomínio da metáfora.1ª geração romântica: 1840/50 – indianista ou nacionalista. A temática era o índio, a pátria.
Destacou-se:
– Gonçalves Dias – Obras: Canção do Exílio e I Juca Pirama.2ª geração romântica: 1850/60 – byroniana, mal-do-século, individualista ou ultra-romântica. A temática era a morte.
Destacou-se:
Álvares de Azevedo – poeta da dúvida, tinha obsessão pela morte. Recebeu influência de Byron e Shakespeare. Oscila entre a realidade e a fantasia. Obra: Livro de contos Noite na taverna.3ª geração romântica: 1860/70 – condoreira, social ou hugoana. A temática é a abolição e a república.
Destacaram-se:
Poesia:
– Castro Alves – poeta representante da burguesia liberal. Obras: Espumas Flutuantes, O Navio Negreiro, Vozes d’África.
Prosa:
– José de Alencar (representante maior) – defensor do “falar brasileiro” / dá forma ao herói / amalgamando a sua vida à natureza.
– Joaquim Manuel de Macedo – Obra: A Moreninha.
– Bernardo Guimarães – Obra: A escrava Isaura.
– Manuel Antônio de Almeida – Obra: Memórias de um sargento de milícias.

Modalidades do Romantismo: Romance de folhetim – Teixeira e Sousa, O filho do pescador.
Romance urbano – Joaquim Manuel de Macedo, A Moreninha.
Romance regionalista: Bernardo Guimarães, O ermitão de Muquém.
Romance indianista e históricoJosé de Alencar, O Guarani.

Obs.: O Romantismo está para o Modernismo.

REALISMO / NATURALISMO

 

Início: Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, publicado em 1881.

NATURALISMO

Início: O Mulato, de Aluísio Azevedo

Contexto histórico:

  • A Proclamação da República
  • A Primeira República
REALISMO
Literatura de combate social, crítica à burguesia, ao adultério e ao clero.
Análise psicológica dos personagens.
Objetividade, temas contemporâneos.
Destacou-se:
Machado de Assis – trilogia: Memórias Póstumas de Brás Cubas (narrado em 1ª pessoa); Quincas Borba (“ao vencedor as batatas”); Dom Casmurro(narrado em 1ª pessoa – enigma de traição)

NATURALISMO
Desdobramento do Realismo.
Escritores naturalistas retratam pessoas marginalizadas pela sociedade.
O Naturalismo é fruto da experiência.
Análise biológica e patológica das personagens.
Determinismo acentuado.
As personagens são compradas aos animais (zoomorfismo).Destacaram-se:
– Aluísio Azevedo – Obras: O Mulato; O Cortiço (romance social, personagem principal do romance é o próprio cortiço).
– Raul Pompeia – Obra: O Ateneu.

PARNASIANISMO

Início: Fanfarras, deTeófilo DiasContexto histórico:

  • Contemporâneo do Realismo – Naturalismo
Estilo especificamente poético, desenvolveu-se junto com o Realismo – Naturalismo.
A maior preocupação dos poetas parnasianos é com o fazer poético.
Arte pela arte.
Poesia descritiva sem conteúdo; vocabulário nobre; objetividade.
Os poetas parnasianos são considerados “os mestres do passado”. Por suas manias de precisão foram criticados severamente pelos poetas do 1º Tempo Modernista.Destacou-se:
Olavo Bilac (poeta representante) – Profissão de Fé.
SIMBOLISMO

Início: Missal e Broquéis, de Cruz e SouzaContexto histórico:

  • Fundação da Academia Brasileira de Letras
Origem: a poesia de Baudelaire.
Características: desmistificação da poesia, sinestesia, musicalidade, preferência pela cor branca, sensualismo, dor e revolta.Destacou-se:
Cruz e Souza (poeta representante) – Obra: Missal e Broquéis.
PRÉ-MODERNISMO

Início: Os Sertões,Euclides da Cunha;Canaã, Graça AranhaContexto histórico:

  • Guerra do Contestado
  • A Revolta dos 18 do Forte de Copacabana
  • A revolta da Vacina
Convivem juntas duas tendências:1. Conservadora: sobrevivência da mentalidade positivista, agnóstica e liberal.Destacou-se:
Euclides da Cunha – Obra: Os Sertões (miséria e subdesenvolvimento nordestino).2. Renovadora: incorporação de aspectos da realidade brasileira.

Destacaram-se:
– Lima Barreto, Triste Fim de Policarpo Quaresma (a vida urbana e as transformações de início de século).
– Monteiro Lobato – livro de contos Urupês (a miséria do caboclo, a decadência da cultura cafeeira). Obs.: Foi Monteiro Lobato quem criticou a exposição da pintora Anita Malfatti, chamando-a de “Paranóia ou Mistificação”.
– Graça Aranha, Canaã (imigração além do Espírito Santo).

Poeta representante: Augusto dos Anjos – Obra: Eu e outras poesias.

MODERNISMO
PRIMEIRA FASE

Início: Semana de Arte ModernaContexto histórico:

  • Fundação do Partido Comunista Brasileiro
  • A Revolução de 1930
Poesia nacionalista.
Espírito irreverente, polêmico e destruidor, movimento contra.
Anarquismo, luta contra o tradicionalismo; paródia, humor.
Liberdade de estética. Verso livre sem uso da métrica. Linguagem coloquial.Destacaram-se:
– Mário de Andrade – Obra: Pauliceia desvairada (Prefácio Interessantíssimo)
– Oswald de Andrade – Obra: Manifesto antropofágico / Pau-Brasil
– Manuel Bandeira – Obra: Libertinagem
MODERNISMO
SEGUNDA FASE

Contexto histórico:

  • A Era Vargas
  • Lampião e o cangaço no sertão
Destaca-se a prosa regionalista nordestina (prosa neo-realista e neo-naturalista).Representantes:
– Graciliano Ramos – representante maior, criador do romance psicológico nordestino – Obras: Vidas Secas; São Bernardo.
– Jorge Amado – Obras: Mar Morto; Capitães da Areia.
– José Lins do Rego – Obras: Menino de Engenho; Fogo Morto.
– Rachel de Queiroz – Obra: O Quinze.
– José Américo de Almeida – Obra: A BagaceiraPoesia 30/45 – ruma para o universal.
Carlos Drummond de Andrade faz poesia de tensão ideológica.Fase de Drummond:
– Eu maior que o mundo – poema, humor, piada.
– Eu menor que o mundo – poesia de ação.
– Eu igual ao mundo – poesia metafísica.

Poetas espiritualistas:
– Cecília Meireles – herdeira do Simbolismo.
– Jorge de Lima – Invenção de Orpheu.
– Vinícius de Moraes – Soneto da Fidelidade.

MODERNISMO
TERCEIRA FASE

Contexto histórico:

  • A Redemocratização do Brasil
  • A ditadura militar no Brasil
Continua predominando a prosa.Representantes:
– Guimarães Rosa – Neologismo – Obra: Sagarana.
– Clarice Lispector – Introspectiva – Obra: Laços de Família, onde a autora procura retratar o cotidiano monótono e sufocante da família burguesa brasileira.
Obs.: Os escritores acima procuram universalizar o romance nacional. São considerados pela crítica literária, escritores instrumentalistas.Poesia concreta:
– João Cabral de Melo Neto – poeta de poucas palavras. Obra de maior relevância literária: Morte e Vida Severina. Tem intertextualidade com o teatro Vicentino.

 

Resumo de Geopolítica

A Geopolítica e as Relações Internacionais
‘A política de um Estado é sua geografia’
(Napoleão Bonaparte)

DEFINIÇÃO DE GEOPOLÍTICA

A geopolítica é a disciplina que busca entender as relações recíprocas entre o poder político nacional e o espaço geográfico. Ela procura responder a seguinte questão: até que ponto a ação dos estados nacionais é ou não determinada pela situação geográfica. A geopolítica tem duas finalidades:

1. orientar a atuação dos governos no cenário mundial;
2. permitir uma análise mais precisa das relações internacionais.

OS FUNDADORES DA GEOPOLÍTICA

O raciocínio geopolítico (o aproveitamento do espaço territorial e os limites que este impõe à ação do Poder) sempre influenciou os governantes desde a mais remota Antigüidade. Contudo, a normatização metodológica da geopolítica só ocorreu no século XIX. O “pai” da geopolítica foi um geógrafo alemão FRIEDRICH RATZEL (1844-1904), autor do livro “ANTROPOGEOGRAFIA – FUNDAMENTOS DA APLICAÇÃO DA GEOGRAFIA À HISTÓRIA”, que formulou conceitos fundamentais para a abordagem geopolítica da realidade internacional. Em primeiro lugar, a função do Estado, é expandir e defender o espaço territorial nacional e, além disso, Ratzel conceituava que as fronteiras nacionais são móveis, pois são determinadas pela capacidade político-militar de ampliá-las e de as manter.

Importante é ressaltar que Ratzel reflete o momento histórico da unificação da Alemanha pela Prússia, processo marcado pela expansão militar. A Alemanha Imperial (o IIº Reich) surgiria em 1871 após três guerras: a “dos Ducados”, contra a Dinamarca (1864), a “Guerra Austro-Prussiana” (1866) e a “Franco-Prussiana” (1870). O raciocínio de Ratzel expressa esta íntima ligação entre “unidade política” (proposta de unificação nacional), necessidade de expansão territorial e poder militar. Nos Estados Unidos da América, o almirante ALFRED THAYER MAHAN, outro precursor da geopolítica, elaborou uma proposta global para seu país. Segundo sua visão, os EUA eram uma “grande ilha” cercada por dois enormes oceanos: o Atlântico e o Pacífico. Portanto, seria um país quase impossível de ser invadido, contanto que tivesse como aliados o Canadá e o México. Mas, também seria fundamental
manter a América Central como “zona de influência”. Potência insular, os EUA não precisariam de um exército forte, mas de esquadras navais poderosas: uma no Pacífico e outra no Atlântico. Estas frotas, numa emergência, se ajudariam: daí a necessidade de uma passagem entre o Atlântico e o Pacífico próxima ao território norte-americano. Nascia, assim, o projeto do Canal do Panamá. Mahan, em seu livro

“O PROBLEMA DA ÁSIA E SEU EFEITO SOBRE A POLÍTICA INTERNACIONAL”,

defende a idéia de que as potências marítimas tendem a ser dominantes, pois são capazes de manter o controle de áreas ao redor do continente euroasiático, então o “núcleo sócio-econômico-político” do mundo. De fato, a Eurásia pode ser definida como uma enorme massa territorial contínua cuja segurança  depende, fundamentalmente, da ação de forças militares terrestres. Em síntese, as nações euroasiáticas teriam uma mentalidade estratégica fundada nos exércitos; os países periféricos à Eurásia optariam pelo poder naval – atualmente, aeronaval. Na gíria geopolítica: as nações “baleias” versus os países “ursos”.

fig1
Em 1904, o britânico John Mackinder, difundiu a teoria de que a ”Heartland” (“CORE“ – “terra coração”, “região núcleo”) do mundo, em função da sua massa territorial, seria a Eurásia, notadamente a região compreendida entre a Alemanha e a Rússia. No entender de Mackinder, a potência que controlasse essa área seria hegemônica em relação às nações marítimas que, por seu turno, dominariam a “Ilha Mundial” (“World Island”), isto é, os espaços do planeta periféricos ao continente eurasiano. Historicamente, as nações que buscaram o domínio do “core” euroasiático foram, em tempos recentes, a Alemanha e a Rússia; as que buscaram o poderio naval foram, de início, a Inglaterra, e, em seguida, os EUA. Mahan e Mackinder concordavam quanto à existência do conflito entre a “baleia” e o “urso”, só que o americano privilegiava o poder naval e o britânico realçava o papel estratégico das forças terrestres.

As concepções geopolíticas foram, finalmente, sistematizadas pelo sueco RUDOLF KJELLEN que inspiraria os teóricos do Instituto Geopolítico de Munique, cujo diretor foi o general KARL HAUSHOFER . A geopolítica alemã se baseava em três noções: toda potência precisa controlar um espaço geográfico suficientemente grande para garantir sua segurança e possibilitar uma lucrativa exploração econômica;

existe a “Ilha Mundial”, o que levou a Alemanha a criar um poder naval;
as áreas hegemônicas do Hemisfério Norte (EUA, Alemanha, Rússia e a então “zona de co-prosperidade asiática, controlada pelo Japão) deveriam subordinar o Hemisfério Sul.

Tal visão geopolítica fundamentou a expansão da Alemanha Nazista (1933-1945), cuja teoria do “LEBENSRAUM” (“espaço vital”) visava anexar áreas territoriais onde houvesse habitantes de “sangue alemão”, definidos como um povo “viril e vigoroso”. Nesse caso, a geopolítica foi uma arma conceptual nas mão de genocidas e violadores dos valores humanistas. Na década de 30, o geopolítico NICHOLAS SPYKMAN defendeu a idéia de que o expansionismo alemão só seria barrado por meio de uma aliança entre o poderio naval anglo-americano e a Rússia, potência militar terrestre. Para Spykman, o controle do “Heartland” euro-asiático era menos importante do que o domínio do RIMLAND (o “anel marítimo”).
Após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), quando do início da “Guerra Fria” (o conflito político e ideológico, por vezes marcado por “guerras limitadas”, entre as nações ocidentais, lideradas pelos EUA e as subordinadas à URSS), os EUA retomaram a teoria de Spykman, buscando cercar o país dos “soviets” através de forças aeronavais.

O USO CORRETO DA GEOPOLÍTICA

O raciocínio geopolítico é útil quando:
1. foge a um estrito determinismo geográfico
2. os dados culturais, sociais, econômicos e as relações de forças políticas são levadas em conta.

As Primeiras Teorias das Relações Internacionais
Conflitos, trocas comerciais e pactos entre as diversas comunidades sempre existiram. Contudo, a noção de relações internacionais é recente, já que o surgimento dos “Estados Nacionais” data do final da Idade Média. De fato, o “Estado – Nação” começa a se consolidar a partir dos séculos XVI e XVII, daí a necessidade de teorias políticas que justificassem e legitimassem a sua existência e orientassem suas ações em relação a outros estados.
No século XVI, na Itália surgiria a

 

“ESCOLA DE PENSAMENTO POLÍTICO VENEZIANO – FLORENTINA”

 

que formulou o conceito de “razão de estado”. Essa noção implica que a Ética e o Direito são determinados pelos interesses do poder político: é “justo” o que é útil para o Estado, é “certo” o que o Estado define como tal. Em suma: a necessidade determina a lei. Quando de sua formulação inicial, o principio da “razão de estado” significava a vontade do governante e/ou de sua dinastia. O “interesse do estado” era o desejo do “Príncipe”. Os conflitos internacionais foram, no século XVI e XVII, determinados pelos interesses monárquicos. Naquela época, nos canhões dos estados nacionais, então ainda embrionários, estava escrita a frase: “a última razão dos reis”. Noutros termos, não satisfeitas as exigências do Príncipe, seriam ouvidas as vozes tonitroantes dos canhões. Pouco a pouco, os estados modernos – inicialmente expressões das monarquias nacionais – passaram a ser definidos como “estados nacionais”. Com efeito, a partir do século XVIII, a “razão de estado”, até então a vontade do governante, adquiriu o sentido da defesa das  aspirações das “comunidades nacionais”. Surgia o conceito de nação.
Isto ocorreu, de início, na França, quando do Absolutismo da dinastia Bourbon. Para os filósofos políticos, tornava–se premente definir o conceito de Nação, pois os Tempos Modernos ( período compreendido entre os séculos XVI e XVIII) firmaram o preceito de que Nação só existe quando regida por um Estado.

NAÇÃO: UM CONCEITO COMPLEXO

Na Europa Oriental, “nação” sempre implicou “origem étnica”: é sérvio quem tem ”sangue sérvio”; poloneses são aqueles que possuem “origem racial polonesa” e assim por diante. Modernamente, a Antropologia ( ciência que estuda as estruturas culturais das comunidades humanas ) não mais aceita a noção de “raça”. No mundo ocidental, nação significa uma coletividade de mesmas raízes culturais, ritos e símbolos comuns e dotada de um projeto político – sócio – cultural uniforme. Em suma, uma nação se define culturalmente e não racialmente. Exemplo disso: os brasileiros formam uma nação, embora as origens étnicas sejam múltiplas: italianos, portugueses, espanhóis, japoneses, africanos, etc. Atualmente, a Filosofia do Direito conceitua que uma nação é uma comunidade, étnica e socialmente diversificada, política e juridicamente organizada pelo Estado.

MAPA POLÍTICO EUROPEU DO SÉC. XVIII

AS RELAÇÕES INTERNACIONAIS DOS TEMPOS MODERNOS

Entre os séculos XVI e XVIII, o mundo europeu foi marcado pelo conflito entre os “estados nacionais” emergentes  (França, Inglaterra, etc.) e os “Impérios multinacionais” ( Sacro Império Romano – Germânico, depois Império Austro – Húngaro, Império Russo e Império Turco – Otomano ). No século XIX, esse confronto faria aflorar a “questão das nacionalidades”. Passaria a imperar o conceito de que cada comunidade nacional deveria ter seu Estado. No ano de 1848, denominado de a “Primavera dos Povos”, eclodiram revoluções nacionalistas na Polônia, na Hungria, na Alemanha e o Reino do Piemonte tentou, infrutiferamente, unificar a Itália. Assim, no século XIX, a realidade política do “estado nacional” gerou a ideologia do “nacionalismo”.

As relações internacionais européias, ao longo dos Tempos Modernos, oscilaram entre tentativas de hegemonismo e períodos marcados pelo “equilíbrio de poder”. No século XVI, o cenário político do Velho Continente foi marcado pelo predomínio da dinastia dos Habsburgos, família que reinava na Espanha e no Sacro Império Romano – Germânico, que compreendia o centro e o leste europeus. Na ocasião, a França se via cercada pelo “anel de ferro Habsburgo”, que limitava a projeção internacional da dinastia Bourbon. De fato, a França se confrontava com Habsburgos na Espanha, nos Países Baixos ( atualmente, Holanda, Luxemburgo e Bélgica ) e no Sacro Império Romano – Germânico.

No século XVII, quando da “Guerra dos Trinta Anos” ( 1618 – 1648 ), a França, vitoriosa, quebrou o “anel de ferro Habsburgo”, tornando – se hegemônica na Europa. Este triunfo francês foi formalizado  pela “Paz de Westphalia” ( 1648 ), que significou a primeira vitória de um estado nacional – a França – sobre um império multinacional – o Sacro Império. O Estado – Nação, pela primeira vez, se impunha sobre uma entidade imperial. No cenário mundial, começava a predominar a modernidade política.

A hegemonia francesa ao longo do século XVIII seria contestada pelo interesse inglês de estabelecer na Europa o “equilíbrio de poder”. A Inglaterra desejava que, na Europa Continental, nenhuma nação fosse dominante em relação às demais. Assim, o governo britânico promoveu a “política da gangorra”: se uma determinada nação se tornasse mais forte do que as outras, a Inglaterra se posicionaria ao lado dessas últimas. Em termos geopolíticos, o “fiel da balança” europeu passou a ser a Inglaterra.

No início do século XIX, Napoleão Bonaparte, afrontando a Inglaterra, a Áustria, a Prússia e a Rússia, buscou novamente tornar a França hegemônica na Europa. Sua derrota, na batalha de Waterloo ( 1815 ), levou as nações do Velho Continente a buscar, uma outra fórmula para estabelecer o “equilíbrio de poder” na Europa.

O Eterno Sonho da Diplomacia: O Equilíbrio do Poder
EUROPA DA PRIMEIRA METADE DO SÉC. XIX

O panorama político europeu do século XIX foi totalmente modelado pelo conceito geopolítico do “equilíbrio de poder”. Prevaleceu, então, a REALPOLITIK , ou seja, o princípio de que as relações internacionais não devem ser norteadas pela ética ou ideologias, mas, sim, pela defesa dos interesses nacionais. Em suma, os estados não têm “amigos” e nem compartilham ideais, simplesmente fazem valer seus objetivos econômicos e políticos. No cenário internacional, o realismo amoral deve conduzir a ação dos estados.

Este novo projeto de “equilíbrio europeu” nasceu no CONGRESSO DE VIENA (1814 – 1815), quando as principais nações européias – França, Inglaterra, Prússia, Rússia e Áustria – buscaram:

1. restaurar o Absolutismo
2. estabelecer o equilíbrio de forças no Velho Continente.

Cada um daqueles países tinha propósitos específicos e outros comuns a todos. A França, representada por Talleyrand, temia que seu solo fosse ocupado pelas nações que haviam vencido Napoleão Bonaparte.
Agora, vivendo a Restauração dos Bourbons ( a volta ao poder da nobreza liderada por Luís XVIII ), a França desejava preservar a integridade de seu território e legitimar a retomada de um regime absolutista.

A Rússia, cuja delegação enviada ao congresso era encabeçada pelo Tzar Alexandre I, postulava o regresso ao Antigo Regime ( a realidade política anterior à Revolução Francesa ). A Prússia, na pessoa do rei Frederico Guilherme III, além dos mesmos propósitos restauradores, já desejava unificar todos os estados alemães sobre a tutela de Berlim. A Inglaterra, representada por Castlereagh, ambicionava projetar seu poderio sobre as regiões periféricas ao Velho Continente e estabelecer, na Europa Continental, um “equilíbrio de poder” entre as nações.

No entanto, a “estrela” do congresso de Viena foi o chanceler austríaco Metternich. De fato, a Áustria conhecia um espinhoso problema: o mosaico étnico. O Império Austríaco era habitado por germânicos, húngaros e inúmeros povos eslavos. Por consegüinte, se cada uma dessas comunidades adotasse idéias nacionalistas, aspirando ao seu próprio estado, todo império se esfacelaria. Assim, era necessário extirpar os sonhos nacionais de cada uma das etnias dominadas pelo governo de Viena. Com esse propósito, Metternich propôs o “CONCERTO EUROPEU”, também conhecido como “SISTEMA METTERNICH”, pelo qual seria criada a “QUÍNTUPLA ALIANÇA” (Inglaterra, França, Prússia, Rússia e Áustria), que teria o papel de esmagar todos os levantes liberais e nacionalistas que ocorressem no continente europeu. Estas nações passariam a desempenhar o papel de “bombeiros” da Europa, “apagando os incêndios” liberais e nacionalistas que eventualmente ocorressem no Continente. Além da proposta austríaca, foram aprovados, no Congresso de Viena, o “PRINCÍPIO DA LEGITIMIDADE”, pelo qual só seriam válidas as dinastias reinantes e as fronteiras anteriores à Revolução Francesa, e a criação da “SANTA ALIANÇA”,
cujo propósito era idêntico ao do “Concerto Europeu”.

Estabelecia-se, desta forma, um sistema internacional baseado num equilíbrio de forças voltado ao objetivo de impedir toda e qualquer transformação social e política na Europa. Inegavelmente, tal esquema manteve a paz européia, somente quebrada por pequenos conflitos, durante um século ( a “Paz dos Cem  Anos” ), pois o interesse comum de preservar o equilíbrio multipolar fez com que cada uma das nações européias não desejasse destruir as outras, já que se isso ocorresse todo o sistema entraria em colapso. O século XIX, foi sem dúvida, a concretização do eterno e delirante sonho da diplomacia: a estabilidade entres os poderes nacionais.

O SISTEMA EM CRISE

No final do século XIX, o equilíbrio do sistema internacional europeu foi vitimado por uma série de crises.  Inúmeras foram as razões de tal desequilíbrio. Em primeiro lugar, povos submetidos aos grandes impérios desejavam edificar seus estados, abalando o Império Austro-Húngaro, o Russo e o Turco-Otomano.  Irrompiam, na Europa do leste, fortes nacionalismos, notadamente o eslavo e o magiar. Além disso, a unificação da Alemanha, em 1871, quebrava a hegemonia militar e política francesa na Europa Ocidental, criando uma turbulência no “Concerto Europeu”. Turbulência esta, de início, de conseqüências limitadas, pois a Alemanha de Bismarck ainda não tinha pretensões de hegemonia mundial, limitando-se a impor  seus interesses na Europa Central. O chanceler alemão temia uma vingança francesa pela derrota de 1870 e buscava alianças no leste. De fato, Bismarck encabeçou a formação da “Aliança dos Três Imperadores”, agrupando Alemanha, Rússia e Austro-Hungria, visando impedir que a França conseguisse aliados na Europa Oriental. Berlim temia que a Alemanha, pela sua posição geográfica, fosse cercada por inimigos a oeste e a leste: o eterno “fantasma” que sempre aterrorizou a nação alemã, a guerra em “duas frentes”. A França, desejosa de revidar a vitória alemã na “Guerra Franco – Prussiana” e recuperar as províncias da Alsácia e Lorena, busca desmembrar a aliança “costurada” por Bismarck.

Outro fator de abalo do sistema europeu foi a “questão do Oriente”. A Inglaterra levava a efeito uma sútil política de enfraquecer o já debilitado império Turco-Otomano, sem, contudo, destruí-lo  completamente para evitar a hegemonia russa nas regiões turcomanas, o que ameaçaria a presença britânica na Índia. Nas últimas décadas do século XIX, travaram-se as desgastantes guerras russo-britânicas pela posse do Afeganistão. Estes conflitos receberam a denominação de o “Grande Jogo”. As outras potências européias tinham também suas ambições: a França aspirava ao controle da Síria e do Líbano, a pretexto de proteger os cristãos contra os muçulmanos; a Alemanha desejava uma presença no Golfo Pérsico, onde já fora descoberto petróleo. Berlim, então, acalentou o louco sonho de construir a estrada de ferro Berlim-Bagdá e aliou-se aos turcos, alegando que protegeria o Império Otomano contra a ameaça anglo-francesa. A partir de 1909, os exércitos do sultão passaram a ser treinados por instrutores alemães. A Rússia, interessada em penetrar nos “mares quentes”, precisava controlar os estreitos turcos do Bósforo e Dardanelos, passagem obrigatória entre o Mar Negro e o Mediterrâneo. Por fim, a Inglaterra, além de cobiçar regiões no Oriente Médio, controlava boa parte da África Negra. Tais pendências, embora  envolvessem regiões extra – européias, repercutiam no Velho Continente, ameaçando a “Paz dos Cem Anos”.

A hegemonia dos imperialismos neocolonialistas ingleses e franceses provocou a ira germânica, já que à Alemanha restaram áreas geográficas de baixos recursos econômicos que não interessavam a Londres e a Paris. No famoso “Congresso de Berlim” (1885), onde se partilhou a África Negra, a Inglaterra e a França “jantaram” a melhor parte do Continente Negro. A Alemanha chegara tarde ao “banquete”, portanto com maior “apetite”, que não foi satisfeito.

 

EUROPA DA SEGUNDA METADE DO SÉC. XIX

O Equilíbrio se rompe: A Grande Guerra
O MUNDO DIVIDIDO: IMPÉRIOS EM 1914

Na Primeira Guerra Mundial ( 1914 – 1918 ), o sistema de poder criado no Congresso de Viena entraria em colapso. Os principais fatores que levaram a “Grande Guerra” foram:

1. o Pangermanismo, isto é, as aspirações territoriais alemãs ampliadas pela ascensão ao poder, em 1882, do  Imperador Guilherme II, cujo projeto era a WELTMACHTPOLITIK ( Política de Poder Mundial ). Este objetivo germânico levou a uma “corrida armamentista” conhecida como a “Paz Armada”. Berlim buscou, com êxito, formar um exército superior ao francês e uma marinha pelo menos igual à britânica. Uma verdadeira “corrida às tonelagens” passa a existir entre Inglaterra e Alemanha: navios cada vez mais pesados e artilhados. Agora, Berlim não só atemorizava a França, mas também a Grã – Bretanha, única nação detentora de uma “blue sea navy” ( “marinha de longo alcance” ). Toda essas ambições germânicas eram “legitimadas pelo mito da superioridade da cultura alemã, a única efetiva “guardiã dos valores do Ocidente”;

a “Enferma do Levante” . As principais nações da Europa tinham o interesse de desmembrar o decadente Império Turco – Otomano, cujos recursos petrolíferos e seu domínio sobre áreas estratégicas do Oriente Médio atraíam a cobiça das grandes potências. O grau de enfraquecimento e corrupção do sultanato turco é explicitado pelo apelido a ele dado: o “Homem Doente da Europa”;

o Pan-eslavismo e a “Monarquia Dual”. A Rússia desde o século XVII, sonhava dominar a Europa do Leste em nome da “proteção” aos povos eslavos ali presentes. O grande obstáculo às pretensões de Moscou era a existência, na Europa Central, do Império Austro – Húngaro ( denominado de “Monarquia Dual” ), que exercia na região o papel de um “Estado Tampão”, barrando as investidas russas. No entanto, Viena tinha um “calcanhar de Aquiles” – seu mosaico étnico. De fato, no Império habitavam germânicos, magiares, tchecos, croatas, eslovenos, poloneses, rutenos, além de outras inúmeras nacionalidades. Com exceção dos germânicos e húngaros, todas as outras minorias governadas por Viena eram eslavas e, portanto, muito suscetíveis à propaganda pan-eslavista. A Rússia fomentava um nacionalismo eslavófilo buscando “implodir” o Império Austro – Húngaro e assim tornar possível a presença dos súditos de Moscou na Europa Oriental;

o “revanchismo” francês. Paris desejava se vingar do desastre que fora a batalha de Sedan, durante a “Guerra Franco – Prussiana”, e recuperar as províncias carboníferas da Alsácia e Lorena. Em todo o território francês, corria o  “slogan” – “não se esqueçam dos alemães”;

A “Política das Alianças”. Rompida a “Aliança dos Três Imperadores” ( Alemanha, Áustria e Rússia ), um acordo politicamente insustentável, pois Viena e Moscou eram potencialmente conflitantes, a França buscou fazer do  governo de Moscou seu aliado, no que teve êxito. Assim, a Alemanha se viu cercada por um inimigo a oeste, a  França, e outro a leste, a Rússia. Ao mesmo tempo, a Inglaterra e a França, após pequenas escaramuças, firmavam, em 1903, a “Entente Cordiale” ( o “Acordo Amigável” ) pela qual partilhariam amigavelmente a África do Norte. Surgiria, então, a “Tríplice Entente”, agrupando Inglaterra, França e Rússia. Em represália, a Alemanha criou a “Tríplice Aliança”, englobando os governos de Berlim, Viena e Roma. Na primeira década do século XX, o equilíbrio multipolar era substituído por uma perigosa bipolarização. O Velho Continente estava em “pé de guerra”;

A POLÍTICA DAS ALIANÇAS

fig2

A competição industrial. A “Grande Guerra” teve também como causa a competição econômica entre a Alemanha, França e Inglaterra. Entre 1871 e 1900, o Reich germânico conheceu uma industrialização muito rápida. Isto pode ser comprovado se observamos o crescimento da siderurgia alemã – em 1870, a produção de aço da Alemanha era inferíor à da França; 30 anos depois, era superior à produção somada da Inglaterra e França. Além disso, ciente de que, pela falta de recursos naturais em abundância, não tinha condições de competir quantitativamente, Berlim optou pela “qualidade” de seus produtos. Seus manufaturados eram muito mais caros do que os franceses e ingleses, mas primavam pela excelente feitura. Nascia, então, o que até hoje subsiste: o mito da alta qualidade das máquinas alemãs. A agressividade industrial e comercial da Alemanha assustava os empresários franceses e britânicos. Em todo o planeta, proliferavam artigos germânicos

 

POVOS BALCÂNICOS

Todas estas crises européias, aparentemente desligadas umas das outras, se fundiriam quando uma “reação em cadeia”, gerada pela “questão balcânica”, as transformaria em causas da conflagração iniciada em  agosto de 1914. Nos Bálcãs, uma “potencia regional” – a Sérvia ( capital: Belgrado ) – desejava criar a “Grande Sérvia”, reunindo sob o governo de Belgrado todos os sérvios da região. O grande obstáculo a  esse sonho era o fato de que a Áustria anexara a Bósnia – Herzegovina, onde quase metade da população era de religião mulçumana, que convivia com uma enorme minoria sérvia e com uma presença de croatas relativamente pequena. Este diversificado cenário étnico era complicado por divergências religiosas, pois os sérvios são cristãos ortodoxos, ou seja ligados à Igreja Greco-Cismática, e os croatas são católicos.
Agravando a situação, por si só já um “barril de pólvora”, a Rússia, a maior potência eslava e ortodoxa do mundo,  como não poderia deixar de ser, apoiava as aspirações sérvias. Além da identidade étnico – religioso, a Rússia, com a formação da “Grande Sérvia”, passaria a ter bases navais no mar Mediterrâneo, concretizando, assim, o sonho da presença nos “mares quentes”.

No Império Austro – Húngaro, certos segmentos da burguesia e da aristocracia propunham a transformação da “monarquia dual” ( Viena e Budapeste ) numa “monarquia trial” ( que abrangeria Áustria, a Hungria e os povos eslavos balcânicos ). Obviamente, esta proposta era inaceitável para a Sérvia, pois dificultaria o projeto da “Grande Sérvia”. Em junho de 1914, o herdeiro da Coroa austríaca, o Arquiduque Francisco Ferdinando – defensor do “trialismo” – visitou Sarajevo ( capital da Bósnia ). A motivação desta viagem era simples: passar em revista as tropas austríacas que ocupavam a Bósnia – Herzegovina. Jovens militantes do movimento “Jovem Bósnia”, sociedade secreta de sérvios bosníacos favoráveis à “Grande Sérvia” e financeiramente sustentados pela organização terrorista sérvia denominada a “Mão Negra”, levantaram a hipótese de que Francisco Ferdinando viria a Sarajevo no intuito de proclamar a “monarquia trial”. Resolveram assassiná-lo. No dia 28 de junho, o estudante Gavrilo Prinzip, líder da “Jovem Bósnia”, matou Francisco Ferdinando e sua esposa, a Baronesa Sofia. A Áustria acusou a Sérvia de ser a mandante do crime; Belgrado negou qualquer responsabilidade em relação ao assassinato   do herdeiro do trono austríaco. Viena mobiliza tropas, a Sérvia chama seus reservistas e se prepara para a guerra. A Alemanha, aliada da Áustria, também mobiliza seus soldados e, simultaneamente, a Rússia, que firmara um acordo secreto com a Sérvia, entra em estado de alerta. A morte do Arquiduque Francisco Ferdinando, numa pequena e remota localidade do sul da Península Balcânica, coloca a Europa à beira do abismo da guerra. Acreditando que, nessa circunstância, a nação que desse início ao conflito teria mais chances de vitória, o Imperador alemão, Guilherme II, ordenou a implementação do “Plano Schlieffen”.

Este fora concebido em 1909, pelo general Schlieffen, para fazer face à eventualidade de uma “guerra em duas frentes”. Neste caso, no entender do general, a Alemanha deveria lançar todas as suas forças contra a França, enquanto tropas austríacas barrariam as investidas russas. Ocupado o território gaulês, o exército  e as Relações Internacionais germânico golpearia mortalmente as trop as russas. Para a infelicidade do governo de Berlim, nos meses iniciais da Primeira Guerra Mundial ( 1914 – 1918 ), os alemães não venceram a França e os austríacos não detiveram os russos. Assim, as forças militares germânicas se dividiram para enfrentar, simultaneamente, os ingleses e franceses na Europa Ocidental e as tropas de Moscou no leste do Velho Continente. A derrota alemã era inevitável.


 

DA PAZ A GUERRA

“Durante o debate de 27 de marco de 1900 expliquei.. . que eu entendia por política mundial tão-somente o apoio e o avanço nas tarefas geradas pela expansão de nossa indústria, de nosso comércio, da força de trabalho, da atividade e da inteligência de nosso povo. Não temos a intenção de  implementar uma política agressiva de expansão. Queríamos apenas proteger os interesses vitais que conquistamos no mundo inteiro, no desenrolar natural dos acontecimentos.”
Chanceler alemão von Büllow, 1900

“Não é certo que uma mulher vá perder seu filho se ele for para o front; na verdade, a mina de carvão e o pátio de manobras de uma ferrovia são lugares mais perigosos que o campo militar.” Bernard Shaw, 1902

“Glorificaremos a guerra – a única higiene do mundo – , o militarismo, o patriotismo, o gesto destrutivo dos construtores da liberdade, belas idéias pelas quais vale a pena morrer e que as mulheres desprezam” F. T. Marinetti, 1909

” A partir de agosto de 1914, a presença da guerra mundial rondou, impregnou e assombrou a vida dos europeus. Quando da redação do presente texto, a maioria das pessoas deste continente, com mais de setenta anos, passou ao menos por uma parte de duas guerras na curva de suas vidas; todas as de mais de cinqüenta, com exceção dos suecos, suíços, irlandeses do sul e portugueses, tem a experiência de ao menos parte de uma delas. Mesmo os nascidos depois de 1945, depois de as armas terem silenciado nas fronteiras dos países europeus, conheceram raros anos em que em algum lugar do mundo não houvesse guerra, e viveram a vida toda com o sombrio espectro de um terceiro conflito mundial, nuclear, mantido sob controle apenas pela infindável concorrência visando a garantir  a destruição mútua, como praticamente todos os governos lhes disseram. Como podemos chamar tal é poca de tempo de paz, mesmo que a catástrofe global esteja sendo evitada por quase tanto tempo quanto o foi uma guerra importante entre potenciais européias, entre 1871 e 1914. Pois, como observou o grande filosofo Thomas Hobbes, a guerra não consiste apenas na batalha, ou no ato de lutar, mas num lapso de tempo durante o qual o desejo de rivalizar através de batalhas é suficientemente conhecido.

Quem pode negar que esta seja a situação do mundo desde 1945? Não era assim antes de 1914: a paz era o quadro normal e esperado das vidas européias. Desde 1815 não houvera nenhuma guerra envolvendo as potências européias. Desde 1871, nenhuma nação européia ordenara a seus homens em armas que atirassem nos de qualquer outra nação similar. As grandes potências escolhiam suas vítimas no mundo fraco e não-europeu, embora às vezes calculassem mal a resistência de seus adversários: os boers deram aos britânicos muito mais trabalho que o esperado e os japoneses conquistaram seu lugar entre as grandes nações ao derrotar a Rússia em 1904-1905. Surpreendentemente com poucos transtornos.

No território da maior e mais próxima vítima potencial – o Império Otomano, há muito em processo de desintegração, a guerra era, de fato, uma possibilidade permanente, dado que os povos a ele submetidos procuravam se estabelecer ou se expandir como Estados independentes e, por conseguinte, guerreavam  entre si, arrastando as grandes nações em seus conflitos. Os Bálcãs eram conhecidos como o barril de pólvora da Europa, e foi, de fato, ali que a explosão global de 1914 começou. Mas a “Questão Oriental” era um ponto conhecido da pauta da diplomacia internacional, e embora tivesse gerado crises internacionais sucessivas durante um século, inclusive uma guerra internacional bastante substancial (a Guerra da Criméia), nunca escapara totalmente ao controle. Ao contrário do Oriente Médio, desde 1945 os Bálcãs pertenciam, para a maioria dos europeus que não viviam ali, ao reino das estórias de aventuras, como as do autor alemão de literatura infantil Karl May, ou das operetas. A imagem das guerras balcânicas, no final do século XIX, era a do livro “Arms and the Man”, de Bernard Shaw, que, caracteristicamente, foi transformado em musical (The Chocolate Soldier, de um compositor vienense, 1908).

A possibilidade de uma guerra generalizada na Europa fora, é claro, prevista, e preocupava não apenas os governos e as administrações, como também um público mais amplo. A partir do início da década de 1870, a ficção e a futurologia produziram, sobretudo na Grã-Bretanha e na França, sketches, geralmente não realistas, sobre uma futura guerra. Na década de 1880, Friedriech Engels já analisava as probabilidades de uma guerra mundial, enquanto o filósofo Nietzsche, louca porém profeticamente, saudou a militarização crescente da Europa e predisse uma guerra que “diria sim ao animal bárbaro, ou mesmo selvagem, que existe entre nós”. Na década de 1890, a preocupação com a guerra foi suficiente para gerar o Congresso Mundial (Universal) para a Paz – o vigésimo primeiro estava previsto para setembro de 1914, em Viena – , o Prêmio Nobel da Paz (1897) e a primeira das Conferências de Paz de Haia (1899), reuniões internacionais de representantes majoritariamente céticos de governos e a primeira de muitas das reuniões que tiveram lugar desde então, nas quais os governos declararam seu com promisso decidido, porém teórico, com o ideal da paz. Nos anos 1900, a guerra ficou visivelmente mais próxima e nos anos 1910 podia ser e era considerada iminente.

E contudo sua deflagração não era realmente esperada. Nem durante os últimos dias da crise internacional – já irreversível – de julho de 1914, os estadistas, dando os passos fatais, acreditavam que realmente estivessem dando início a uma guerra mundial. Uma fórmula seria com certeza encontrada, como tantas vezes no passado. Os que se opunham a guerra também não podiam acreditar, que a catástrofe há tanto tempo predita por eles, chegara. Bem no final de julho, depois da Áustria ter declarado guerra à Servia, os líderes do socialismo internacional se reuniram, profundamente abalados, mas ainda convencidos de que uma guerra generalizada era impossível e que uma solução pacífica para a crise seria encontrada.

“Eu, pessoalmente, não acredito que haverá uma guerra generalizada”, disse Victor Adler, chefe da social-democracia do Império Habsburgo, no dia 29 de julho. Nem aqueles que estavam apertando os botões da destruição nessa acreditavam, não porque não quisessem, mas porque era independente de sua vontade: como o imperador Guilherme, perguntando a seus generais, no último minuto, se a guerra, afinal de contas, não poderia ser situada na Europa Oriental se se evitasse atacar a França e a Rússia – e ouvindo a resposta de que infelizmente isso era impraticável. Aqueles que haviam construído os mecanismos da guerra e ligado os interruptores, agora estavam vendo, com uma espécie de incredulidade estupefata, as engrenagens começarem a se por em movimento. Para os que nasceram após 1914, é difícil imaginar como a crença de que uma guerra mundial não podia  realmente” acontecer estava profundamente enraizada no tecido da vida antes do dilúvio.

Assim, para a maioria dos Estados Ocidentais, e na maior parte do tempo entre 1871 e 1914, uma guerra européia era uma lembrança histórica ou um exercício teórico para um futuro indefinido. A principal função dos exércitos em suas sociedades durante esse período era civil. O serviço militar obrigatório – alistamento – agora era a norma em todas as nações de peso, com exceção da Grã-Bretanha e dos EUA, embora, na verdade, nem todos os rapazes de fato se alistassem; e, com a ascensão dos movimentos de massas socialistas, generais e políticos às vezes ficavam nervosos, erroneamente, como veio a ser evidenciado ao pensar em por armas nas mãos de  proletários potencialmente revolucionários. Para os recrutas comuns, mais familiarizados com a servidão do que com as glórias da vida militar, entrar para o exército se tornou um rito de passagem que marcava a chegada de um garoto à idade adulta por dois ou três anos de treinamento e trabalho duro, que se tornavam mais toleráveis devido a notória atração que a farda exercia sobre as moças. Para os suboficiais profissionais, o exército era um emprego. Para os oficiais, um jogo infantil onde quem brincava eram os adultos, símbolo de sua superioridade em relação aos civis, de esplendor viril e de status social. Para os generais era, como sempre, o terreno propício às intrigas políticas e ciúmes relativos à carreira, tão amplamente documentada nas memórias dos chefes militares.

Para os governos e as classes dirigentes, os exércitos eram não só forças para enfrentar inimigos internos e externos, mas também um modo de garantir a lealdade, ou mesmo o entusiasmo ativo, de cidadãos com simpatias inquietantes por movimentos de massas que solapavam a ordem política e social. Junto com a escola primária, o serviço militar era talvez o mecanismo mais poderoso à disposição do Estado com vistas à inculcação do comportamento cívico apropriado e, não menos importante, a transformação do habitante de um povoado no cidadão (patriota) de uma nação. A escola e o serviço militar ensinaram os italianos a compreender, se não a falar, a língua “nacional” oficial, e o exército fez do espaguete, anteriormente prato regional do sul empobrecido, uma instituição de toda a Itália. No que tange à população civil, o colorido espetáculo público da exibição militar foi multiplicado para seu divertimento, inspiração e identificação patriótica: paradas, cerimônias, bandeiras e música. O aspecto mais  familiar dos exércitos, para os habitantes não-militares da Europa, entre 1871 e 1914, era provavelmente a onipresente banda militar, sem a qual era difícil imaginar os parques e os festejos públicos.

Naturalmente, os soldados e, bem mais raramente, os marinheiros de vez em quando desempenhavam suas funções básicas. Podiam ser mobilizados contra desordens e protestos em momentos de perturbações e de crise social. Os governos, especialmente os que precisavam se preocupar com a opinião pública e com seus eleitores, costumavam ser cuidadosos ao confrontar as tropas com o risco de atirar em seus compatriotas: as conseqüências políticas dos tiros, que soldados pudessem disparar contra civis podiam ser muito negativas, e as de sua recusa a fazê-lo podiam ser ainda piores, como ficou patente em Petrogrado, em 1917. Entretanto, as tropas eram mobilizadas com bastante freqüência, e o número de vítimas nacionais da repressão militar não foi, de forma alguma, irrelevante nesse período, mesmo nos Estados da Europa central e ocidental, onde não se supunha a iminência da revolução, como a Bélgica e a Holanda. Em países como a Itália tais intervenções podiam ser, de fato, muito substanciais.

Para as tropas, a repressão interna era uma atividade inofensiva, mas as guerras eventuais, especialmente nas colônias, eram mais perigosas. O risco era reconhecidamente mais médico que militar. Dos 274 mil militares americanos mobilizados para a guerra hispano-americana de 1898, houve apenas 379 mortos e 1.600 feridos em combate, porém mais de cinco mil morreram de doenças tropicais. Não admire que os governos apoiassem com tanto entusiasmo as pesquisas em medicina, que no período que nos ocupa conseguiram algum controle sobre a febre amarela, a malária e outros flagelos dos territórios ainda conhecidos como “a tumba do homem branco”. A França perdeu uma média de oito oficiais por ano em operações coloniais, entre 1871 e 1908, incluídas as cifras relativas à única zona onde houve perdas sérias, Tonkin, onde caiu quase a metade dos 300 oficiais mortos nesses
37 anos. Não é nosso intuito subestimar a seriedade dessas campanhas, sobretudo sabendo-se que as perdas entre as vítimas eram desproporcionalmente pesadas. Mesmo para os países agressores, essas guerras eram tudo, menos viagens de lazer. A Grã-Bretanha enviou 450 mil homens à África do Sul em 1899-1902, voltando com um saldo de 29 mil mortos em combate ou como conseqüência de ferimentos e 16 mil de doença, o que representou um ônus de 220 milhões de libras esterlinas. Tais custos eram importantes. Contudo, o trabalho do soldado nos países ocidentais era, de longe, consideravelmente menos perigoso que o de certos grupos de trabalhadores civis, como os dos transportes (especialmente por mar) e das minas. Nos três últimos anos das longas décadas de paz, morriam por ano  1.430 mineiros de carvão britânicos, e 165 mil (ou mais de 10% da força de trabalho) sofriam ferimentos. E a taxa de acidentes nas minas de carvão britânicas, embora mais elevada que a belga ou a austríaca, era algo mais baixa que a francesa, cerca de 30% menor que a alemã e não mais de um terço do que a dos EUA.

Os que corriam o maior risco de vida e de integridade física não usavam farda. Assim, se deixarmos de lado a guerra britânica na África do Sul, a vida do soldado e do marinheiro de uma grande nação era bastante pacífica, embora não fosse o caso nos exércitos da Rússia czarista, envolvidos em sérias guerras contra os turcos nos anos 1870 e em outra, desastrosa, contra os japoneses em 1904-1905; nem no exército japonês, que lutou vitoriosamente tanto contra a China como contra a Rússia. Essa situação ainda pode ser identificada nas memórias e aventuras inteiramente
não-bélicas daquele imortal ex-membro do famoso 91.° Regimento do exército imperial e real austríaco, o bom soldado Schweik (inventado por seu autor em 1911). Os quartéis-generais, naturalmente, se prepararam para a guerra, como era seu dever. Como de costume, a maioria deles se preparou para uma versão melhorada da última guerra importante de que os comandantes se lembravam ou que haviam vivido.

Os britânicos, como era natural no caso da maior nação naval, se prepararam para uma participação apenas modesta na guerra terrestre, embora fosse ficando cada vez mais evidente para os generais, que faziam os preparativos para a cooperação com os aliados franceses, nos anos que precederam 1914, que se exigiria muito mais deles. Mas, de maneira geral, foram os civis, e não esses homens, que previram as terríveis transformações da guerra, graças aos avanços da tecnologia militar, que os generais e mesmo alguns almirantes mais abertos à questão tecnológica  demoraram a entender.

Friedrich Engels, velho amante de assuntos militares, chamou muitas vezes à atenção sobre suas limitações, mas foi um financista judeu, Ivan Bloch, que em 1898 publicou em São Petersburgo os seis  volumes de seu Technical, Economic and Political Aspects of the Coming War, um trabalho profético que predizia o empate militar da guerra de trincheiras, o que levaria a um conflito prolongado cujos custos econômicos e humanos intoleráveis exauririam os beligerantes ou os fariam mergulhar na revolução social. O livro foi rapidamente traduzido para numerosos idiomas, sem qualquer conseqüência no planejamento militar.

Enquanto apenas alguns observadores civis compreendiam o caráter catastrófico da futura guerra, governos que não o entendiam se lançaram entusiasticamente à corrida para se equipar com os armamentos cuja nova tecnologia o propiciariam. A tecnologia da morte, já em processo de industrialização em meados do século, avançou notavelmente nos anos 1880, não apenas devido a uma verdadeira revolução na rapidez e no poder de fogo das armas pequenas e da artilharia, mas também através da transformação dos navios de guerra por meio de motores-turbina, de uma blindagem protetora mais eficaz e da capacidade de carregar muito mais armas. A propósito, até a tecnologia da morte civil foi transformada pela invenção da “cadeira elétrica” (1890), embora os algozes de fora dos
EUA tenham  permanecido fiéis a amigos e comprovados métodos, como o enforcamento e a decapitação.

Uma conseqüência óbvia foi que os preparativos para a guerra se tornaram muito mais caros, especialmente porque os Estados competiam uns com os outros para manter a primeira posição ou ao menos para não cair para a última. Essa corrida armamentista começou de maneira modesta no final da década de 1880 e se acelerou no novo século, em particular nos últimos anos antes da guerra. Os gastos militares britânicos permaneceram estáveis nos anos 1870 e 1880, tanto em termos de porcentagem do orçamento total. E o crescimento mais espetacular foi o da marinha, o que não é surpreendente, pois se tratava da ala de alta tecnologia de guerra, correspondente aos mísseis nos gastos modernos em armamentos. Em 1885, a marinha custara ao Estado 11 milhões de libras, e em torno da mesma ordem de grandeza, em 1860. Em 1913-1914 custou mais de quatro vezes esse montante. No mesmo período, os gastos navais alemães aumentavam de modo ainda mais acentuado, de 90 milhões de marcos por ano, em meados da década de 1890, a quase 400 milhões.

Uma conseqüência dos gastos tão elevados foi a necessidade complementar de impostos mais altos, ou de empréstimos inflacionários, ou de ambos. Mas uma conseqüência igualmente óbvia, embora muitas vezes deixada de  lado, foi que eles cada vez mais fizeram da morte em prol de várias pátrias um subproduto da  indústria em grande  escala. Alfred Nobel e Andrew Carnegie, dois capitalistas que sabiam o que os transformara em milionários dos ramos de explosivos e aço, respectivamente, tentaram compensar a situação destinando uma parte de sua riqueza à causa da paz. Nesse sentido foram atípicos. A simbiose entre guerra e produção da guerra transformou  inevitavelmente as relações entre  governo e indústria, pois, como observou Friedrich Engels em 1892, “como a guerra se tornou um setor da grande indústria… “Ia grande industrie… se tornou uma necessidade política”. E, reciprocamente, o  Estado se tornou essencial para certos setores da indústria, pois quem, senão o governo, constitui a clientela dos armamentos? Os bens que essa indústria produzia eram determinados não pelo mercado, mas pela interminável concorrência dos governos, que os fazia procurar garantir para si um fornecimento  satisfatório das armas mais avançadas e, portanto, mais eficientes. E mais, o que os governos precisavam não era tanto da produção real de armas, mas sim da capacidade de produzí-las numa escala compatível com uma época de guerra, se fosse o caso; isso quer dizer que eles tinham que zelar para que suas indústrias mantivessem uma capacidade de produção altamente excedente para tempos de paz.

Assim, de uma forma ou de outra, os Estados eram obrigados a garantir a existência de poderosas indústrias  nacionais de armamentos, a arcar com boa parte do custo de seu desenvolvimento técnico e a fazer com que permanecessem rentáveis. Em outras palavras, tinham que proteger essas indústrias  contra os vendavais que ameaçavam os navios da empresa capitalista, que singravam os mares imprevisíveis do mercado livre e da livre concorrência. É claro que eles mesmos também podiam  e as Relações Internacionais envolver na fabricação de armas, como o fizeram por muito tempo. Mas nesse exato momento os Estados, ou ao menos o Estado liberal britânico, preferiram chegar a um acordo com a empresa privada. Nos anos 1880, os produtores privados de armamento assinaram mais de um terço de seus contratos de fornecimento com as forças armadas; nos anos de 1890, 46%; nos anos 1900, 60%: o governo, incidentalmente, estava disposto a garantir-lhes dois terços. ” Não admire que as empresas de armamento estivessem entre os gigantes da indústria, ou passassem a estar: a guerra e a concentração capitalista caminhavam juntas. Krupp, na Alemanha, o rei dos canhões, empregava 16.000 pessoas em 1873, 24.000 em torno de 1890, 45.000 em torno de 1900 e quase 70.000 em 1912, quando 50.000 das famosas armas Krupp saíram da linha de produção. Na fábrica britânica Armstrong, Whitworth empregava 12.000 homens em suas instalações principais em Newcastle, que passaram a 20.000 ou mais de 40% de todos os metalúrgicos do Tyneside em 1914, sem contar os das 1.500 firmas menores que viviam de subempreitadas da Armstrong. Também eram muito rentáveis.

 

Como o moderno “complexo industrial-militar” dos EUA, essas concentrações industriais gigantescas não teriam sido nada sem a corrida armamentista dos governos. Assim sendo, é tentador responsabilizar tais “mercadores da morte” (a expressão se popularizou entre os pacifistas) pela “guerra de aço e ouro”, como a denominou um jornalista britânico. Não era lógico que a indústria de armas incentivasse a aceleração da corrida armamentista, inventando, se necessário, inferioridades nacionais ou “janelas de vulnerabilidade”, que podiam ser removidas através de lucrativos contratos? Uma firma alemã, especializada na fabricação de metralhadoras, conseguiu inserir uma nota no jornal Le Figaro para que o governo francês planejasse duplicar seu número de metralhadoras. Como conseqüência, o governo alemão fez uma encomenda de 40 milhões de marcos de tais armas em 1908-1910, aumentando assim os dividendos da firma de 20 a 32%, Uma firma britânica, argumentando que seu governo subestimara de modo grave o programa de rearmamento da marinha alemã, beneficiou-se com 250.000 libras esterlinas por cada encouraçado  encomendado pelo governo britânico, o que duplicou sua  construção naval. Pessoas elegantes e pouco visíveis,  como o grego Basil Zaharoff, atuando em nome da Vickers (e que mais tarde recebeu o título de cavaleiro pelos  serviços prestados aos aliados durante a Primeira Guerra Mundial), tomaram as providências necessárias para que a indústria de armamentos das grandes nações vendesse seus produtos menos vitais ou obsoletos a Estados do Oriente Próximo e da América Latina, que já estavam em condições de comprar tais utensílios. Em suma, o comércio internacional moderno da morte já estava bem encaminhado.

Contudo, a guerra mundial não pode ser explicada como uma conspiração de fabricantes de armas, mesmo fazendo os técnicos, com certeza, o máximo para convencer generais e almirantes, mais familiarizados com paradas militares do que com a ciência, de que tudo estaria perdido se eles não encomendassem o último tipo de arma ou navio de guerra. Não há dúvida de que a acumulação de armamentos, que atingiu proporções temíveis nos últimos cinco anos anteriores a 1914, tornou a situação mais explosiva. Não há dúvida de que havia chegado o momento, ao menos no verão europeu de 1914, em que a máquina inflexível que mobilizava as forças da morte não poderia mais ser  estocada.

 

Porém, a Europa não foi à guerra devido à corrida armamentista como tal, mas devido à situação internacional que lançou as nações nessa competição. A discussão sobre a gênese da Primeira Guerra Mundial tem sido ininterrupta desde agosto de 1914. Provavelmente correu mais tinta, mais árvores foram sacrificadas para fazer papel, mais
máquinas de escrever trabalharam para responder a essa pergunta do que a qualquer outra na história, inclusive, talvez o debate em torno da Revolução Francesa. A medida que as gerações se sucediam, que a política nacional e internacional ia sendo transformada, o debate foi ressurgindo. Mal a Europa mergulhara na catástrofe, os beligerantes começaram a se perguntar por que a diplomacia internacional não conseguira evitá-la e a atribuir-se mutuamente a responsabilidade. Aqueles que se opunham à guerra iniciaram imediatamente suas análises. A Revolução Russa de 1917, que publicou os documentos secretos do czarismo, acusou o imperialismo como um todo. Os aliados vitoriosos criaram a tese da “culpa de guerra, exclusivamente alemã”, pedra angular do tratado de paz de Versalhes de 1919 e geradora de um imenso fluxo de textos, documentários e de propaganda histórica a favor e,  sobretudo,  contra essa tese. Naturalmente, a Segunda Guerra Mundial fez esse debate ser retomado, e ele  foi revigorado alguns anos depois, quando tornou a surgir uma historiografia de esquerda na República Federal Alemã, que, ansiosa para romper com as ortodoxias conservadoras e patrióticas nazi-alemã, elaborou sua própria versão da responsabilidade da Alemanha. As discussões sobre os perigos para a paz mundial, que, por motivos óbvios, nunca cessaram após Hiroshima e Nagasaki, procuram inevitavelmente possíveis paralelos entre as origens das guerras mundiais passadas e as perspectivas internacionais atuais. Enquanto os propagandistas  preferiram a comparação com os anos anteriores à Segunda Guerra Mundial (“Munique”), os historiadores  encontraram cada vez mais similitudes entre os problemas dos anos 1980 e 1910. Assim, as origens da Primeira Guerra Mundial eram, uma vez mais, uma questão de importância candente e imediata. Nessas circunstâncias, qualquer historiador que  tente explicar, como deve fazer um historiador do nosso período, por que ocorreu a Primeira Guerra Mundial, mergulha em águas profundas e turbulentas.
Contudo, podemos ao menos simplificar essa tarefa eliminando perguntas a que o historiador não tem que responder. A mais importante delas é aquela da “culpa de guerra”, que se refere a um julgamento moral e político, mas tem a ver apenas perifericamente com os historiadores. Se estivermos interessados em saber por que um século de paz européia cedeu o lugar a uma época de guerras mundiais, perguntar de quem foi a culpa é tão fútil quanto  perguntar se Guilherme, o Conquistador, tinha um bom motivo legal para invadir a Inglaterra, a razão pela qual os guerreiros da Escandinávia partiram para conquistar numerosas áreas da Europa nos séculos X e XI.

É claro que nas guerras as responsabilidades muitas vezes podem ser identificadas. Poucos negariam que, nos anos 1930, a atitude da Alemanha era essencialmente agressiva e expansionista e que a de seus adversários era  essencialmente defensiva. Ninguém negaria que as guerras de expansão imperial em nossa época, como a Guerra Hispano-Americana de 1898 e a Sul-Africana de 1899-1902, foram provocadas pelos EUA e pela Grã-Bretanha e não por suas vítimas. Seja como for, todo mundo sabe que os governos de todos os Estados do século XIX, por mais  preocupados que estivessem com suas relações públicas, consideravam a guerra uma contingência normal da política internacional e eram honestos o bastante para admitir que bem podiam tomar a iniciativa militar. Os Ministérios da Guerra ainda não se chamavam, eufemisticamente, Ministérios da Defesa.
Contudo, é indubitável que nenhum governo de qualquer uma das grandes potências de antes de 1914 queria uma guerra européia generalizada, seja mesmo ao contrário dos anos 1850 e 1860 um conflito militar restrito com outra grande nação européia. Isto é conclusivamente demonstrado pelo fato de que nos lugares onde as ambições políticas das grandes nações entravam em conflito direto, ou seja, nas zonas ultramarinas de conquistas e partilhas coloniais, seus numerosos confrontos eram sempre resolvidos por algum acordo pacífico. Até as mais graves crises, as de Marrocos em 1906 e 1911, foram contornadas. As vésperas de 1914, os conflitos coloniais não pareciam mais colocar problemas insolúveis às várias nações concorrentes; fato que tem sido usado, de modo bastante ilegítimo, como argumento para afirmar que as rivalidades imperialistas foram irrelevantes na deflagração da Primeira Guerra Mundial.
É evidente que as nações estavam longe de ser pacíficas, quanto menos pacifistas. Elas se prepararam para uma guerra européia – às vezes erroneamente – mesmo seus ministros das Relações Exteriores fazendo o máximo para evitar o que eles unanimemente consideravam uma catástrofe. Nos  anos 1900, nenhum governo tinha objetivos que, como os de Hitler em 1930, só pudessem ser atingidos por meio da guerra ou da ameaça constante de guerra. Até a  Alemanha, cujo comandante do Estado-Maior defendeu em vão um ataque antecipado em 1904-1905 contra a França, enquanto sua aliada, a Rússia, estava imobilizada pela guerra e, mais tarde, pela derrota e pela revolução, só usou a oportunidade oferecida pela fraqueza e isolamento temporário da França para fazer avançar suas reivindicações imperialistas sobre Marrocos, um problema administrável em torno do qual ninguém pretendia começar, nem começou, uma guerra importante. Nenhum governo de potências importantes, nem os mais ambiciosos, frívolos e irresponsáveis, queriam uma guerra de grandes proporções. O velho imperador Francisco José, ao anunciar a deflagração dessa guerra a seus condenados súditos em 1914, estava sendo totalmente sincero ao dizer “Eu não quis que isso acontecesse” (“Ich hab es nicht gewollt”), mesmo tendo sido seu governo que, de fato, a provocou.
O máximo que se pode afirmar é que, a partir de um certo ponto do lento escorregar para o abismo, a guerra pareceu  tão inevitável que alguns governos decidiram que a melhor coisa a fazer seria escolher o momento mais propício, ou menos desfavorável, para iniciar as hostilidades. Afirma-se que a Alemanha procurou esse momento a partir de 1912, mas dificilmente poderia ter sido antes. Sem dúvida, durante a crise final de 1914, precipitada pelo irrelevante assassinato de um arquiduque austríaco por um estudante terrorista, numa cidade de província dos confins dos Bálcãs, a Áustria sabia que corria o risco de uma guerra mundial ao provocar a Sérvia; e a Alemanha, ao decidir dar total apoio à sua aliada, transformou o risco quase numa certeza. “A balança está pendendo contra nós”, disse o ministro da Guerra austríaco, em 7 de julho. Não era melhor guerrear antes que pendesse mais? A Alemanha seguiu a mesma linha de raciocínio. Apenas nessa linha restrita a pergunta sobre “culpa de guerra” tem algum sentido. Mas, como os acontecimentos mostraram no verão de 1914, ao contrário de crises anteriores, a paz fora anulada por todas as nações até pelos britânicos, que os alemães tinham esperanças parciais de que ficassem neutros, aumentando  assim suas chances de derrotar tanto a França como a Rússia. Nenhuma das grandes nações teria dado o golpe de misericórdia na paz, nem mesmo em 1914, se não estivesse convencida de que seus ferimentos já eram mortais.

Portanto, descobrir as origens da Primeira Guerra Mundial não equivale a descobrir “o agressor”. Ele repousa na natureza de uma situação internacional em processo de deterioração progressiva, que escapava cada vez mais ao controle dos governos. Gradualmente a Europa foi se  dividindo em dois blocos opostos de grandes nações. Tais blocos, fora de uma guerra, eram novos em si mesmos e derivavam, essencialmente, do surgimento no cenário europeu de um Império Alemão  Unificado, constituído entre 1864 e 1871 por meio da diplomacia e da guerra, às custas dos outros, e procurava se proteger contra seu principal perdedor, a França, através de alianças em tempos de paz, que geraram contra-alianças. As alianças, em si, embora implicassem a possibilidade da guerra, não a tornavam nem certa nem mesmo provável. Assim, o chanceler alemão Bismarck, que foi o campeão do jogo de xadrez  diplomático multilateral por quase trinta anos, após 1871 dedicou-se com exclusividade e sucesso à manutenção da paz entre as nações. Um sistema de blocos de nações só se tornou um perigo  para a paz quando as alianças opostas se consolidaram como permanentes, mas especialmente quando as disputas entre eles se transformaram em confrontos inadministráveis. Isto aconteceria no novo século. A pergunta crucial é: por que?
Contudo, não havia maiores diferenças entre as tensões internacionais que levaram à Primeira Guerra Mundial e as que são subjacentes ao perigo de uma terceira, que as pessoas, nos anos 1980, ainda esperam evitar. Nunca houve, desde 1945, a mínima dúvida quanto aos principais adversários numa terceira guerra mundial: os EUA e a URSS. Mas, em 1880, as coalizões de 1914 não eram previstas. Naturalmente, alguns aliados e inimigos potenciais eram fáceis de discernir. A Alemanha e a França estariam em lados opostos, quanto mais não fosse porque a Alemanha anexara grandes porções da França (Alsácia-Lorena) após sua vitória em 1871. Também não era difícil prever a permanência da aliança entre Alemanha e Áustria-Hungria, forjada por Bismarck após 1866, pois o equilíbrio interno do novo Império Alemão tornou essencial manter vivo o multinacional Império Habsburgo.

Sua desintegração em fragmentos nacionais não apenas levaria, como Bismarck bem sabia, à ruína do  sistema de Estados da Europa Central e Oriental, como destruiria também a base de uma “pequena Alemanha” dominada pela Prússia. De fato, ambas as coisas aconteceram após a Primeira Guerra Mundial. O traço diplomático mais permanente do período 1871-1914 foi a “Tríplice Aliança” de 1882, que na verdade era uma aliança austro-alemã, já que o terceiro participante, a Itália, logo se afastaria para finalmente se unir ao campo antialemão em 1915.
Uma vez mais era óbvio que a Áustria, envolvida nos turbulentos assuntos dos Bálcãs devido a seus problemas multinacionais, e, mais profundamente que nunca, depois de ter conquistado a Bósnia-Herzegovina em 1878, se achava em oposição à Rússia naquela região. Embora Bismarck tenha feito o máximo para manter relações estreitas com a Rússia, era previsível que cedo ou tarde a  Alemanha seria forçada a escolher entre Viena e São Petersburgo e que só podia optar por Viena.
Ademais, uma vez que a Alemanha tinha desistido da opção russa, como aconteceu no final da década de 1880, era lógico que a Rússia e a França se unissem, como de fato o fizeram, em 1891. Friedrich Engels cogitara  dessa aliança  ainda nos anos 1880, naturalmente dirigida contra a Alemanha. Assim sendo, no início da década de 1890, dois grupos de nações se enfrentavam na Europa inteira. Embora as relações internacionais tenham ficado mais tensas, não era inevitável uma guerra européia generalizada, quanto mais não seja porque os problemas que separavam a França da Alemanha (ou seja a Alsácia-Lorena) não tinham interesse para a Áustria, e os que representavam um risco de conflito entre a Áustria e a Rússia (o nível de influência da Rússia nos Bálcãs) eram insignificantes para a Alemanha. Os Bálcãs, observou Bismarck, não valiam os ossos de um único granadeiro pomeraniano. A França não tinha reais brigas com a Áustria, nem a Rússia com a Alemanha. Por isso, os problemas que separavam a França da Alemanha, embora permanentes, dificilmente seriam considerados merecedores de uma guerra pela maioria dos franceses, e os que separavam a Áustria da Rússia, embora como 1914 mostrou potencialmente mais graves, só se
colocavam intermitentemente. Três problemas transformaram o sistema de aliança numa bomba-relógio: a situação do fluxo internacional, desestabilizado por novos problemas e ambições mútuas entre as nações, a lógica do planejamento militar conjunto que congelou os blocos que se confrontavam, tornando-os permanentes, e a integração de uma quinta grande nação, a Grã-Bretanha, a um dos blocos (ninguém se preocupou muito com as tergiversações da Itália, que só era uma “grande nação” por cortesia internacional). Entre 1903 e 1907, para surpresa geral, incluindo a sua própria, a Grã-Bretanha se uniu ao lado antialemão. A origem da Primeira Guerra Mundial pode ser melhor entendida acompanhando-se o surgimento desse antagonismo anglo-germânico.
A Tríplice Entente foi surpreendente tanto para os inimigos como para os aliados britânicos. No passado, a Grã-Bretanha não tinha tradição nem qualquer motivo permanente de atrito com a Prússia e o mesmo parecia ser  verdade em relação à super-Prússia conhecida agora como Império Alemão. Por  outro lado, a Grã-Bretanha fora antagonista quase automática da França em quase todas as guerras européias desde 1688. Mesmo isso não sendo mais verdade, quanto mais não fosse porque a França deixara de ser capaz de dominar o continente, o atrito entre os dois países era visivelmente crescente, ao menos porque entre ambas competiam pelo mesmo território e influência como nação imperialista. Assim, as relações eram pouco amistosas no que tange ao Egito, cujo controle era cobiçado por ambas, mas foi tomado pelos britânicos (junto com o Canal de Suez, financiado pela França). Durante a crise de Fashoda, de 1898, pareceu que haveria derramamento de sangue, pois as tropas coloniais rivais britânicas e francesas se enfrentaram no interior do Sudão. Na divisão da África, os ganhos de um eram, no mais das vezes, às custas do outro. No que tange à Rússia, os impérios britânico e czarista haviam sido antagonistas permanentes na zona dos Bálcãs e do Mediterrâneo, da assim chamada “Questão Oriental” e nas áreas, mal definidas, porém amargamente disputadas, da Ásia Central e Ocidental que ficavam entre a Índia e as terras do czar: Afeganistão, Irã e as regiões com saída para o Golfo Pérsico.

A perspectiva de ver russos em Constantinopla e, portanto, no Mediterrâneo e de uma expansão russa  em direção à Índia era um pesadelo constante para os chanceleres britânicos. Os dois países haviam inclusive se enfrentado na única das guerras européias do século XVIII de que a Grã-Bretanha participou (a Guerra da Criméia) e nos anos 1870 uma guerra russo-britânica era muito provável. Dado o modelo consagrado de diplomacia britânica, uma guerra contra a Alemanha era uma possibilidade tão remota que devia ser ignorada. Uma aliança permanente com qualquer nação continental parecia incompatível com a manutenção do equilíbrio de poder, que era o principal objetivo da política externa britânica. Uma aliança com a França seria considerada improvável, uma com a Rússia quase impensável. Contudo, o implausível se tornou realidade: a Grã-Bretanha se vinculou de forma permanente à França e à Rússia contra a Alemanha, resolvendo todas as diferenças com a Rússia, a ponto de concordar com a ocupação, por esta, de Constantinopla oferta que desapareceu do horizonte com a Revolução Russa de 1917. Como e por que se produziu essa surpreendente transformação? Aconteceu porque ambos os jogadores, bem como as regras do jogo tradicional da diplomacia internacional, mudaram. Em primeiro lugar, o tabuleiro em que era jogado ficou muito major. A rivalidade entre as potências, confinada antes em grande medida à Europa e áreas adjacentes (com exceção dos britânicos), era agora global e imperial fora a maior parte das Américas, destinada  com exclusividade à expansão imperial dos EUA pela Doutrina Monroe de Washington. Agora era igualmente  provável que as disputas internacionais que tinham que ser resolvidas, para não degenerarem em guerras,  ocorressem na África Ocidental e no Congo nos anos 1880, na China no final da década de 1890, no Magreb (1906, 1911) e no corpo em decomposição do Império Otomano, muito mais provavelmente que em torno de qualquer problema na Europa não-balcânica. Ademais, agora havia mais dois jogadores: os EUA que, embora ainda evitando envolvimento com problemas europeus, desenvolviam um expansionismo ativo no Pacífico e no Japão. Na verdade, a aliança britânica com o Japão (1902) foi o primeiro passo rumo à Tríplice Aliança, pois a existência daquela nova potência, que em breve mostraria que podia inclusive derrotar o Império czarista na guerra, reduziu a ameaça que a Rússia representava para a Grã-Bretanha, fortalecendo assim a posição britânica. Tornou, portanto, possível o esvaziamento de antigas disputas russo-britânicas.
A globalização do jogo de poder internacional transformou automaticamente a situação do país, que fora até então a única das grandes potências com objetivos políticos realmente mundiais. Não é exagero dizer que durante a maior parte do século XIX a função da Europa nos cálculos diplomáticos britânicos era ficar quieta para que a Grã- Bretanha pudesse dar continuidade às suas atividades, principalmente econômicas, no resto do planeta. Esta era a essência da combinação característica de um equilíbrio europeu de poder com a Pax Britannica, garantido pela única marinha de dimensões mundiais, que controlava todos os oceanos e orlas marítimas do globo. Em meados do século XIX, todas as outras marinhas do mundo, juntas, mal ultrapassavam o tamanho da marinha britânica sozinha. No final do século já não era assim.
Em segundo lugar, com o surgimento de uma economia industrial capitalista mundial, o jogo internacional se  desenrolava em torno de apostas bastante diferentes. Isso não significa que, adaptando a famosa frase de  Clausewitz, a guerra agora fosse apenas a continuação da concorrência econômica por outros meios. Esta opinião tentou os deterministas históricos à época, quanto mais não fosse porque observavam muitos exemplos de expansão econômica por meio de metralhadoras e canhoneiras. Entretanto, era uma simplificação grosseira. Mesmo tendo o desenvolvimento capitalista e o imperialismo responsabilidade na derrapagem descontrolada do mundo em direção a um conflito mundial, é impossível argumentar que muitos dos capitalistas fossem provocadores conscientes da guerra. Qualquer estudo imparcial das publicações do setor de negócios, da correspondência particular e comercial dos homens de negócios, de suas declarações públicas enquanto porta-vozes dos bancos, do comércio e da indústria mostra, de modo bastante conclusivo, que a maioria dos homens de negócios achava a paz internacional vantajosa para eles. De fato, a guerra em si era aceitável somente na medida em que não interferisse nos “negócios como de costume”, e a principal objeção do jovem economista Keynes (que ainda não era um reformador radical de sua área) era que a guerra não apenas matava seus amigos, mas também inviabilizava uma política econômica baseada nos “negócios como de costume”. Havia, naturalmente, expansionistas econômicos belicosos, mas o jornalista liberal Norman Angell exprimia quase com certeza o consenso do mundo dos negócios: a crença de que a guerra beneficiava o capital era “A Grande Ilusão”, título de seu livro de 1912.
De fato, por que os capitalistas mesmo os industriais, com a possível exceção dos fabricantes de armas desejariam  perturbar a paz internacional, quadro essencial de sua prosperidade e expansão, se o tecido da liberdade  internacional para negociar e o das transações financeiras dependiam dela? Evidentemente, os que foram bem-sucedidos na concorrência internacional não tinham motivos de queixa. Os perdedores pediriam, naturalmente, proteção econômica a seus governos, o que é, contudo, muito diferente de pedir guerra. Ademais, o maior dos perdedores potenciais, a Grã-Bretanha, resistiu até contra esses pedidos, e seus interesses econômicos permaneceram, em sua esmagadora maioria, vinculados à paz, apesar do constante temor da concorrência alemã, ruidosamente expressa nos anos 1890, e da penetração já efetiva do capital alemão e americano no mercado interno britânico. No que tange às relações anglo-americanas, podemos inclusive ir mais longe. Se apenas a  concorrência econômica bastasse para uma guerra, a rivalidade anglo-americana deveria, logicamente, ter preparado o terreno para um conflito militar como alguns marxistas do entre-guerra ainda pensavam que fosse ocorrer. Contudo, foi precisamente nos anos 1900 que o Estado-Maior imperial britânico abandonou até os mais remotos planos de emergência para uma guerra anglo-americana. Daí em diante, essa possibilidade ficou totalmente excluída.

O equilíbrio se rompe: a Grande Guerra
No entanto, o desenvolvimento do capitalismo empurrou o mundo, inevitavelmente, em direção a uma rivalidade entre os Estados, à expansão imperialista, ao conflito e à guerra. Após 1870, como os historiadores mostraram, “a passagem do monopólio à concorrência talvez tenha sido o fator isolado mais importante na preparação da mentalidade propícia ao empreendimento industrial e comercial europeu. Crescimento econômico também era luta econômica, luta que servia para separar os fortes dos fracos, para desencorajar alguns e endurecer outros, para favorecer as nações novas e famintas às custas das antigas. O otimismo em relação a um futuro de progresso indefinido cedeu lugar à incerteza e a um sentimento de agonia, no sentido clássico do termo. Tudo isso, por sua vez, reforçando e sendo  reforçado pelo acirramento das rivalidades políticas , as duas formas de concorrência que surgiam”.

A economia mundial deixara totalmente de ser, como fora em meados do século XIX, um sistema solar girando em torno de uma estrela única, a Grã-Bretanha. Embora as transações financeiras e comerciais do planeta ainda, na verdade cada vez mais, passassem por Londres, a Grã-Bretanha já não era, evidentemente, a “oficina do mundo”, nem seu principal mercado importador. Ao contrário, seu declínio relativo era patente. Um certo número de economias industriais nacionais agora se enfrentavam mutuamente. Sob tais circunstâncias, a concorrência econômica passou a estar intimamente entrelaçada com as ações políticas, ou mesmo militares, do Estado. O ressurgimento do protecionismo durante a Grande Depressão foi a primeira conseqüência dessa fusão. Do ponto de vista do capital, o apoio político passaria a ser essencial para manter a concorrência estrangeira à distância, e talvez também essencial em regiões do mundo onde as empresas de economias industriais nacionais competiam umas
com as outras. Do ponto de vista dos Estados a economia passou a ser desde então tanto a base mesma do poder internacional como seu critério. Agora era impossível conceber uma grande nação”, que não fosse ao mesmo tempo uma “grande economia”, transformação ilustrada pelo ascenso dos EUA e pelo enfraquecimento relativo do Império Czarista.
Inversamente, as transformações que ocorreram no poder econômico, que mudaram automaticamente o equilíbrio entre força política e militar, não acarretariam uma redistribuição de papéis no cenário internacional? Esta era uma opinião francamente popular na Alemanha, cujo  assombroso crescimento industrial lhe conferiu um peso internacional incomparavelmente maior que o que tivera a Prússia. Não foi por acaso que entre os alemães nacionalistas de 1890, o velho cântico patriótico “O sentinela do Reno”, dirigido exclusivamente contra os franceses, perdeu rapidamente terreno frente às ambições globais do “Deutschland über Alles”, que se tornou, de fato, o hino nacional alemão, embora ainda não oficialmente.
O que tornou essa identificação entre poder econômico e político-militar tão perigosa foram não apenas as rivalidades nacionais pelos mercados mundiais e recursos materiais e pelo controle de regiões, como no Oriente Próximo e Médio, onde os interesses econômicos e estratégicos tantas vezes se  sobrepunham. Bem antes de 1914, a petro-diplomacia já era um fator crucial no Oriente Médio, sendo vitoriosas a Grã-Bretanha e a França, as empresas de petróleo ocidentais (mas ainda não americanas) e um intermediário armênio, Calouste Gulbenkian, que garantiu 5% para si próprio. Inversamente, a penetração econômica e estratégica alemã no Império Otomano já preocupava os britânicos e ajudou a situar a Turquia do lado da Alemanha durante a guerra. Mas a novidade da situação residia em que,  dada à fusão entre economia e política, nem a divisão pacífica das áreas disputadas em “zonas de influência” podia manter a rivalidade internacional sob controle. A única coisa que poderia controlá-la como sabia Bismarck, que a administrou com incomparável habilidade entre 1871 e 1889 ,era a limitação deliberada de objetivos. Se os Estados pudessem definir seus objetivos diplomáticos com precisão, uma determinada mudança nas fronteiras, um casamento dinástico, uma “compensação” definível pelos avanços de outros Estados, tanto o cálculo como o acordo seriam possíveis. Mas nenhuma das duas excluía, como o próprio Bismarck comprovara entre 1862 e 1871, o conflito militar controlado.
Mas o traço característico da acumulação capitalista era justamente não ter limite. As “fronteiras naturais” da Standard Oil, do Deutsche Bank, da De Beers Diamond Corporation estavam situadas nos confins do universo, ou antes, nos limites de sua capacidade de expansão. Foi este aspecto dos novos padrões da política mundial que desestabilizou as estruturas da política mundial tradicional. Enquanto o equilíbrio e a estabilidade permaneciam como a condição fundamental das nações européias em suas relações recíprocas, em outros lugares nem as mais pacíficas hesitavam em recorrer à guerra contra os fracos. Tinham sem dúvida, como vimos, o cuidado de manter seus conflitos coloniais sob controle. Estes nunca pareceram constituir causus belli para uma guerra de grandes proporções, mas com certeza precipitaram a formação de blocos internacionais e finalmente beligerantes: o que se tornou o bloco anglo-franco-russo começou com o “entendimento cordial” anglo-francês (Entente Cordiale) de 1904, essencialmente uma negociação imperialista através da qual os franceses desistiram de reivindicar o Egito, e, em troca, a Grã-Bretanha apoiaria suas reivindicações relativas ao Marrocos, uma vítima, na qual a Alemanha também estava de olho. Entretanto, todas as nações, sem exceção, estavam com ânimo expansionista e conquistador. Até a Grã-Bretanha, cuja postura era fundamentalmente defensiva, dado que seu problema era como proteger seu domínio global, até então incontestado, contra os novos intrusos atacou as repúblicas sul-africanas; ela também não hesitou em pensar em dividir as colônias de outro Estado europeu, Portugal, com a Alemanha. No oceano do planeta, todos os Estados eram tubarões e todos os estadistas sabiam disso.

Mas o que tornou o mundo um lugar ainda mais perigoso foi a equação tácita de crescimento econômico ilimitado e poder político, que veio a ser aceita inconscientemente. Assim, o imperador alemão pediu, nos anos 1890, “um lugar ao sol” para seu Estado. Bismarck poderia ter reivindicado o mesmo e, de fato, conquistara um lugar muitíssimo mais poderoso no mundo para a nova Alemanha do que a Prússia jamais desfrutara. Contudo, Bismarck podia definir as dimensões de suas ambições, evitando cuidadosamente entrar no terreno das zonas sem controle, ao passo que para Guilherme II a frase se tornou um mero slogan sem conteúdo concreto. Formulava simplesmente um princípio de proporcionalidade: quanto mais poderosa for a economia de um país, maior será sua população, maior o lugar internacional de sua nação-Estado. Assim, não havia limites teóricos ao lugar que ele podia sentir que lhe cabia. Como dizia a frase nacionalista: “Heute Deutschland, morgen die ganze Welt” (Hoje a Alemanha, amanhã o mundo inteiro). Tal dinamismo ilimitado pode ser expresso na retórica política, cultural ou nacionalista-racista: mas o real denominador comum dos três níveis era a necessidade imperiosa de expandir uma economia capitalista maciça, observando suas curvas estatísticas dispararem para cima. Sem isso sua significação seria tão reduzida como, digamos, a dos intelectuais poloneses do século XIX, que acreditavam numa missão messiânica de seu (então não existente) país no mundo.

Em termos práticos, o perigo não era a Alemanha se propor concretamente a tomar o lugar britânico de potência mundial, embora a retórica da agitação nacionalista alemã tenha prontamente batido na tecla antibritânica. O perigo residia antes em que um poder global exigia uma marinha global, e a Alemanha empreendeu (1897), portanto, a construção de uma grande esquadra de guerra, que tinha a vantagem incidental de representar não os velhos estados alemães, mas exclusivamente a nova Alemanha unificada, com um oficialato que representava não os junkers prussianos ou qualquer outra tradição guerreira aristocrática, mas a nova classe média, ou seja, a nova nação. O próprio almirante Tirpitz, paladino da expansão naval, negou ter planejado uma marinha capaz de derrotar a britânica, afirmando que só queria uma força naval ameaçadora o bastante para forçar a Grã-Bretanha a apoiar
as suas rei vindicações globais e, especialmente, coloniais. Além disso, seria possível esperar-se que um país do porte da Alemanha não tivesse uma marinha à altura de sua importância?

Do ponto de vista britânico, a construção de uma esquadra de guerra alemã mais que um mero aumento da tensão para sua marinha já excessivamente comprometida a nível mundial e já superada pela soma das esquadras das nações rivais, antigas e modernas significava o aumento das dificuldades em manter, sequer, seu objetivo mais modesto: o de ser mais forte que as duas outras maiores marinhas combinadas (o “padrão duas potências”). Ao contrário de todas as outras, as bases da esquadra alemã estavam inteiramente no Mar do Norte, de frente para a Inglaterra.

Seu objetivo não podia ser outro senão o conflito com a marinha britânica. Do ponto de vista britânico, a Alemanha era essencialmente um poder continental e, como importantes estudiosos da geopolítica como Sir Halford Mackinder destacaram (1904), as grandes nações desse tipo já têm vantagens substanciais em relação a uma ilha de tamanho médio. Os interesses marítimos alemães legítimos eram visivelmente marginais, ao passo que o Império Britânico dependia profundamente de suas rotas marítimas, e de fato deixara os continentes (exceto a Índia) aos exércitos de Estados cujo elemento era a terra. Mesmo se a esquadra de guerra alemã não fizesse absolutamente nada, inevitavelmente imobilizaria navios britânicos, dificultando, ou até impossibilitando, o controle naval britânico sobre águas consideradas vitais como o Mediterrâneo, o Oceano Indico e a orla do Atlântico.

O que para a Alemanha era um símbolo de status internacional e de ambições mundiais indefinidas, para o Império Britânico era uma questão de vida ou morte. As águas americanas podiam e foram em 1901 deixadas a cargo de um país amigo, os EUA; as águas do Extremo Oriente foram deixadas a cargo dos EUA e do Japão, porque à época ambos eram nações com interesses puramente regionais, que de qualquer maneira não pareciam incompatíveis com os britânicos. A marinha alemã, mesmo como marinha regional, o que não mais pretendia ser, era uma ameaça tanto para as ilhas britânicas, como para a posição mundial do Império Britânico. A Grã- Bretanha defendeu ao máximo a preservação do status quo e a Alemanha sua modificação inevitavelmente, mesmo se não intencionalmente, às custas da Grã-Bretanha. Nessas circunstâncias e dada a rivalidade econômica entre as indústrias dos dois países, não admira que a Grã-Bretanha considerasse a Alemanha o mais provável e perigoso de seus adversários potenciais.

Era lógico que se aproximasse da França e uma vez o perigo russo minimizado pelo Japão da Rússia, ainda mais porque a derrota russa destruíra, pela primeira vez na memória das pessoas ainda vivas, o equilíbrio entre as nações do continente europeu que os chanceleres britânicos tinham dado por certo durante tanto tempo.

Este fato revelou que a Alemanha era a força militar dominante na Europa, de longe, a mais temível. Esses foram os antecedentes da surpreendente Tríplice Entente anglo-franco-russa. A divisão da Europa nos dois blocos hostis levou quase um quarto de século, da formação da Tríplice Aliança (1882) à configuração da Tríplice Entente (1907). Não precisamos acompanhar o período, ou os acontecimentos subseqüentes, através do labirinto de todos os seus detalhes. Estes apenas demonstram que o atrito internacional no período do imperialismo era global e endêmico, que ninguém, ainda menos os britânicos, sabia muito bem em que direção as contracorrentes dos interesses, temores e ambições, suas e de outras nações, os estavam levando, e, embora o sentimento de que estariam levando a Europa rumo a uma guerra importante fosse generalizado, nenhum dos governos sabia muito bem o que fazer a esse respeito. Falharam inúmeras tentativas de romper o sistema de blocos, ou ao menos de mitigá-lo por meio de aproximação entre os blocos: entre Grã-Bretanha e Alemanha, Alemanha e Rússia, Alemanha e França, Rússia e Áustria. Os blocos, fortalecidos por planos inflexíveis de estratégia e mobilização, tornaram-se mais rígidos; o continente foi incontrolavelmente arrastado para a batalha por meio de uma série de crises internacionais que, após 1905, cada vez mais eram solucionadas por “malabarismo político” isto é, pela ameaça da guerra.

A partir de 1905, a desestabilização da situação internacional, como conseqüência da nova vaga de revoluções na periferia das sociedades plenamente “burguesas”, acrescentou material inflamável novo a um mundo que já estava prestes a pegar fogo. Houve a revolução russa de 1905, que deixou o Império Czarista temporariamente incapacitado, encorajando a Alemanha a insistir em suas reivindicações no Marrocos, intimidando a França. Berlim foi forçada a recuar na conferência de Algeciras (janeiro de 1906) devido ao apoio britânico à França, em parte porque uma guerra de grandes proporções por causa de um problema puramente colonial era pouco atraente politicamente, em parte porque a marinha alemã ainda se sentia excessivamente fraca para enfrentar uma guerra contra a marinha britânica. Dois anos depois, a Revolução Turca destruiu os acordos, cuidadosamente construídos, que visavam ao equilíbrio internacional no sempre explosivo Oriente Próximo. A Áustria aproveitou a oportunidade para anexar formalmente a Bósnia-Herzegovina (que anteriormente apenas administrava), precipitando assim uma crise com a Rússia, resolvida apenas com a ameaça de um apoio militar alemão à Áustria. A terceira grande crise internacional, em torno do Marrocos em 1911, tinha reconhecidamente pouco a ver com a revolução e tudo a ver com o imperialismo e com as duvidosas operações de homens de negócios piratas, que perceberam suas múltiplas possibilidades. A Alemanha enviou uma canhoneira disposta a se apoderar do porto de Agadir, ao sul do Marrocos, no intuito de obter alguma “compensação” dos franceses por seu “protetorado” iminente sobre o Marrocos, mas foi forçada a recuar pelo que pareceu ser uma ameaça britânica, a de ir à guerra do lado dos franceses; rrelevante se isso foi mesmo proposital ou não.

fig3

A crise de Agadir demonstrou que quase todo confronto entre duas potências importantes agora as levava à beira da guerra. Quando prosseguiu o desmoronamento do Império Turco, com a Itália atacando e ocupando a Líbia, em 1911, e a Sérvia, a Bulgária e a Grécia empreendendo a expulsão dos turcos da península balcânica, em 1912, todas as nações estavam imobilizadas, tanto pela relutância em antagonizar um aliado potencial como a Itália, até então não comprometida com nenhum dos dois lados, como pelo medo de serem arrastadas a problemas incontroláveis pelos Estados balcânicos. Em 1914 ficou provado que tinham razão. Congeladas na imobilidade, viram a Turquia ser quase empurrada para fora da Europa e uma segunda guerra entre os Estados pigmeus balcânicos vitoriosos redesenhar o mapa dos Bálcãs em 1913. O máximo que as potências européias conseguiram foi criar um Estado independente na Albânia (1913), sob o príncipe alemão de costume, embora os albaneses que se preocupavam com o assunto preferissem um aristocrata inglês independente, que mais tarde inspirou as novelas de aventuras de John Buchan. A crise balcânica seguinte foi precipitada em 28 de junho de 1914, quando o herdeiro do trono austríaco, o arquiduque Francisco Fernando, visitou a capital da Bósnia, Sarajevo.

O que tornou a situação ainda mais explosiva foi que, justamente nesse período, a política interna das principais potências empurrou sua política externa para a zona de perigo. Após 1905, os mecanismos políticos que serviam para administrar estavelmente os regimes começaram visivelmente a  ruir. Tornou-se cada vez mais difícil controlar, e ainda mais absorver e integrar, as mobilizações e contramobilizações dos súditos em via de se transformarem em cidadãos democráticos. A própria política democrática encerrava um elemento de alto risco, até num Estado como a Grã-Bretanha, que mantinha a verdadeira política externa cuidadosamente oculta, não apenas do Parlamento, como também de parte do gabinete liberal. O que fez a crise de Agadir avançar de uma ocasião de conchavo político potencial a uma confrontação de soma zero foi um discurso público de Lloyd George, que parecia não deixar à Alemanha outra opção além da guerra ou do recuo. A política não democrática era pior ainda. Seria possível não afirmar “que as principais causas da trágica deflagração européia de julho de 1914 foram a incapacidade das forças democráticas da Europa central e oriental controlarem os elementos militaristas de suas sociedades e a rendição dos autocratas, não a seus súditos democráticos leais, mas a seus conselheiros militares irresponsáveis”? E, pior que tudo, os países que estavam enfrentando problemas insolúveis, não se sentiriam tentados a apostar na solução propiciada por um triunfo externo, especialmente quando seus conselheiros militares lhes diziam que, desde que a
guerra era certa, o melhor momento para agir era agora?

Não era, certamente, o caso na Grã-Bretanha e na França, apesar de seus problemas Foi provavelmente o caso na Itália, embora, felizmente, o aventureirismo italiano sozinho não pudesse deflagrar a guerra mundial. Foi o caso na Alemanha? Os historiadores continuam discutindo sobre o efeito da política interna alemã na sua política externa. Parece claro que (como em todas as outras nações) a agitação de direita nas bases incentivou e ajudou a corrida armamentista competitiva, especialmente no mar. Afirmou-se que a inquietação dos trabalhadores e o avanço eleitoral da social-democracia fizeram com que as elites dirigentes se interessassem em desarmar o problema interno por meio do êxito externo. Sem dúvida, havia muitos conservadores que, como o duque de Ratibor, pensavam que era necessária uma guerra para restaurar a antiga ordem, como em 1864-1871.

Provavelmente essa idéia não fez nada mais do que tornar os civis menos céticos em relação aos argumentos de seus generais belicosos. Foi o caso na Rússia? Sim, na medida em que o czarismo, restaurado após 1905 com modestas concessões à liberalização política, viu provavelmente no apelo ao nacionalismo da Grande Rússia e à glória da força militar, sua estratégia mais promissora, com vistas a renascer e se fortalecer. E de fato, se não fosse pela lealdade firme e entusiástica das forças armadas, a proximidade de uma revolução teria sido maior em 1913-1914, que em qualquer outro momento entre 1905 e 1917. Contudo, em 1914 a Rússia com toda certeza não queria a guerra.

Entretanto, havia uma nação que não podia senão apostar sua existência no jogo militar, porque sem ele parecia condenada: a Áustria-Hungria, dilacerada desde meados da década de 1890 por problemas nacionais cada vez mais inadministráveis, dos quais os dos eslavos do sul pareciam ser os mais recalcitrantes e perigosos, por três motivos. Primeiro, porque não só causavam transtornos, como as outras nacionalidades politicamente organizadas no império multinacional, que disputavam vantagens umas às outras, como também complicavam as coisas ao pertencer tanto ao governo de Viena, lingüisticamente flexível, como ao de Budapeste, implacavelmente magiar. A agitação dos eslavos no sul da Hungria, além de transbordar para a Áustria, agravou as sempre difíceis relações entre as duas metades do império. Segundo, porque o problema dos eslavos da Áustria não podia ser desenraizado da política balcânica e, na verdade, ambos estavam ainda mais entrelaçados desde a ocupação da Bósnia, em 1878. Ademais, já existia um Estado independente eslavo no sul, a Sérvia (sem contar Montenegro, um homérico pequeno Estado montanhoso de pastores de cabras hostis, pistoleiros e príncipes-bispos apreciadores das inimizades feudais e sangrentas e da composição de épicos heróicos), o que podia ser uma tentação para os eslavos do sul dissidentes no  império. Terceiro, porque a derrocada do Império Otomano praticamente condenou o Império Habsburgo, salvo se este pudesse demonstrar, sem sombra de dúvida, que ainda era uma grande nação nos Bálcãs, onde ninguém podia se meter.

Até o fim de seus dias, Gavrilo Princip, o assassino do arquiduque Francisco Fernando, não conseguiu acreditar que sua minúscula iniciativa tivesse ateado fogo ao mundo. A crise final de 1914 foi tão inesperada, tão traumática e, vista retrospectivamente, tão persistente porque foi, essencialmente, um incidente na política austríaca que exigia, na opinião de Viena, que se “desse uma lição na Sérvia”.

A atmosfera internacional parecia calma. Nenhum ministério das relações exteriores esperava problemas em junho de 1914, e personalidades públicas há décadas eram assassinadas com uma certa freqüência. Em princípio, ninguém se preocupou com o fato de uma grande nação intervir pesadamente num vizinho pequeno e problemático. Desde, então cerca de cinco mil livros foram escritos para explicar o aparentemente inexplicável: como, dentro de pouco mais de cinco semanas após Sarajevo, a Europa se encontrava em guerra. A resposta imediata parece agora tão clara, como simples: a Alemanha decidiu dar apoio total à Áustria, ou seja, não acalmar a situação. O resto seguiu-se inexoravelmente. Pois, em 1914, qualquer confronto entre os blocos em que se esperasse que um dos do is lados recuasse, os levava à beira da guerra. Além de um certo ponto, as mobilizações inflexíveis das forças militares, sem as quais tal confronto não mereceria credibilidade, não podiam retroceder. A desmobilização não poderia mais desmobilizar, mas apenas destruir. Em 1914, qualquer incidente, por mais aleatório que fosse, até a ação de um terrorista estudantil ineficaz num canto perdido do continente, podia levar a esse confronto, se alguma nação isolada, presa ao sistema de bloco e contrabloco, escolhesse levá-lo a sério. Assim, a guerra chegou e, em circunstâncias comparáveis, chegaria outra vez.

Em suma , as crises internas e internacionais, nos últimos anos anteriores a 1914, fundiram-se. A Rússia uma vez mais ameaçada pela revolução social, a Áustria desafiada pela desintegração de um império múltiplo não mais controlável, e até a Alemanha polarizada e talvez ameaçada pelo imobilismo devido a suas divisões políticas, todos eles pendiam para o lado de seus militares e suas soluções. Até a França, unida por uma relutância a pagar impostos e, portanto, a conseguir as verbas necessárias para um rearmamento maciço (era mais fácil prolongar outra vez o serviço militar para três anos), elegeu em 1913 um presidente que conclamou à vingança contra a Alemanha e emitiu ruídos belicosos, fazendo eco aos generais que agora, com otimismo assassino, abandonavam uma estratégia defensiva por um assalto ofensivo do outro lado do Reno. Os britânicos preferiam os navios de guerra aos soldados: a marinha sempre fôra popular, uma glória nacional passível de ser aceita pelos liberais como protetora do comércio. As cicatrizes navais tinham charme político, ao contrário da reforma do exército. Poucos, mesmo entre seus políticos, perceberam que os planos para uma guerra conjunta com a França implicava um exército maciço e finalmente a convocação, e de fato não tinham em vista nada além de uma guerra basicamente naval e comercial. Contudo, embora o governo britânico tenha se mantido pacífico até o último momento ou antes, se recusou a tomar posição, temendo uma divisão do governo liberal, ele não podia pensar em ficar fora da guerra. Felizmente, a invasão alemã da Bélgica, há muito preparada pelo plano Schlieffen, propiciou a Londres uma cobertura moral para  necessidades diplomáticas e militares.

Mas como reagiriam as massas da Europa a uma guerra que não podia senão ser uma guerra de massas, já que todos os beligerantes, salvo os britânicos, se prepararam para lutar com exércitos de recrutas de enormes dimensões? Em agosto de 1914, antes mesmo da deflagração das hostilidades, 19 milhões e potencialmente 50 milhões de homens armados estavam frente a frente de um lado e de outro das fronteiras. Qual seria a atitude dessas massas quando convocadas e qual seria o impacto da guerra entre os civis, especialmente se, como alguns militares  argutamente suspeitavam, embora quase não levando o dado em conta em seus planos, a guerra não terminasse rapidamente? Os britânicos eram particularmente sensíveis a esse problema, pois dispunham apenas de voluntários para reforçar seu exército regular modesto de 20 divisões (comparado com 74 da França, 94 da Alemanha e 108 da Rússia), porque as classes trabalhadoras eram sustentadas, sobretudo com alimentos despachados de navio do ultramar, o que era extremamente vulnerável a um bloqueio, e porque nos anos imediatamente anteriores à guerra, o governo enfrentara agitação e tensão sociais inéditas na memória das pessoas vivas à época, e uma situação explosiva na Irlanda. “A atmosfera de guerra”, pensou o ministro liberal John Morley, “não pode ser propícia à ordem num sistema democrático que está à beira do espírito de 1848”. Mas a atmosfera interna das outras nações também era de natureza a inquietar seus governos. É um erro pensar que em 1914 os governos se precip itaram à guerra para desativar suas crises sociais internas. No máximo, calcularam que o patriotismo minimizaria as resistências mais graves e a não-cooperação.

Nisso eles estavam certos. A oposição liberal, humanitária e religiosa à guerra sempre fora insignificante na prática, embora nenhum governo (com a exceção eventual da Grã-Bretanha) estivesse disposto a reconhecer uma recusa a prestar serviço militar por objeção de consciência. Os movimentos trabalhista e socialista organizados, em seu conjunto, se opunham ardentemente ao militarismo e à guerra, e o Partido Trabalhista e a Internacional Socialista inclusive se engajaram, em 1907, numa greve geral internacional contra a guerra, mas políticos teimosos não levaram o fato muito a sério, embora um extremista de direita tenha assassinado o grande líder e orador socialista francês Jean Jaurès poucos dias antes da guerra, quando ele tentava desesperadamente salvar a paz.
Os principais partidos socialistas foram contra essa greve, poucos acreditavam que fosse viável e, de qualquer maneira, como Jaurès reconheceu “uma vez deflagrada a guerra, não podemos fazer mais nada”. Como vimos, o ministro do Interior da França nem se incomodou em prender os perigosos militantes antiguerra, dos quais a polícia preparara cuidadosamente uma lista com esse intuito. A dissidência nacionalista não demonstrou imediatamente ser um fator grave. Em suma, a convocação do governo ao alistamento não enfrentou uma real resistência.

Mas os governos se enganaram no que tange a um ponto crucial: foram pegos totalmente de surpresa, assim como os que se opunham à guerra, pela extraordinária vaga de entusiasmo patriótico com que seus povos pareciam mergulhar num conflito no qual ao menos 20 milhões de pessoas seriam mortas ou feridas, sem contar os incalculáveis milhões de nascimentos que deixaram de acontecer e o excesso de mortes civis devido à fome e à doença. As autoridades francesas previam 5 a 13 por cento de deserção: na verdade apenas 1,5 por cento se esquivou ao recrutamento em 1914. Na Grã-Bretanha, onde havia a mais forte oposição política à guerra e onde ela estava profundamente enra izada na tradição, tanto na liberal quanto na trabalhista e socialista, o número de voluntários nas primeiras oito semanas foi de 750 mil, mais um milhão nos oito meses seguintes.

Os alemães, como previsto, nem sonharam em desobedecer às ordens. “Como alguém vai poder dizer que não amamos nossa pátria, quando após a guerra tantos milhares de nossos bons companheiros do partido dizem “fomos condecorados por heroísmo?”. Assim escreveu um militante social-democrata alemão, tendo recebido a Cruz de Ferro em 1914. Na Áustria não foi só o povo dominante que foi abalado por uma breve onda de patriotismo Como reconheceu o líder socialista austríaco Victor Adler, “mesmo entre as nacionalidades, lutar na guerra era uma espécie de libertação, uma esperança de que algo diferente viria”. Até na Rússia, onde haviam sido previstos um milhão de desertores, todos, salvo poucos milhares dos 15 milhões, obedeceram à convocação.

As massas seguiram as bandeiras de seus respectivos Estados e abandonaram os líderes que se opuseram à guerra. Na verdade, deles restavam poucos, ao menos em público. Em 1914, os povos da Europa foram alegremente massacrar e ser massacrados, por pouco tempo, no entanto. Após a Primeira Guerra Mundial, isso nunca mais aconteceu.

O momento os surpreenderá, mas não mais pelo fato da guerra, ao qual a Europa se habituaria, como alguém que vê uma tempestade se aproximando. De certo modo sua chegada foi amplamente sentida como uma libertação e um alívio, sobretudo pelos jovens da classe média, homens, muito mais que mulheres, embora menos pelos operários e menos ainda pelos camponeses.

Como uma tempestade, ela rompeu o abafamento da espera e limpou o ar. Significou o fim da superficialidade e da frivolidade da sociedade burguesa, do tedioso gradualismo da melhoria do século XIX, da tranqüilidade e da ordem pacífica que era a utopia liberal para o século XX e que Nietzsche denunciara profeticamente, junto com a “pálida hipocrisia administrada por mandarins”.

Após uma longa espera no auditório, significou a abertura da cortina para o início de um drama histórico grandioso e empolgante do qual o público descobriu ser o elenco. Significou decisão. O fato de a guerra ter sido o momento da transposição de uma fronteira histórica, uma daquelas raras datas que marcam a periodização da civilização humana teria sido reconhecido como algo mais que uma conveniência pedagógica? Provavelmente sim, apesar da esperança muito disseminada numa guerra curta, num retorno previsível à vida normal e à “normalidade” retrospectivamente identificada a 1913, presente em tantas das opiniões registradas de 1914. Até as ilusões dos jovens patriotas e militaristas, que mergulharam na guerra como num elemento novo, “como nadadores na pureza saltando”, implicaram mudanças profundas. O sentimento da guerra como fim de uma época era talvez mais forte no mundo da  política, embora poucos tivessem uma consciência tão clara como o Nietzsche dos anos 1880 da “era de guerras, levantes [Umstürze], explosões monstruosas [ungeheure]” que começara, ainda menos numerosos foram os de esquerda que, interpretando a seu próprio modo a guerra, nela viam esperança, como Lenin. Para os socialistas a guerra era uma catástrofe dupla e imediata, pois, como movimento dedicado ao internacionalismo e à paz, foi subitamente reduzido à impotência, e a vaga de união nacional e patriotismo sob a direção das classes dirigentes tomou conta, embora momentaneamente, dos partidos e até do proletariado com consciência de classe dos países beligerantes. Entre os estadistas dos antigos regimes houve ao menos um que reconheceu que tudo mudara. “As lâmpadas estão se apagando na Europa inteira”, disse Edward Grey ao ver as luzes da sede do governo  inglês apagadas na noite em que a Grã-Bretanha e a Alemanha entraram em guerra. “Não as veremos brilhar outra vez em nossa existência.”

Temos vivido, desde agosto de 1914, no mundo de guerras, levantes e explosões monstruosas que Nietzsche profeticamente anunciou. Isto que envolve a era anterior a 1914 com a névoa da nostalgia, uma tênue idade de ouro, de ordem e de paz, de perspectivas não problemáticas. Tais projeções passadas de bons velhos tempos imaginários pertencem à história das últimas décadas do século XX, e não das primeiras. Os historiadores dos dias anteriores ao apagar das luzes não pensavam nelas. Sua preocupação central, que perpassa este livro, deve ser a de entender e mostrar como a era da paz, da civilização burguesa confiante e cada vez mais próspera, e dos impérios ocidentais, carregava inelutavelmente dentro de si o embrião da era da guerra, da revolução e da crise que marcou seu fim.” (Eric J. Hobsbawm)